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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

AS RELIGIÕES E O ESTADO LAICO


     É comum ouvirmos essa expressão o “Estado é laico” quando o assunto é sobre política e religião. Mas o que significa laico? Segundo o dicionário, laico: leigo ou secular; oposição a eclesiástico e a religioso. Isso significa que, diante do Estado politicamente organizado o religioso é o oposto. Esta oposição à influência do religioso nos negócios do Estado se dá por causa das frustrações políticas da Idade Média, quando a igreja assumiu o poder político e religioso e fez do Estado (nações europeias), uma extensão da igreja. Primeiro, precisamos compreender que não foram os cristãos que assumiram o poder político e religioso no período medieval, pois estes eram cassados em todos os lugares para serem eliminados de Roma Pagã. Então, a questão que deve ser feita é: como um grupo de perseguidos (os cristãos primitivos), teriam condições de assumir a posição de líder da igreja e do Estado? O que aconteceu foi o seguinte: quanto mais cristãos morriam na fogueira, pela espada, crucificados e pelos leões sob às ordens de/por Roma Pagã, mais pessoas se convertiam ao cristianismo; assim, diante dessa impossibilidade de acabar com os seguidores de Cristo, Constantino ao assumir o império romano deu um golpe de mestre: converteu-se ao cristianismo! Pronto! Agora, como imperador e cristão tinha o poder para alterar o livro sagrado dos judeus e cristãos, a bíblia. Pois sabia ele que era apenas uma questão de tempo e todo cristianismo seria deturpado, isto é, continuariam sendo cristãos, porém, adorando os deuses pagãos no domingo e não mais no sábado, segundo ensina a bíblia¹.
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¹ A partir de 313, o imperador Constantino adotou uma política de tolerância religiosa em relação aos cristãos, que puderam realizar cultos públicos. Em 380, o cristianismo passou a ser considerado a religião do Estado, quando o Imperador Teodósio recebeu o batismo cristão. Cerca de uma década depois, os cultos pagãos foram proibidos, e o cristianismo tornou-se, efetivamente, a religião oficial de Roma, promovendo a organização da igreja Católica Romana, que construiu sua hierarquia tendo como modelo a estrutura administrativa do império. (COTRIM. p. 130)
     No mesmo século um grande filósofo, Aurélio Agostinho (354 - 430), Tagaste, África, filósofo maniqueísta, também se converte ao cristianismo, tornando-se bispo de Hipona, Santo Agostinho.   Antes do nascimento de Cristo as escolas filosóficas neoplatônicas já vinham trabalhando para que a filosofia de Platão, especificamente o “Mundo das Ideias”, alcançasse o status de teologia semelhante ao livro sagrado dos judeus. Foram os neoplatônicos e outras escolas filosóficas que deturparam a crença dos judeus, levando-os a rejeitarem e matarem a Cristo que eles esperavam como seu libertador e salvador. Após o nascimento de Cristo, o neoplatonismo passa a ser escola dos padres (Patrística), assim, quando Agostinho se converte, converte-se à patrística neoplatônica e não a Cristo ou ao cristianismo primitivo que viviam segundo as orientações bíblicas. Foram esses falsos cristãos, Constantino, Agostinho, Teodósio e seus assessores políticos e seguidores, sob a capa de cristãos, quem assumiram o controle dos Estados medievais (Europa) em nome do cristianismo. Assim, com essa jogada político-religiosa, funda-se a igreja Católica Romana que vai tornar-se a “igreja mãe do cristianismo”. “Roma cristã”, para se manter no poder sem ser questionada fechou todas as escolas proibindo o conhecimento para a população, sabiam eles que o conhecimento liberta, e pessoas livres são problemas para a política corrupta como para a religião que quer dominar em nome de Deus. Por isso, a Idade Média é conhecida também, como idade das trevas.
     A partir de 1.170 alguns cristãos percebem a jogada político-religiosa ocorrido em nome de Cristo, dão-se conta do que realmente ocorrera, estavam cientes que fora proibido o estudo da bíblia por aqueles que se diziam representantes de Cristo. Assim, com o surgimento dos Valdenses que queriam viver segundo o que estava escrito na bíblia, o mesmo espírito de Roma Pagã, faz-se presente na Roma Cristã, é o início às perseguições àqueles que insistem fazer da bíblia o livro base de sua fé. Agora Roma Cristã, à semelhança de Roma pagã se levanta contra todos os que se levantam para questionar seu modo de ser cristão. São acesas novamente as fogueiras e as espadas são empunhadas para matar os que se declaram adeptos dos ensinos bíblicos.
     Como a igreja perdia seu poder político na Europa, e, querendo se manter como igreja mãe do cristianismo, por meio de seu Estado político-religioso, o Vaticano, através do Papa, faz-se representante de Deus na Terra, achando-se o único capaz de promover a paz mundial. Infelizmente o Brasil foi o país escolhido pelos colonizadores que assimilaram mais os ideais medievais e os implantaram nos ideais brasileiros. A educação brasileira fundamentada no paradigma “Progressão Continuada”, tem como objetivo principal, a manutenção da ignorância generalizada; mantendo-nos como país periférico, produtor de matéria prima, mão de obra barata e mantenedor dos ideais da igreja medieval.
     Atualmente, quando um religioso confesso candidata-se a cargos eletivos em nosso país sofre preconceito por causa desse histórico medieval. Porém, devemos compreender, como ser político que somos, que o Estado é um bem comum e jamais deve servir a essa ou aquela denominação religiosa. Logo, se há algum religioso que queira administrar instâncias públicas deve ter em mente que lá está para defender os interesses de todos e não aos de sua denominação, pois, religiosos, a grande maioria dos brasileiros são; e, como tais, devemos amar-nos uns aos outros; como seres racionais, independente de crenças, devemos ser altruístas e o altruísmo não faz acepção de pessoas. Assim, estamos em condições de compreender o que significa solidariedade. A política solidária não vê crença, mas seres humanos com direitos iguais, e dentre esses direitos está a liberdade religiosa. Assim, qualquer pessoa solidária pode concorrer a cargos eletivos para administrar o bem público que é de interesse comum à uma sociedade organizada.
Por isso, entendo que o PHS e o PSB despontam como uma nova opção de renovação da política brasileira. Infelizmente nosso candidato à presidente da república e outros que o acompanhavam foram vítimas de um acidente aéreo; minha prece é que Deus conforte seus amigos e familiares.
     Quanto aos ideais políticos do Eduardo Campos, esses, não se foi com ele, pois estes são os ideais do PSB e suas coligações, portanto, vamos lutar para que seus sonhos de um Brasil mais equitativo e solidário se concretize! Não vamos desistir de um Brasil bom para todos os brasileiros.
     Assim, como religiosos ou políticos contemporâneos, votando ou concorrendo a cargos eletivos devemos ter como ideal, eliminar os ideais medievais de nosso país. E isso, só será possível com novos políticos assumindo a administração de nossa política federal, estadual e municipal, pois a velha política já comprovou que não tem como ideal um novo país para todos os brasileiros. Por isso como professor e filósofo apoio os ideais desses três candidatos, pois estes, juntamente com PSB têm como ideal um Brasil livre das trevas medievais.
     Para governador do estado de São Paulo, Laércio Benko Nº 31; para deputado federal, Victor Perina Nº 3131; para deputada estadual, Clélia Gomes Nº 31031.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Cotrim, Gilberto. HISTÓRIA GLOBAL – Brasil e Geral, v. I, Ensino Médio. Ed. Saraiva. São Paulo, 2010.

