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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

REVELAÇÃO X RACIONALISMO I


     Estamos inseridos no mundo das dualidades: verdade mentira, moral imoral, feio bonito, alto baixo, homem mulher, gordo magro, certo errado, vivo morto, etc. E assim, diante das dualidades nos posicionamos no mundo, certos de que estamos certos. Tratando-se do conhecimento, há uma dualidade fundamental: conhecimento revelado e conhecimento racional, este último construído pelo homem. Em todas as dualidades há as variáveis medianas. Ex.: entre o alto e o baixo, há os intermediários. Em relação à revelação e o racionalismo segue-se a mesma lógica, isto é, não há somente os estremos. As inter-relações entre revelação e racionalismo acabam afetando as certezas e incertezas de ambos os lados, nascendo assim, dúvidas, descrenças e finalmente o ateísmo. 
     Entendo por revelação os escritos bíblicos, e, em oposição a eles o racionalismo filosófico. Racionalismo é o uso da razão construindo teorias racionais para a própria razão crer como verdade última. Isto é, o próprio homem sendo fundamento de suas crenças religiosas e científicas. Em uma só palavra: autocrença. A revelação bíblica nos diz que fomos criados por Deus, e esse mesmo Deus é o mantenedor de todo o universo. O racionalismo filosófico nega categoricamente os escritos revelados. Para isso, fazendo uso da própria razão, fez-se autor de sua própria crença, logo, quando nego os escritos bíblicos, sendo filósofo ou não, estou crendo no próprio homem como o supremo fundador de todas as verdades religiosas ou não.
     Antes da escrita, as palavras reveladas por Deus, o Criador, eram eternizadas através da fala e do culto a esse Deus; do mesmo modo, os contrários às revelações, mantinham o antagonismo por meio da cultura politeísta, cultuando deuses de barro, pedra e madeiras construídos pelo próprio homem. Percebe-se que, antes mesmo da escrita e do racionalismo filosófico o antagonismo se instalara no planeta. A bíblia diz que logo depois da entrada do pecado esse antagonismo e outras desgraças começou fazer-se presente no mundo. Com o aumento demográfico e a evolução técnica, a escrita foi possível, e assim, esses dois seguimentos foram se eternizando através das diferentes formas de registros. Por volta do século X a. C. esses dois princípios antagônicos organizados como nação de Israel e as Polis (cidades estados gregas romanas) se aproximaram passando a trocar influências e ambas foram influenciados pelas diversas culturas e religiosidades; no século V a. C., por causa dos conflitos bélicos, os prisioneiros de guerra passaram a conviver juntos, isto é, a tribo de Judá e Manásseis, logo, os judeus, foram cativos dos Babilônios, tornando-se escravos deste. E, como cativos, por meio do profeta Daniel e seus companheiros de prisão, começaram revelar a Nabucodonosor, rei de Babilônia, o poder de Seu Deus, Aquele que revelara as escrituras bíblicas. Satanás, apreensivo pelo progresso de seu antípoda, buscou também, por meio do conhecimento escrito reformular seu modo de enganar, e assim, suscitou a reformulação da filosofia da natureza (Physis), fazendo crescer o conhecimento filosófico-científico-antropocêntrico, o racionalismo. Sabia ele, Satanás, que para concorrer com a revelação, o racionalismo teria que ser muito bem elaborado à vista dos homens, assim sendo, não é atoa que a escrita filosófica encanta ao ponto de parecer à única verdade verídica, quase ofuscando-nos de seus enganos contidos nas suas entrelinhas.
     Sócrates, primeiro filósofo Pós-naturalista, apreensivo com a conclusão dos primeiros filósofos que inferira, por meio de Heráclito que, de tudo o que analisamos na natureza e no cosmos, no universo há apenas o *movimento, isto é, o vir-a-ser. Segundo o próprio Heráclito, não podemos entrar num mesmo rio duas vezes, pois, aquele que entramos pela primeira vez passou; do mesmo modo, o que sou agora já não sou mais no próximo milésimo de segundo, logo, o movimento natural (vir-a-ser) é um eterno ser-e-não-ser; e, isso se dá do nascimento à morte, tudo gera e tudo se corrompe. Mas Parmênides questionou-o: só podemos apreender o ser se ele for fixo, logo, o ser é ou não é. Assim, Sócrates diante da missão de continuar filosofando exclamou: “Sei que nada sei”;!  e para Platão, discípulo de Sócrates: o filosofar começa com a “admiração” para Aristóteles, aluno de Platão: o filosofar dá-se com o “espanto”.
Marilena Chauí:
A primeira característica da atitude filosófica é negativa, isto é, um dizer não ao senso comum, aos pré-conceitos, aos pré-juízos, aos fatos e às ideias da experiência cotidiana, ao que “todo mundo diz e pensa”, ao estabelecido.
     A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre o porquê disso tudo e de nós, e uma interrogação sobre como tudo isso é assim e não de outra maneira. O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica.
     A fase negativa e a fase positiva da atitude filosófica constituem o que chamamos de atitude crítica e pensamento crítico.
     A filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do senso comum e, portanto, começa dizendo que não sabemos o que imaginamos saber; por isso, o patrono da filosofia, o grego Sócrates afirmava que a primeira e fundamental verdade filosófica é dizer: “Sei que nada sei”. Para o discípulo de Sócrates, o filósofo grego Platão, a filosofia começa com a admiração; já o discípulo de Platão, o filósofo Aristóteles, acreditava que a filosofia começa com o espanto.
     Admiração e espanto significam: tomamos distância de nosso mundo costumeiro, através de nosso pensamento, olhando-o como se nunca o tivéssemos visto antes, como se não tivéssemos tido família, amigos, professores, livros e outros meios de comunicação que nos tivessem dito o que o mundo é; como se estivéssemos acabado de nascer para o mundo e para nós mesmos e precisássemos perguntar o que é, por que é e como é o mundo, e precisássemos perguntar também o que somos, porque somos e como somos. Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. FILOSOFIA. Ed. NOVA. Apostila Para Concursos Públicos. P. 33 e 34, 2013.
      Em síntese, a filosofia ignorou tudo o que existia de conhecimento até aquele momento para fundamentar o seu saber, como se fosse à criadora de tudo.
     Sócrates admitiu a existência de um Deus Inteligência Superior, do qual disse ser seu missionário. Era o filósofo das Ágoras (praças públicas), lutou por moralizar a política, por cidadãos públicos mais justos; por isso foi condenado à morte; com a consciência tranquila tomou o copo de cicuta segundo a ordem da corte e morreu. Diante das injustiças feitas a seu professor, Platão fugiu de Atenas por aproximadamente doze anos, por onde passou conheceu outras culturas. Voltando à Atenas fundou sua Academia, influenciado pelos pitagóricos e seus rituais místicos filosofou fundamentado no misticismo de Pitágoras. Fundamentalmente o corpo e a alma são as dualidades de sua filosofia. Até então, essa divisão não existia, segundo a bíblia a alma é a própria pessoa que, diante da morte tudo se esvai, cai no esquecimento. Platão admitiu a morte do corpo, mas eternizou a alma, mais que isso, fez dela a responsável pela cognição humana. Construiu-lhe um mundo a parte, o Hiperurânio, mundo das formas perfeitas, modelo de tudo o que há na Terra. Com o passar do tempo a filosofia de Platão virou teologia anti-bíblica e, como tal, continua enganando a humanidade. Deus para Platão é um plasmador, aquele que faz a partir da matéria existente, Ele não cria através do logos, mas plasma, isto é, manuseia.
     Aristóteles, discípulo de Platão, desvinculou-se da teologia ou filosofia de seu mestre e passou a sistematizar a ciência, ou o conhecimento, porém, como todo filósofo admitiu um causador de toda a ordem universal, o cosmos. Raciocinando logicamente, é impossível a ordem cosmológica sem um ordenador inteligente, mas, para ir contrário aos ensinamentos bíblicos dos judeus, negou existência de um Deus Criador e mantenedor do universo, preferiu ficar ao lado do Pré-Socrático Heráclito. Deus para Aristóteles é um motor imóvel, aquele que move tudo sem se mover; é ato puro, no entanto:
Este Deus, pelo seu efetivo isolamento do mundo, que ele não conhece, não cria, não governa, não está em condições de se tornar objeto de religião, mais do que as transcendentes ideias platônicas. E não fica nenhum outro objeto religioso. Também Aristóteles, como Platão, se exclui filosoficamente o antropomorfismo, não exclui uma espécie de politeísmo, e admite, ao lado do ato puro e a ele subordinado, os deuses astrais, isto é, admite que os corpos celestes são animados por espíritos racionais. Entretanto, esses seres divinos não parecem e não podem ter função religiosa e sem física.
     Aristóteles não nega o vir-a-ser de Heráclito, nem o ser de Parmênides, mas une-os em uma síntese conclusiva, já iniciada pelos últimos pré-socráticos e grandemente aperfeiçoada por Demócrito e Platão. Segundo Aristóteles, a mudança, que é intuitiva, pressupõe uma realidade imutável, que é de duas espécies. Um substrato comum, elemento imutável da mudança, em que a mudança se realiza; e as determinações que se realizam nesse substrato, a essência, a natureza que ele assume. (...)
    Não obstante esta concepção filosófica da divindade, Aristóteles admite a religião positiva do povo, até sem correção alguma. Explica e justifica a religião positiva, tradicional, mítica, como obra política para moralizar o povo, e como fruto da tendência humana para as representações antropomórficas; e não diz que ela teria um fundamento racional na verdade filosófica da existência da divindade, a que o homem se teria facilmente elevado através do espetáculo da ordem celeste. Ibid. p. 27 e 28