Filósofo Isaías Correia Ribas.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

O PODER DO ELEITOR


     Nós, cidadãos brasileiros, a cada dois anos temos a oportunidade de sermos políticos de verdade, capaz de mudar o precisa ser mudado em nosso país. Entendo que política não é como um jogo de futebol que precisa de uma torcida organizada. Como nação, somos afetados pelas decisões daqueles que governam o país. Logo, não devemos ser torcedores e sim juízes. Isso mesmo, o povo, através do voto, é um juiz em condições legais de expulsar os maus políticos.
     O fundamento básico para o desenvolvimento de uma nação qualquer, está na educação dada ao seu povo. Partindo deste princípio, deduz-se, o governo federal e estaduais do Brasil precisam ser substituídos, pois eles, querem manter o Brasil no mesmo ideal da Idade Média, isto é, ignorância geral a todos os trabalhadores. Por isso a educação brasileira precisa ser ruim. Entende, não é que ela está ruim, ela precisa que ser ruim. Entendo também que o PT e o PSDB, não têm mais o direito de prometer, eles são os únicos protagonistas que estão no poder desde a queda da ditadura e até hoje, no quesito, educação de qualidade, eles só fizeram piorar, pois, educação significa conhecimento, mas o conhecimento de qualidade continua sendo dado somente aos ricos como era feito na Idade Média. A Progressão Continuada aplicada nas escolas públicas brasileira é um crime contra toda uma nação.
     Então, vamos exercer o poder que temos e expulsar os velhos e maus políticos que a vinte anos lutam para que o Brasil seja um país de mão obra barata, uma nação de ideal escravocrata? Como filósofo e Professor, entendo que temos mais uma oportunidade de recomeçar como novos políticos que estão pensando um Brasil desenvolvido a todos os brasileiros.


Filósofo Isaías Correia Ribas

CLÉLIA GOMES, 31031, CANDIDATA A DEPUTADA ESTADUAL PELO PHS



Casada, mãe de dois filhos e avó da Eduarda. Filha de pais pernambucanos que deixaram o Nordeste e vieram para São Paulo atrás de uma vida melhor. Nasceu na periferia da Zona Norte de São Paulo e até hoje reside no mesmo bairro.
Sua história na política teve início em 2004, quando ainda era secretária da Advocacia Benko Lopes e à época, de Laércio Benko, do Partido Verde (PV). Benko desligou-se do PV e em 2012 assumiu a liderança estadual do Partido Humanista da Solidariedade (PHS), para onde Clélia migrou. Posteriormente, assumiu a Secretaria Geral da sigla no estado e em pouco tempo, tornou-se também Presidente Estadual do PHS Mulher – cargo que a compete até hoje. Foi coordenadora política da campanha de Laércio para vereador em São Paulo e após a vitória no município, foi nomeada chefe de gabinete do 20° GV na Câmara Municipal de São Paulo.
Dirigente espiritual, fundou a Casa de Caridade Três Marias, que após 20 anos, ganhou sede própria e atende a região da Zona Norte de São Paulo com trabalhos de caridade. Clélia sente na pele as dificuldades de criar os filhos em um bairro considerado pobre, sabe o quanto é difícil viver em São Paulo e tem em sua própria vida o exemplo de determinação e coragem para mudar o atual cenário. Todos os obstáculos, lutas, descidas e subidas na vida, a prepararam fisicamente e espiritualmente para hoje falar com clareza sobre os problemas e desafios de nascer e viver em uma comunidade carente, onde à falta de segurança, saúde, educação e cultura são problemas eminentes.
Suas principais bandeiras são a luta contra a intolerância religiosa, a força da mulher brasileira e como moradora da periferia de SP, a necessidade de mais representatividade desse público no cenário político.

Entre as suas prioridades:
Periferia de SP
- educação
As áreas periféricas de São Paulo estão se tornando cada vez mais redutos de marginalidade. Sabemos que para mudarmos o atual cenário, precisamos primeiramente nos atentar as nossas crianças, que são o futuro do país. Investimentos em EDUCAÇÃO são a nossa prioridade! Reestruturar o atual sistema de ensino implantado no Estado – em que alunos da escola pública são aprovados automaticamente, enquanto os professores encontram-se desamparados pelo sistema (profissionalmente e psicologicamente) – será uma de nossas metas.
- esporte, cultura e lazer
Devido a falta de apoio governamental às comunidades carentes, estamos vivendo um período em que uma das únicas opções que jovens e adolescentes possuem nestas regiões, são as atividades ilícitas. Iremos promover ações para que este público tenha oportunidades CULTURALMENTE e por meio do ESPORTE, e assim, possam seguir caminhos diferentes e não apenas serem aliciados por este triste sistema que assombra SP. Vamos estudar meios de implantar atividades que possam trazer de volta o lazer às comunidades.
- saúde
Todo brasileiro, pagante de impostos – e altíssimos por sinal – tem o DIREITO a no mínimo, uma saúde de qualidade. Acredito que o SISTEMA DE SAÚDE de São Paulo necessita urgentemente de uma REVISÃO. Precisamos reduzir as filas, trabalhar em cima de programas de prevenção e também, utilizar de forma inteligente e delineada os recursos repassados para este setor.
- segurança
São Paulo tornou-se uma das cidades mais perigosas da América do Sul. Os índices de assaltos, roubos e assassinatos aumentam a cada ano e o atual governo, insiste em afirmar que temos tudo sob controle. Primeiramente, devemos resgatar os jovens dando-lhes oportunidades, para desta maneira poder diminuir os números de marginais e ilegais que se formam na sociedade. Também é necessário rever o sistema de segurança de São Paulo, para que estes profissionais tenham subsídios para atender a grande demanda e estejam tanto psicologicamente como profissionalmente preparados para exercer de forma inteligente e SEGURA suas qualificações.


A mulher brasileira
Mulher é sinônimo de ação. Somos ao mesmo tempo: mães, esposas, donas de casa, temos nossas carreiras profissionais, empregos e vida pessoal para gerenciar. Entretanto, o monopólio político ainda pertence -em sua maioria- ao público masculino. Precisamos mostrar as mulheres paulistanas que devemos sim falar de política, nos envolver na política e lutar, como mãe e leoas que somos, por um país mais digno para viver. Temos sabedoria e um instinto único para lidar com os assuntos relacionados ao humanitário. Por meio de projetos de incentivo, vamos valorizar a mulher como um todo e aproximá-la ainda mais do poder público.

Intolerância religiosa
Como dirigente espiritual, Clélia sabe que a liberdade religiosa não é um dever, e sim um direito de todos os cidadãos, visto que vivemos em um Estado Laico. Para que as religiões afro-brasileiras possam ter mais representatividade, as casas precisam estar com a documentação regularizada e essa será uma de nossas metas, sair da clandestinidade em nível estadual. Ainda existe um grande receio em relação as religiões descentes da África, precisamos mostrar a SP que todos temos o livre direito de nossas escolhas religiosas e é necessário existir RESPEITO entre todas as crenças.


Informações
Endereço Comitê Político:
Av. Gustavo Adolfo, 158 – Tucuruvi
São Paulo – SP / CEP: 02209-001
Tel: (11) 2981-7526

Assessoria de Imprensa: Thamires Telles thamirestelles@cleliagomes.com.br
FanPage: https://www.facebook.com/cleliagomes31031

domingo, 10 de agosto de 2014

SEGURANÇA PÚBLICA


     O que justifica um departamento de segurança policial em todas as instâncias dos governos federal, estadual e municipal se não for para instruir, coibir e prender os foras das leis? Nenhum cidadão, dos mais simples às mais altas classes sociais e autoridades judiciais se quer cogitam justificar outros objetivos além dos expressos. Em toda sociedade organizada sempre houve o bom e o mal caráter, aqueles que querem viver além do bem e do mal, isto é, livres de uma moral reguladora do comportamento para todos. É impossível entendermos a utilidade de um departamento de segurança se não compreendermos o que é ética e moral.
Ética: ciência filosófica que investiga os costumes.
Moral: princípios norteadores dos bons costumes, isto é, como se viver na prática do bem e da justiça.
     Por mais de cinco mil anos, os princípios morais dos ocidentais estavam fundamentados na bíblia, livro sagrado dos judeus e cristãos.
Filosofia: No século VI a. C. surgiu os primeiros filósofos questionando os fundamentos da moral e do conhecimento. Queriam eles provar por meio da natureza que Deus era uma utopia, logo, incapaz de ser o norteador de tudo. Várias hipóteses foram levantadas para justificar a origem da vida e do universo independente dos deuses e da fé. Porém, frustraram-se diante de tamanho problema. Assim, no século IV, com os filósofos clássicos, Sócrates, Platão e Aristóteles admitiram continuar seus questionamentos a partir da possibilidade da existência de Deus, porém, isso não significa que eles tinham fé segundo a fé dos judeus. Esse período filosófico chama-se metafísica (o que está além da física), isto é, Deus, a alma e o mundo. Os questionamentos filosóficos a partir da metafísica foi de: (400 a. C. – 1800 d. C.).  
     No início do cristianismo a Patrística (escola dos padres) ou filósofos neoplatônicos, aproveitaram a confusão social causada pelas intrigas entre Roma pagã e os judeus, mais a fuga dos cristãos primitivos com medo da morte, para assumir o poder político e religioso do mundo de então. Isso foi possível com a conversão do imperador Constantino e do filósofo maniqueísta Agostinho. Roma Pagã ficou no poder de 168 a.C. – 476 d.C.). Assim, após cinco séculos de preparo os filósofos assumiram o poder religioso e político em nome do cristianismo fazendo-se representantes de Deus. Logo, a ideologia aplicada na Idade Média é filosófica e não cristã.
     Com a Escolástica, primeiras universidades, pela influência da filosofia de Aristóteles que estava em poder dos muçulmanos que Santo Tomás de Aquino interpretara, abriu-se as portas para os questionamentos contra os ideais impostos às nações da Idade média. Desses questionamentos escolásticos ocorreu o Renascimento Humanista, a Reforma Protestante e a Idade Moderna.
     Com Immanuel Kant (1724 – 1804), um protestante luterano alemão, Deus é a coisa-em-si, e, como tal, impossível de se conhecer pelo método científico. Assim, com Kant, a ética e a moral passam a ser fundamentadas no sujeito, isto é, na razão e não mais em Deus; é o nascimento do iluminismo, do positivismo científico. Momento em que a ciência começa ignorar a utilidade da filosofia para o conhecimento verdadeiro. Restou a filosofia a fundamentação do conhecimento e a ética, é a luta filosófica por um lugar ao sol frente as verdades empíricas.
Guilherme Miller (1782-1849)
     Miller, filho de um capitão do exército da revolução americana (1776-1783) e sua mãe, fiel cristã da igreja Batista. Quando criança e jovem, seguindo os passos da mãe era membro da igreja, porém, já adulto, influenciado pelo racionalismo duvidou de que a bíblia fosse um livro revelado por Deus; assim, como deísta, acreditava em Deus, mas não na revelação bíblica. Em 1812 alistou-se como voluntário na revolução e terminou em 1815 como capitão. Como deísta e capitão tinha tudo para ser rico e viver em paz; mas a paz que ele buscara no deísmo não a encontrara. Assim, em meio a angústia de espírito, em sua fazenda, resolveu investigar a bíblia verso por verso, dizendo para si: se esse livro for realmente a palavra de Deus revelada aos humanos irei compreendê-lo e encontrar a paz prometida! Miller era um homem íntegro e honesto. Em suas investigações reencontrou a paz que procurava e interpretou a profecia de Daniel 8:14. Por nove anos ele angustiara com a dúvida, devo ou não divulgar minhas conclusões a respeito dessa profecia? Revolveu pela divulgação; em 1831 começou mostrar para alguns e esses eram convencidos pela matemática aplicada à profecia. Pelos seus cálculos a segunda vinda de Cristo ocorreria 22/10/1844. Os líderes da igreja foram convencidos, e deram-lhe o título de pastor conferencista. Porém, chegou a data e Cristo não veio. Estava aberto o caminho para a apostasia generalizada dos modernos cristãos.
Friedrich Wilhelm Nietzsche
    Coincidentemente, em 15/10/1844, no vilarejo Röcken, próximo a Leipzig, Alemanha, nasce Friedrich Wilhelm Nietzsche, seu pai Karl Ludwig era uma pessoa culta, seus dois avós eram pastores protestantes e Nietzsche pretendia seguir a mesma carreira. Na universidade, por influência de seu professor Friedrich Ritschl, o filósofo decidiu abandonar os estudos de teologia e dedicar-se a filologia. Finalmente como filósofo, filólogo e conhecedor da bíblia, tornou-se o ateu que admitiu filosofar como uma dinamite que implodiria toda arquitetura filosófica científica e teológica idealizada até então. Para ele, todos esses ensinamentos estavam alicerçados na mentira. E o que sobrasse da implosão ele despedaçaria com seu martelo filosófico.
Miller, White e Nietzsche
     Esses três pensadores coincidem com o início da Idade Contemporânea. Período em que a sociedade mundial opta por viver sem parâmetros éticos e morais. A partir das frustrações protestantes com relação a data marcada para a segunda vinda de Cristo, Nietzsche cria o conceito niilismo (vazio). Isto é, a esperança dos protestantes cai no vazio; e Nietzsche conclui, Deus morreu. O que significa a morte de Deus para Nietzsche? Significa:
a) a filosofia clássica e helenística conseguiram deturpar a crença dos judeus, levando-os matarem e rejeitarem Jesus Cristo seu prometido salvador.
b) O cristianismo é platonismo. Isto é, a metafísica neoplatônica e a Patrística, unidos ao politeísmo pagão passaram a ser doutrinas do cristianismo medieval.
c) O mesmo espírito filosófico protestante desenvolveu a exploração capitalista em oposição a defesa da pobreza defendida pelos medievais.
d) Os fundamentos do enriquecimento pelo acúmulo de capital em nome de Deus, defendida pelos protestantes modernos "cai no vazio" com as previsões frustradas de Miller.
     Assim, só resta à humanidade contemporânea a perspectiva de um viver dissoluto, isto e, sem parâmetros morais e éticos. Nietzsche é um filósofo ateu metafísico; Em nome do Zaratustra profetizou que surgiria os super-homens que iriam propor a transvaloração de todos os valores. Então, quando os filósofos atuais, os cientistas, os teólogos, os empresários, os políticos, os artistas da grande e pequena mídia e as universidades, responsáveis pela evolução do ceticismo generalizado, a uma só voz dizem: a bíblia é um livro de contos míticos, inútil à moralidade, estão todos na mesma ótica de Nietzsche. Já é possível ouvir o clamor desses super-homens: Vamos liberar tudo, “é proibido proibir”, cada um que viva segundo a sua vontade, dê vazão às suas pulsões sensuais, apela Nietzsche, pois, só assim sereis livres; assim, deduz-se que uma sociedade livre não se faz mais necessário um departamento de segurança para instruir, coibir e prender transgressores, pois não há mais transgressores, apenas cidadãos livres. Mas Nietzsche não é só caos, esse caos tem causa, e a causa do caos é a não educação de qualidade às crianças e jovens, diz ele: “A educação que nivela por baixo é feita para o rebanho, é a educação da decadência¹”. (SOUSA, p. 188)
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¹ O mais desejável continua sendo, em todas as circunstâncias, uma rígida disciplina na época certa, ou seja, ainda numa idade em que desperte orgulho ver que muito é exigido de si mesmo. Pois isso diferencia de qualquer outra a escola da dureza como boa escola: que muito é exigido, que é exigido com rigor; que o bom, que até o excepcional é exigido como normal; que o louvor é raro, que não há indulgência; que a punição se impõe certeira, objetiva, sem exceção para o talento e origem. Uma escola assim é necessária em todos os sentidos: isso vale tanto para o mais corpóreo quanto para o mais espiritual: funesto seria querer separar aqui!  (Ibid P,190)
     Dentro desse contexto cético, Deus, em cumprimento a profecia apocalíptica, (Apoc.19:10) chamou pessoas para a missão de profeta contemporâneo, responsável à verdadeira interpretação dos escritos e profecias bíblicas; os dois primeiros rejeitaram, a terceira, uma jovem de dezessete anos, Ellen G. White aceitou a missão. O livro de sua autoria que fala deste contexto é “O GRANDE CONFLITO”. Ed. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP.
     Como filósofo entendo que a implementação de uma nova perspectiva educacional para nossas crianças e jovens depende de elegermos políticos que estejam desejosos de fazer de nosso país, um Brasil que contemple a todos com nossas riquezas sem ter que estar dando migalhas assistencialistas para o povo. O que precisamos é de cidadãos que sejam capazes de produzir 100 ou 1000% a mais do que produzem atualmente, e o meio para isso é a educação de qualidade para todos os cidadãos.
     O candidato ao governo de estado de São Paulo Laércio Benko (Nº 31), o candidato a deputado federal Victor Perina (Nº 3131) e a candidata a deputada estadual Clélia Gomes (Nº 31031), entendem que o fim da “Progressão Continuada” aplicada na educação de nossos filhos é a saída para formar cidadãos conscientes, capazes de reverter a barbárie anunciada pelas péssimas ideologias aplicadas pelos velhos políticos na educação dos brasileiros, deixando-nos presos à Idade Média.
Então, vamos ser protagonistas de um novo Brasil para todos os brasileiros!