     Toda metafísica filosófica, independente do filósofo, até os filósofos cristãos, eles estão negando a revelação bíblica, fazem isso sob o pano de fundo religioso. Não se engane; os filósofos são fiéis à filosofia, pois, somente assim são considerados engajados na academia. Aristóteles admitiu a religião ideológica, já sabia ele que a ideologia tem existência material e não ideal, logo, as religiões ou instituições religiosas não passam de aparelhos ideológicos do Estado. Por isso, aqueles que buscam a salvação segundo revelada na bíblia têm que agir pela fé, caso faltem evidências para crer, aja pela fé conforme fez Abraão. O verdadeiro cristão mostra-se verdadeiro pelo comportamento e não pelas palavras, as palavras enganam o modo de ser e agir não, logo, meu jeito de ser externado no mundo revela a verdade que está em mim. Diante de Deus, somos justificados pelos atos de fé, não por argumentos. Jesus "nada escreveu", a não ser as palavras: "Alguém te condenou? nem Eu , vais e não peques mais". Palavras registradas na terra à Maria Madalena e seus acusadores. Deus, comparado às argumentações filosóficas e teológicas, em se tratando de escrever, é "silêncio". Ele fez questão de escrever apenas os dez mandamentos universal (Êxodo) e aquelas palavras à Madalena. Quem muito fala ou escreve logicamente, quer se justificar ou, como diz o ditado: "dar milho a bode".

Filósofo Isaías Correia Ribas.