Filósofo Isaías Correia Ribas

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

SOUSA, Mauro Araújo de. NIETZSCHE ASCETA. Ed. Unijuí, Ijuí, RS, Brasil, 2009 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

SOU PROFESSOR PATRIOTA


     Sou professor de filosofa na E. E. Professor Pio Telles Peixoto do estado de São Paulo, especialista em “Filosofia da Linguagem na Filosofia Contemporânea”, como filósofo defendo o pensamento bíblico, e, como professor, uma educação de qualidade para todos os jovens brasileiros, pois, uma nação que não valoriza seus jovens e crianças jamais será uma nação de primeiro mundo, desenvolvida. Assim sendo, o que mais atraímos, como nação, são investidores que querem temporariamente explorar a mão de obra barata que nossos jovens podem oferecer com a educação que recebem em nossas escolas públicas. Grandes investidores, caso queiram investir a longo prazo, não veem perspectivas de continuar crescendo em um país que não investe na educação de seus cidadãos trabalhadores. Pois, sem esta, a probabilidade de crescimento da marginalidade é certa. Por isso, como professor visionário, defendo a proposta do candidato a governador ao estado de São Paulo Laércio Benko (Nº 31), da candidata a deputada estadual Clélia Gomes (Nº 31031) e do deputado federal Victor Perina (Nº 3131).
     O PHS é um novo partido com novos políticos que merecem passar pela avaliação pública, por isso, entendo, que devemos elegê-los para que eles tenham a oportunidade de demonstrar se realmente vão fazer o que prometem. Eles entendem e defendem a tese de que a ‘Progressão Continuada’, imposta aos estudantes brasileiros pelos velhos políticos, é a causa da alta taxa de criminalidade entre os jovens brasileiros, pois, com a educação que recebem dessa maldita ideologia, acaba com todas as perspectivas que possa pairar no ideal de um jovem trabalhador que vive sob a égide do ideal capitalista.
     Como professor e filósofo, entendo que a avaliação deles quanto a ideologia imposta aos nossos estudantes está corretíssima; quando essa ideologia for banida das escolas públicas, será o início de um ‘novo Brasil para todos os brasileiros’! Então, vamos ser protagonistas desse novo Brasil!


Filósofo Isaías Correia Ribas 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A METAFÍSICA E O NASCIMENTO DE JESUS


     A metafísica é uma disciplina filosófica. É o maior período que um problema filosófico pairou na perspectiva dos filósofos. A metafísica começou no século IV a. C. com Sócrates e terminou em 1650 com Descartes. Esse período é denominado também como ontológico (estudo do ser); logo, o ser é o conceito chave da metafísica. Mas a questão é: que tipo de ser é investigado por todos os filósofos desse período? O ser que está além da física (Deus, a alma e o mundo). O estudo da metafísica foi admitido pela filosofia porque os primeiros filósofos, os Pré-Socráticos, não faram capazes de construir um novo conhecimento como anunciaram que fariam, isto é, um conhecimento que refutasse Deus e os deuses mitológicos. Então, diante dessa frustração, a filosofia passou a analisar o que e por que tudo existe, admitindo a possibilidade de que Deus existe segundo a fé do povo de Israel.
     Agora dá para entender porque Sócrates, Platão e Aristóteles elegeram um deus para si, eles estavam analisando as coisas a partir da metafísica, admitindo a possibilidade de Deus existir e ser o criador, mas eles não tinham fé, e nem acreditavam na salvação por meio do sacrifício de um salvador segundo anunciavam os profetas de Israel. O que eles queriam, e a ciência continua nos dias atuais nessa mesma perspectiva é, encontrar Deus no universo ou algo que justifique a existência da vida no planeta, pois, para a filosofia e a ciência, se existe um Deus ou uma teoria, têm que ser passíveis de análise lógica, empírica ou de ser alcançado pelos sentidos; pois, a pura fé, não é fundamento para o conhecimento.
Cristo, um grande problema para a filosofia
     Quando Cristo nasceu, a filosofia já havia deturpado toda a fé de Israel e Judeus. Nessa época, Roma pagã governava o mundo (168 a.C. – 476 d.C.), logo, os judeus estavam sob o domínio pagão, e eles naturalmente estavam ansiosos pelo cumprimento da profecia de que o filho de Deus viria fundar Seu reinado, livrando-os do jugo romano. Porém, a profecia se cumpriu segundo anunciara o profeta Isaías: uma virgem, grávida pelo Espírito Santo, deu a luz ao filho de Deus que fora gerado metafisicamente, algo além da lógica filosófica e da ciência, um mistério aos olhos da razão pura.  Os judeus e os filósofos duvidaram da Onipotência que se manifestara entre eles; mas isso não era tudo, Jesus mostrava ser o prometido segundo as profecias bíblicas. Viveu trinta e três anos entre aqueles povos, fez muitos milagres, inclusive ressuscitou mortos, foi morto, sepultado e após três dias um anjo desceu do céu e O ressuscitou, após quarenta dias retornou ao céu para terminar a obra de salvação. Inacreditável, Deus surpreendeu a todos manifestando-Se entre eles; assim, a salvação prometida por Deus segundo Seus profetas estava posta a quem quisesse. Os filósofos e outros ateístas queriam ver Deus, viram e O rejeitaram.
     Mas o homem em sua arrogância escolheu ir contra as evidências do Deus encarnado; assim, o orgulho prevaleceu e resolveram continuar na guerra epistemológica contra a Onisciência divina. A filosofia que já vinha trabalhando para fazer da filosofia de Platão uma teologia que minasse a clareza das profecias bíblicas foi preparada para confundir os cristãos primitivos. Dois poderes se levantam contra eles, o político, Roma Pagã e a Patrística (escola dos padres) ou filósofos neoplatônicos. O poder político queria eliminar os cristãos a qualquer custo, jogando-os aos leões para serem devorados em suas festas e matando-os a espada e outras torturas possíveis, e os neoplatônicos (filósofos da atualidade), preparavam uma estratégia para eliminar a influência da bíblia sobre essa nova religião. Essa intolerância aos cristãos primitivos durou até a ascensão de Constantino ao poder romano. Como estava comprovado ser impossível destruir a influência de Cristo sobre a humanidade, pois, à medida que se matava cristãos mais pessoas se convertiam, Constantino resolveu mudar de estratégia, em vez de persegui-los, “converteu-se”, pois, como cristão e rei, poderia alterar o livro sagrado dos cristãos; entendia ele que, para corromper uma crença basta redirecionar a fé do indivíduo. Foi isso que ele fez. Os pagãos adoravam o sol, então, ele montou uma estratégia para que todos os cristãos de seu reino adorassem o deus sol em outro dia. Segundo a bíblia existe o 1º. 2º, 3º até o sexto dia, o sábado é o dia santo bíblico, o que fez ele? Em vez de adorar a Deus no sábado, sétimo dia da semana, ele montou um esquema para que o sábado fosse substituído pelo primeiro dia, o domingo. Isso pode ser percebido claramente quando analisamos os dias da semana na língua inglesa. Domingo é, Sunday (dia do sol), e assim, ainda hoje, o cristianismo segue o esquema corrupto de Constantino. No século V a igreja através dos neoplatônicos consegue chegar ao poder, passando de Roma pagã à Roma cristã. Isso significa que os filósofos neoplatônicos e os maniqueístas, na pessoa do filósofo Agostinho, assumiram o poder político e religioso e uma nova estratégia é montada para acabar com a influência dos escritos bíblicos. Ficando assim: Constantino estabeleceu o domingo como dia santo e os filósofos fizeram da filosofia de Platão uma nova doutrina cristã espírita (a teologia da reencarnação e da imortalidade da alma pregada pelo catolicismo e espíritas é a filosofia do mundo das ideias de Platão introduzida no cristianismo pelos neoplatônicos que assumiram o poder). Os filósofos sabem do poder do conhecimento, por isso, proibiu educação para o povo, sabiam eles que era uma questão de tempo, e a ignorância do povo os manteriam no poder eternamente. Por isso, na Idade Média, Educação era somente aos interessados em fazer carreira eclesiástica e aos ricos nobres; assim, por mil anos esse período foi mergulhado em trevas, isto é, o conhecimento foi proibido em todo o território sob seu poder. Você não vê futuro em estudar e nem gosta de ler, isto se dá por causa da influência dessa estratégia medieval. O Brasil é o país que mais sofre desse mal medieval, nossos políticos e religiosos, de mãos dadas, ainda mantém essa cultura de que educação de qualidade é para quem têm o domínio político-religioso e aos ricos. Aos trabalhadores de modo geral que queiram estudar, submetam-se à má educação oferecida pelo poder público que, sob o paradigma da Progressão Continuada certifica a ignorância dos jovens emitindo diplomas sem que o estudante saiba o suficiente para ser promovido. Caso algum pobre queira educação de qualidade têm que pagar às instituições privadas que geralmente estão ligadas às instituições religiosas. Então, se há alguém responsável pelas barbaridades que assolam os brasileiros são esses corruptos religiosos e políticos que lucram com a desgraça e escravidão dos pobres; mas a maldade que eles causam dificultando a educação de qualidade para todos, está atingindo a todos, independentemente de classes sociais, pois, todo jovem contemporâneo quer gozar das riquezas do país que embala os capitalistas, como lhes é negado esse direito à educação de qualidade, só lhes resta roubar, matar, traficar e outras possíveis barbaridades a quem quer que seja; pois, entendem eles, que religiosos e políticos embora prometam bens temporais e eternos, na práticas são verdadeiros mentirosos enganadores como qualquer outro que caminha pela ilegalidade.

Filósofo Isaías Correia Ribas     

    

domingo, 27 de julho de 2014

FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA


     A filosofia contemporânea é o ápice das pretensões filosóficas Pré-Socrática. Para os Pré-Socráticos, Deus e os deuses mitológicos não eram fundamentos para o conhecimento antropocêntrico. Os primeiros filósofos surgiram com a pretensão de fundar outro conhecimento sem depender dos contos míticos e das proposições elaboradas a partir das revelações e histórias que compunha os escritos bíblicos. Pois, desde aqueles idos os filósofos não viam fundamento algum na metafísica. Logo, deduz-se que os filósofos pensam a partir do que pode ser comprovado empiricamente ou que seja passível de análise lógica. Os Pré-Socráticos dependiam apenas dos sentidos para analisar a natureza e o cosmo, isto é, eles não dispunham de nenhum instrumento técnico para auxiliar os sentidos. O espírito que movia os objetivos dos primeiros filósofos fundava-se no ceticismo ateísta como se encontra nos atuais cientistas e filósofos contemporâneos. Muitas hipóteses foram levantadas para questionar a mitologia e os escritos bíblicos, porém, os filósofos da natureza que iniciavam seus questionamentos à metafísica não foram capazes de concluírem seus estudos afirmando ou negando os fundamentos da metafísica e nem mesmo com relação às suas pretensões hipotéticas científico-filosóficas. Por aproximadamente dois séculos eles buscaram concluir seus estudos e definir sobre suas hipóteses. Suas conclusões foram: tudo o que existe e subsiste não depende de nenhuma força exterior, de Deus ou dos deuses, deduzindo que o movimento (devir) natural é a causa de tudo. Porém, essa conclusão não convenceu as sociedades existentes naqueles idos e nem mesmo os filósofos. O certo é que a dúvida epistemológica fora lançada e a discussão estava aberta a metafísicos e céticos, e, após quase três mil anos de discussão chegou-se ao século XIX, renascendo o mesmo espírito Pré-Socrático com um discurso melhor elaborado para negar todas as pretensões metafísicas já existentes. Para os filósofos que compõe o Círculo de Viena e outros sem estar ligado formalmente à nenhuma escola filosófica (de Baden e Marburg), são unânimes em afirmar que as proposições metafísicas, embora tenham sentido, não oferecem condições a posteriori¹ para definir seu valor de verdade, no caso, Deus, alma e o mundo. Logo, deduzem eles ser um absurdo debruçar sob esses pseudoproblemas que não tem nenhum valor útil à vida mundana. Porém, há filósofos que discordam dessa conclusão do Círculo de Viena e dos “acadêmicos de menor expressão pública”.
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¹ a posteriori significa após a experiência empírica.
História da filosofia
     Os períodos filosóficos podem ser marcados a partir dos eventos históricos, ou dos próprios problemas filosóficos. Para entendermos as pretensões filosóficas o melhor método é analisar os problemas relacionados à filosofia desconectada da história.
     Após o período Pré-socrático ou naturalista, os filósofos perceberam que não era tarefa fácil questionar a metafísica, principalmente as relacionadas aos escritos bíblicos, então, concluíram, se não podemos destruí-los pelo confronto direto, “unamo-nos a eles”, corrompendo por dentro seus valores morais, sua fé e crenças e, se possível for, a existência do próprio Deus. Por isso os estudiosos preferem analisar a filosofia a partir de seus problemas: Metafísico, Epistemológico e Semântico-Hermenêutico. Equivocadamente ou de propósito, inclui-se o período Pré-socrático no Metafísico.
Período metafísico
     Época antiga, medieval e início da moderna. Grandes nomes desse período: Platão, Aristóteles, Sto Tomás e Descartes. Disciplina chave: metafísica (Ontologia), conceito chave: Ser.
Neste primeiro momento o pensamento está dirigido ao “mundo”, se o homem está incluso nesse mundo não tem importância. Os filósofos perguntam o que há e o que não há, ou que tipo de coisas (substância) existem e a partir das quais o mundo se compõe. A disciplina fundamental neste período é a metafísica e o conceito base é o ser. Os nomes representativos deste momento são Platão, Aristóteles, Tomás de Aquino etc.
     O discurso deste período é sobre objetos, mas não o único possível, é que se trata, sobre objetos de um tipo particular (os suprassensíveis ou não empíricos).
Desde de sempre a filosofia se perguntou não apenas o que é, mas o que deve ser, não apenas pelos princípios do ser, mas também da ação, ou mais especificamente, quais os critérios para diferenciar quando ajo bem e quando ajo mal. A disciplina filosófica que se ocupa desta questão é a ética. Neste período a fundamentação da ética está imbricada com a metafísica. Aquilo que devo ou não fazer depende daquilo que é (por exemplo, o como devo me ocupar é estabelecido por Deus). (PORTA, p. 159 e 160)
Período epistemológico transcendental
     Época moderna. Grandes nomes: (Descartes) e Kant. Disciplina chave: Epistemologia (teoria transcendental). Conceitos chaves: Verdade, Objetividade e validez.
Neste período em vez de perguntar pelo “ser”, a filosofia passa a perguntar pelo conhecimento. A epistemologia torna-se a disciplina fundamental e a verdade é o conceito chave. Esta virada, característica da modernidade, começa com Descartes e culmina com Kant, com quem adquire sua forma mais pura. Com Descartes, apesar de toda “subjetividade”, Deus desempenhava um papel essencial na fundamentação do conhecimento. Em Kant o conhecimento não será fundamentado em Deus, mas em si próprio.
     No período epistemológico o discurso dos filósofos deixa de ser sobre objetos, passando a ser um discurso sobre o conhecimento dos objetos. A pergunta já não é mais com respeito ao que há, mas ao saber do que há: se posso conhecer o que há, dentro de que limites, de que forma, sob quais fundamentos (a experiência ou uma fonte não empírica, a razão, a intuição pura, etc.), o que é e como chegar à verdade etc.?
     A mudança do discurso sobre o que há, para se posso conhecer o que há é uma mudança lógica. Pois, “antes” de nos perguntarmos sobre o que há, devemos nos perguntar se podemos conhecer o que há¹.
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¹ Este “antes” não é temporal, mas lógico.
     A mudança que ocorreu no nível teórico da metafísica à epistemologia, deu-se também no nível prático, na relação entre metafísica e ética: a ética deixa de fundar-se em Deus e passa a fundar-se na razão.
E o discurso transcendental procura fundamentar suas aspirações com validez universal, seja no conhecimento, seja na ética, seja com respeito à verdade do que é, seja com respeito à legitimidade do que deve ser. Logo, a filosofia não é mais um discurso sobre objetos, como no período anterior, mas sobre a “objetividade”, ou seja, sobre as condições de possibilidade do “objeto”. (Ibid, p.162)
Período semântico-hermenêutico
     Época contemporânea. Grandes nomes: Husserl, Dilthey, Heidegger, Frege, Wittgentein. Disciplinas chaves: Teoria da significação, Fenomenologia, Hermenêutica, Semântica (análise lógica da linguagem). Conceitos chaves: Significado Semântica: análise lógica da linguagem.
     Estamos na filosofia contemporânea, segunda metade do século XIX e início do século XX. O período contemporâneo é marcado pela divisão entre “analíticos” e “continentais”; a filosofia analítica surgiu na Inglaterra marcada pela reação ao idealismo hegeliano, em sua versão britânica pelas mãos de Husell e Moore, ao incorporarem à sua reflexão aos avanços lógicos realizados por Frege. Os “continentais” tratam sobre hermenêutica e fenomenologia que seria uma criação extemporânea de Husserl, motivadas pelas reflexões brentanianas sobre intencionalidade e pela crítica de Frege ao psicologismo de sua primeira obra sobre os fundamentos da matemática. Definir com clareza o que é filosofia contemporânea como nos períodos anteriores ainda está na ordem do dia. Os românticos da filosofia interpretam a filosofia do século XIX como uma superação heroica dos impasses do iluminismo de Kant, feita através de alguns nomes isolados como Nietzsche, Marx e Kierkegaard. Porém, ela é equivocada tanto como história quanto filosofia, ou, simplesmente, como história da filosofia. Os problemas fundamentais permanecem nesse modelo em última instância não respondidos; quando surgem as questões, o que caracteriza a filosofia contemporânea? Ou, ainda, quando e por que “termina” o período epistemológico? (PORTA p.159)
Pensadores contemporâneo
     São muitos os pensadores contemporâneos preocupados em definir com clareza o que é filosofia contemporânea, autores como Stuart Mill, Bolzano, Herbart, Trendelenburg, Lotze, Brentano, Marty, Stumpf, Fischer, Dilthey, Schleiermacher, Cohen, Natorp, Windelband e Rickert. Os membros do Círculo de Viena são: Schlick, Carnap, Neurath, etc. (AMARAL, Lucas Alessandro Duarte. Prof. Me. Aula I: A filosofia contemporânea do ponto de vista da história da filosofia).
Filosofia contemporânea e Nietzsche     
     A filosofia contemporânea ao criticar a metafísica faz renascer o espirito dos Pré-Socráticos, isto é, o racionalismo tenta outra vez, explicitamente se levantar contra a epistemologia criacionista, negando que existe um Deus Criador balizador da moral e da ética. Desta vez, o aparato epistemológico, científico e lógico existente para negar toda metafísica contemporânea, não se compara aos dos filósofos da natureza que não tinham nem se quer uma luneta para aponta-la para o universo cósmico ajudando-os em suas deduções. 
     Friedrich Nietzsche (1844-1900), adepto da filosofia do pré-socrático Heráclito, embora “não reconhecido como acadêmico engajado”, é o instigador desse “novo” espírito. Se a filosofia contemporânea é semântica, isto é, busca negar a metafísica pelo uso da linguagem é graças ao sucesso de Nietzsche como filólogo. Nos dois primeiros séculos do espírito filosófico, os Pré-Socráticos não deram conta de anular Deus do consciente da humanidade, forçando assim, os filósofos clássicos voltarem a valorizar a metafísica.
     A filosofia contemporânea em sua crítica à impossibilidade da existência de um Deus criador está mudando o comportamento da atual sociedade, pois, sem Deus e as tradições dos bons costumes, a razão pura aliada aos desejos e paixões é barbárie. Se o comportamento da atual sociedade mundial está mudando para pior não é sem causa. Pois, o super-homem de Nietzsche é aquele que valoriza este mundo com todas as suas pulsões em detrimento da moral, do Cristo crucificado, do amor fraterno, do socialismo comunista, da democracia, da negação do Velho Testamento e da vida eterna segundo ensina a bíblia. Mas quem são e onde estão estes super-homens que vivem além do “bem do mal”? Eles estão em todas as instâncias influenciando a sociedade agir como se no mundo não existisse nada superior a eles. No caso, o Deus bíblico (o bem) fundador da moral e da ética que eleva o ser humano. E, antagonizando a Deus, temos Satanás (o mal), “a vontade de potência, causa da transvaloração de todos os valores¹”, que age nesses “super-homens nietzschianos” levando-os contra tudo o que é bom e nobre segundo os princípios bíblicos e os bons costumes. São eles: Políticos, artistas, escritores, filósofos, teólogos, cientistas, universidades seculares e cristãs, empresários, apresentadores de televisão, narcotraficantes, etc., são alguns exemplos de super-homens que negam os princípios bíblicos em nome da fama e pelo desenvolvimento de todas as paixões e sentimentos vis na sociedade, esta, que é educada a valorizar o espírito de rebanho, como se o mundo estivesse naturalmente condenado às barbaridades infames. Por influência desses “super-homens” a criminalidade, a maldade, o homossexualismo, o engano, a promiscuidade, a corrupção política, a ganância capitalista, as falsas crenças em falsos deuses, a pedofilia, a dúvida quanto a veracidade bíblica, a exploração do outro e as guerras são exemplos clássicos contemporâneos que assola tudo e a todos.
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¹ Novos valores significam, também, um novo olhar filosófico, científico e, por que não? Religioso. Religião não mais como fuga deste mundo, não mais como niilismo, o nirvana do budismo, mas como encontro do homem consigo mesmo em sua integralidade. Religião como sentido até diante do sem sentido, isto é, um mundo sem sentido não mais com empecilho para viver intensamente esta vida. Pelo contrário, valerá como estímulo para um “a mais” de vida. (SOUSA, p. 285)
Além do bem e do mal em Nietzsche
     Para Nietzsche, o bem e o mal são frutos da imaginação dos religiosos ocidentais que quer dominar e explorar o outro através do medo de pecar e consequentemente perder o paraíso e a vida eterna. Segundo Nietzsche a verdadeira religião é o Budismo que ensina as pessoas a buscar as respostas à todas as suas indagações em si próprio, sem nenhuma influência externa, pois, no interior de cada um estão as respostas aos problemas que os incomodam².
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² O budismo não promete, mas cumpre, o cristianismo promete tudo, mas não cumpre nada. (NIETZSCHE, p. 352)
     Nietzsche desconsidera toda história narrada nas páginas da bíblia, ele se acha o único digno de crédito, o sábio de todos os tempos, a verdade em pessoa, segundo a bíblia, Satanás tinha o mesmo espírito. Mas, como qualquer outro filósofo, não declara qual o fundamento de tudo, deduzindo que a ‘coisa em si’ é o Deus ordenador de tudo³ (Nietzsche é contraditório). Respondendo a comparação entre budismo e cristianismo: Quem não promete, mas cumpre, fácil, se não prometo, nada tem-se a cumprir.
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³ Como poderia algo nascer de seu oposto? Por exemplo, a verdade, do erro? Ou a vontade de verdade, da vontade de engano? Ou a ação não-egoísta do egoísmo? Ou a pura, solar contemplação do sábio, da concupiscência? Tal gênese é impossível: quem sonha com ela é um parvo, e mesmo pior que isso: as coisas de supremo valor têm uma outra origem, uma origem própria __ desse mundo perecível, aliciante, enganoso, mesquinho, desse emaranhado de ilusão e apetites é impossível deduzi-las! Pelo contrário, é no seio do ser, no imperecível, no Deus escondido, na ‘coisa em si’ __ é ali que tem de estar seu fundamento, ou em nenhuma outra parte. [...] (NIETZSCHE p. 269) 
     Triste é perceber que até mesmo entre aqueles que se dizem detentores das verdades bíblicas há os “pequenos super-homens” imitadores dos costumes mundanos como se Deus precisasse de dar as mãos ao Diabo para terminar sua obra na Terra. São esses os que mantém o espírito desafiador de Eva e Caim nos dias atuais, o assim diz o Senhor para eles é insignificante, e, o mais grave é que eles vivem do evangelho para negar o poder do próprio evangelho. Mas diz a bíblia a esses no Apocalipse: “sois pobres, miseráveis, cegos e nus”. O Espírito de Profecia os repreende: “pensam ser guiados pelo Espírito de Deus, estão na verdade seguindo uma imaginação trabalhada por Satanás”. (WHITE) p. 98)
     No século IV a. C. a filosofia clássica recorreu à metafísica para redirecionar as frustrações do racionalismo dos primeiros filósofos. Que farão os filósofos contemporâneos para redirecionar a barbárie anunciada pelo puro racionalismo que assola todos os princípios que foram fundamentados nos princípios universais contidos na bíblia e nos bons costumes sociais? Ou vamos, de braços cruzados, esperar para ver as últimas consequências do puro racionalismo? Não será essas barbáries o início do apocalipse que culminará com a intervenção de Deus nos negócios da humanidade? Para Nietzsche, toda arquitetura científica-política-filosófica-religiosa contemporânea, reconhecida como verdade universal e regional, é uma grande mentira. O maior argumento de uma pessoa de fé contra o racionalismo em defesa das proposições bíblicas e do Espírito de Profecia é viver segundo a luz desses escritos. Embora, filosoficamente falando, as vivências pessoais não sejam fundamentos para o conhecimento. Porém, é possível defender as proposições bíblicas e do Espírito de Profecia à luz da epistemologia filosófica-política-científica-religiosa contemporânea independentemente de minhas vivências e fé. (Grifo do autor)
Círculo de Viena
     É uma associação fundada na década de vinte por um grupo de lógicos e filósofos da ciência, tendo por objetivo fundamental chegar a uma unificação do saber científico pela eliminação dos conceitos vazios de sentido e dos pseudoproblemas da metafísica e pelo emprego do famoso critério da verificabilidade que distingue a ciência (cujas proposições são verificáveis) da metafísica (cujas proposições inverificáveis devem ser suspensas).     Ao recusar a introdução dos elementos sintéticos a priori do conhecimento, o Círculo, liderado por Rudolf Carnap, visando eliminar definitivamente a metafísica, prega que todos os enunciados científicos devem ser sempre a posteriori, pois não são outra coisa senão simples constatações, ou seja, enunciados protocolares, só tendo significado pelo conjunto lógico, isto é, pelos sistemas das transformações analíticas no qual se integram. Fica questionado, assim, o empreendimento de Kant.
    
Síntese das aulas do prof. Me. Lucas Alessandro Duarte Ama
     No Círculo de Viena há nomes como os de Ernst March, Richard Avenarius e moritz Schlick. Os dois primeiros não foram membros do grupo, mas algumas de suas ideias foram bem aceitas pelos demais membros.
__ Schlick caracterizou Mach e Avenarius como “positivistas da imanência”, (pois, diziam eles: os dados que estão no interior do ser e da natureza, dados imediatos, não devem ser ignorados), sendo que a função da ciência é a de trazer a luz a mais simples descrição da dependência mútua dos elementos qualitativos (sejam cores, odores, sons, etc.). No entanto, para Sclick, ambos estariam equivocados no seguinte aspecto: é errônea a posição que defende a física que trata somente das coisas reais que nos aparecem (daí porque do nome: ‘Positivista da imanência’). O que Schick quer dizer é: precisa-se admitir a existência de coisas e processos que não nos são dados. Enquanto que para Mach e Avenarius o que se encontrava em jogo era tão somente os dados sensíveis.
Paralelos e distanciamentos entre Kant e os empiristas modernos
     Para entendermos o empirismo moderno, precisa-se compreender a relação deste com a filosofia transcendental de Kant. Mesmo que aja uns cem números de distanciamento entre Kant e os empiristas, há ao menos um ponto de convergência entre eles (a coisa em si não é possível conhece-la). Igualmente, aos empiristas modernos, afirmava Kant, é possível o conhecimento daqueles assuntos pretendidos pela metafísica especial como: Deus, alma e Mundo.
Se o anterior representa alguma semelhança, para o Círculo de Viena, as diferenças que podem-se mencionar de início se concentra em um tipo de juízo que para Kant é fundamental e para os membros do círculo é simplesmente rejeitado. Trata-se da classe correspondente aos juízos sintéticos a priori.
Para Kant, todas as ciências (e ele tem em mente especificamente a física, a matemática e, eventualmente, a metafísica) são possuidoras desses tipos de juízos, os sintéticos a priori; ou seja, juízos que nos proporcionam conhecimento novo (acumulativo) e que são universais e necessários. Nesse sentido, toda ciência, e até mesmo uma ciência empírica, repousa sobre um fundamento sintético a priori. Lembremo-nos que isso faz sentido para Kant porque ele tinha em mente o conceito de ciência clássica, (que ciência é conhecimento universal e necessário). Por isso, até Kant, é legítimo admitir se há conhecimento a priori na metafísica e, caso haja, qual o fundamento (ou, em termos aristotélicos: ‘como há’) da sua validade.
Mas os empiristas modernos nem se quer discutiram com Kant se estava certo ou não suas colocações, simplesmente recusaram o ponto de partida de suas reflexões ao dizer, não existe juízos sintéticos a priori. Mais uma vez lembremo-nos que os modernos julgavam ser ‘metafísica’ toda doutrina que pretenda fazer quaisquer afirmações sobre a realidade sem o recurso da experiência¹.
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¹ Kant deve ser lembrado na história da filosofia que ainda está por vir. Filósofos clássicos são aqueles que mudam a maneira de pensar de uma época e Kant, sem a menor dúvida, foi um desses.
     Assim, para os empiristas modernos nem a matemática e nem nas ciências naturais encontramos sentenças do tipo ‘sintéticas a priori’ ².
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² Lembrando que para Kant o termo a priori possui duas acepções, são elas, (1) não-empírico e (2), universal e necessário.
Matemática
     A matemática, diriam eles, é fundamentada na lógica. Porém, se retomarmos Kant essa foi justamente uma de suas mais conhecidas críticas a Leibniz (contra a tese de que a matemática é uma disciplina analítica e, portanto, fundamentada na lógica).
Ciências naturais
     Para Kant, todas as ciências naturais necessitam de fundamentos sintéticos a priori. Isso, aos olhos dos empiristas repousa sobre um falso pressuposto, pois, nem para a formação de conceitos das ciências empíricas, nem para o problema da confirmação de teorias empíricas é preciso recorrer a pressupostos apriorísticos dos tipos que Kant aceita³.
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³ Como por exemplo as intuições puras de espaço e tempo, ou as categorias do entendimento (p. ex. a unidade)
     Assim, a tentativa de Kant de resgatar algum tipo de metafísica ao dizer que para fazer uma ‘boa’ metafísica é preciso que se cumpram as exigências por ele imposta (como está nos prolegômenos), aos olhos dos empiristas não se trata de possível e que se quer tem algum futuro.
Então, em vista de que não há sentença sintética a priori, a pergunta central da epistemologia kantiana, sobre se tais sentenças existam e qual o fundamento de sua validade, carece de sentido; em virtude disso, não faz sentido elaborar toda uma teoria sob os moldes de Kant.
Sendo assim, Schlick coloca novamente em cheque o problema que Kant acreditava ter superado: o problema da coisa-em-si.
Os fenômenos
     Para Kant, o único conhecimento possível aos seres finitos, se restringe aos fenômenos, ou, conhecemos somente o modo como as coisas nos aparece. Simplificando, para ele, os fenômenos, sejam os da experiência interna ou externa, são representações dadas no espaço e no tempo, e no limite do tempo. Logo, para Kant, aquilo que podemos conhecer enquanto sujeitos cognoscíveis é apenas o modo através do qual ele nos aparece, não o que aparece. Para ele, o que é meramente pensável não é conhecimento, mas, mera ilusão; e esse fora o erro de muitos filósofos e escolas filosóficas. Assim sendo, quando o filósofo restringe o conhecimento ao âmbito dos fenômenos não há pretensão de se conhecer assuntos como Deus, Alma e mundo, todos esses, sabidamente, pretendidos pela metafísica.
Porém, para Schlick, contrariando toda tradição, a relação de conhecimento não se trata tão só de uma relação entre sujeito e objeto, e sim, de uma relação de três elementos: (1) sujeito; (2) objeto; (3) aquilo que é objeto tal como reconhecido pelo sujeito. Logo, schlick admite a existência de coisas e processos que não nos são dados. Nesse sentido, não haveria problema em se falar de uma coisa-em-si.
Schlick X Kant
     Para Schlick, a pergunta kantiana sobre a possibilidade de conhecimento dos fenômenos e das coisas-em-si não passava de um pseudoproblema, uma vez que ao existir uma correspondência unívoca entre o fenômeno e a coisa-em-si, por exemplo: a cadeira enquanto fenômeno e a cadeira enquanto coisa-em-si.¹ Se é assim, não há problemas, pois ambos são a mesma coisa.
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¹ Para Kant, para todo fenômeno há uma coisa em si que o corresponde.
Schlick, na contramão de Kant, sustenta que o conhecimento do mundo fenomênico acarretaria no conhecimento da coisa em si, ainda que nos sejam dados, de maneira imediata, somente objetos do mundo fenomênico.
Assim sendo, a posição kantiana no que tange a questão daquilo que conhecemos, que repousa na associação do conceito de conhecimento ao conceito de dado intuitivo, para Schlick, tal associação é falsa.
O propósito do radicalismo de Schlick
     Até mesmo no âmbito científico assumimos certos dados que a experiência não é capaz de explicar suficientemente. Por exemplo: (para cada eleito obtido há uma causa para o mesmo). Pois, para se elaborar as leis da física, tem-se que admitir outras coisas que a experiência sensível não nos dá.
Essa visão realista é extremamente razoável e radical. Enquanto muitos defendiam a tese de que o único fundamento das coisas são os dados sensíveis, para Schlick temos que assumir, na ciência inclusive, certas coisas que não nos são dadas empiricamente. Logo, para Schlick, enquanto filósofo, o passo importante que é preciso ser dado, é distinguir rigorosamente o conceito de conhecimento, daquele de vivência e intuição; pois, conhecer não é intuir.
- Para Sclick, o conhecimento existe quando reconhecemos algo qualquer e encontramos nele certas características correspondente nesse algo. No conhecimento científico ocorre algo parecido: quando um físico reconhece o calor, o que ele faz é reconhecer nele características do movimento molecular próprias do calor. E como ele faz isso? Na medida em que se esclareça de modo claro, adequado e econômico a função dos conceitos científicos. Assim, a diferença entre conceitos científicos e das vagas representações cotidianas se dá pela exatidão e precisão dos conceitos científicos. Logo, a essência dos conceitos científicos consiste em serem eles signos unívocos de objetos. Também, a noção de verdade deve ser reduzida ao conceito de associação unívoca, isto é, os juízos são verdadeiros quando são univocamente associados a fatos, caso contrário, são falsos. No entanto, um sistema de sentenças verdadeiras ainda não é conhecimento científico.
- Para a ciência, não basta apenas o método empírico, é preciso também a comunicação precisa através de conceitos intersubjetivamente inteligíveis. Ela existe na medida em que a discussão é possível, e só pode haver discussão entre mim e outra pessoa na medida em que somos capazes de esclarecer, com suficiente exatidão, o significado das expressões que usamos. Assim, para o moderno empirismo, a filosofia metafísica não fracassa apenas em virtude da falta de comprovação empírica das sentenças por ele expressada, mas fracassa também em virtude da insolubilidade do problema referente à comunicação, relativa, particularmente, aos conceitos metafísicos.
- Para Wittgenstein, os problemas filosóficos, sejam eles quais forem, repousam, em última análise, no mau uso da linguagem. Carnap, foi outro que buscou a solução do problema linguístico criando um sistema de linguagem formalizado para substituir a linguagem cotidiana, sua obra: Construção lógica do mundo (1928)
- Dada a forte atitude científica, os empiristas modernos insistem em uma distinção clara entre ciência de um lado, e a arte e a religião, de outro.
- Em cada um desses dois âmbitos existem características próprias em cada um deles. No âmbito da arte e da religião, a noção de vivência desempenha um papel fundamental; já no âmbito da ciência, esse mesmo conceito pouco ou nada importa.
- Em boa medida por isso, os empiristas modernos insistiram em distinguir os seguintes conceitos:
(I) conhecimento (algo intersubjetivamente válido);
(II) vivência (algo particular que, por definição, não é intersubjetivamente válido).
Reflexão sobre o conhecimento e Deus
     Todos os métodos empíricos, lógicos, epistemológicos, filosóficos (metafísica, epistemologia e linguística/semântica) são convenções da razão. Assim sendo, as invenções antropocêntricas não são autossuficientes para afirmar ou negar a existência de Deus. Os que insistem, achando que esses métodos estão além do bem e do mal, enganam a si mesmos. Isto é, a razão trabalha contra si mesma. Logo, tal metodologia não está à altura de asserir ou negar a existência de Deus, ou seja, são apenas estratégias filosóficas e científicas fundamentadas na razão para enganar a própria razão, ou seja, a humanidade cética e, se possível, aqueles que têm fé.  A grande questão é: quem ou o quê, além de Deus, provocou no homem a busca por uma nova epistemologia lógica, empirista e semântica/analítica? Se prestarmos atenção na história da filosofia e seus problemas, perceberemos que Deus como criador e mantenedor do universo segundo ensina a bíblia por meio da história de Israel, do nascimento de Cristo e de seu evangelho, é O grande instigador de todo saber; seja quando o homem tenta provar a existência de Deus por meios lógicos, ou negando-O pelo método empírico, ou ainda, pela filosofia semântica; alegando que as proposições metafísicas, são carentes de sentido, e, como tais, são apenas pseudoproblemas, por isso, devem ser ignoradas. Assim sendo, parafraseando o apóstolo Paulo, Deus não se deixa escarnecer e nem que seus fiéis seguidores sejam enganados pelas vãs filosofias. (Grifo do autor)

Filósofo Isaías Correia Ribas

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
NIETZSCHE, Wilhelm Friedrich. OS PENSADORES. Ed. Abril Cultural. São Paulo – SP, 1978
PORTA, Mario Ariel Gonzáles. A FILOSOFIA A PARTIR DE SEUS PROBLEMAS. Ed. Loyola. São Paulo – SP, 2002
SOUSA, Mauro Araújo. NIETZSCHE ASCETA. Ed. UNIJUÍ. Ijuí – RS, 2009
WHITE, Ellen Golden. MENSAGEM ESCOLHIDA – II. Ed. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – SP, 1986