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domingo, 20 de abril de 2014

FILOSOFIA: CÍRCULO FECHADO EM SI MESMO


     Além da definição clássica, amor ao conhecimento, filosofia é sistematização do antropocentrismo. Para que o idealismo filosófico desse certo, por princípio, tudo que fosse de outra origem epistemológica teria que ser descartada como verdade ou validade filosófica. Isto é, qualquer argumentação e fundamentação teria que ser filosófica, se assim não for não serve como filosofia e nem como crítica à filosofia. Essa estratégia era necessária porque a filosofia nascera para impor novo conhecimento à humanidade, para tanto, a verdade e/ou validade teria que estar fechada em um só idealismo. Isso era necessário porque a epistemologia teocêntrica e mitológica que sustentava todo discurso até o nascimento da filosofia teria que ser inutilizado. Passados dois séculos após o nascimento do antropocentrismo filosófico, isto é, após os Pré-Socráticos, os filósofos clássicos, perceberam que a mitologia já era criação antropocêntrica, frutos das inspirações dos antigos poetas, assim, decidiram continuar fazendo uso dos mitos para ilustrar alguma possível verdade filosófica. Sobrou como oposição ao discurso filosófico a fé dos judeus que acreditavam na existência de um Deus criador e mantenedor de todo o universo segundo os relatos bíblicos, e assim, até hoje, a filosofia continua com seu idealismo primeiro: anular a fé no Deus bíblico em nome da razão, ou do racionalismo-antropocêntrico.
Filosofia após Jesus:
     Nos seis primeiros séculos que antecederam o nascimento do prometido salvador Jesus Cristo, segundo as profecias bíblicas, o discurso filosófico conseguiu impor-se à fé dos judeus ofuscando sua esperança a tal ponto que os judeus preferisse um líder que os libertassem do jugo romano, que um salvador que morresse pelos seus pecados; por isso, em comum acordo com os líderes romanos consentiram matar o Filho de Deus segundo profetizara Isaías e outros profetas. A partir desses acontecimentos históricos a filosofia se viu vitoriosa por conseguir de algum modo frustrar a fé dos judeus e de outros que aguardavam o Salvador. Era a razão se impondo e anulando a fé. Com a morte de Cristo, Sua ressurreição e volta ao céu a história política, as estratégias filosóficas e religiosa tiveram que mudar de perspectiva, pois algo muito significativo acontecera que as coisas não podiam mais continuar como era antes. Um novo espírito religioso surgiu na história, em consequência, a política teve que ter novas atitudes em frente ao movimento religioso que nascera, e os filósofos, como idealistas de uma nova epistemologia, tiveram que fazer alguma coisa junto aos políticos para minar a força religiosa que surgira com a presença do filho de Deus neste planeta.
Posição política:
     Roma Pagã continuou com o mesmo espírito que tivera para com o filho de Deus: matar quem quer que fosse que não andasse segundo as leis romanas. Foi esta a posição de Roma, matar os seguidores de Cristo. Os cristãos tinham que fugir constantemente, pois, se pegos, eram jogados aos leões e outras feras, servindo como espetáculo nas arenas aos romanos. Todos os discípulos foram mortos pela política romana, se não me engano, apenas João que escreveu o Apocalipse, apesar de ser jogado dentro de um tambor de óleo fervendo, mas saindo ileso foi deportado para ilha de Patmos, onde escreveu o Apocalipse, lembro-me ter lido que ele saiu da ilha, mas não sei como foi que ele morreu; todos os conversos que eram capturados tinham a mesma sorte, a morte. Essa perseguição durou enquanto Roma Pagã governava o mundo de então. Mais ou menos trezentos anos após o assassinato de Cristo.
Estratégia filosófica:
     Várias escolas filosóficas com diferentes filosofias de vida influenciava aquela sociedade. Para a filosofia, o ideal de homem-cidadão segundo os atenienses já não fazia mais parte de seus discursos, predominava, independente da escola, o ideal de indivíduo-cidadão. Paralelo a essas escolas, a filosofia de Platão, especialmente o “mundo das ideias”, estava passando por uma readaptação, isto é, sua filosofia estava tomando o status de teologia, com essa estratégia, os filósofos vestiram-se de religiosos e dominaram o discurso cristão. Assim ficou fácil, para eles adulterar os escritos bíblicos, redirecionado a fé do povo a qualquer outra coisa que não fosse o Deus bíblico que enviara Seu filho para salvar aqueles que O aceitasse como seu Salvador.
O judeu Filon, que nasceu em Alexandria entre 10 e 15 a. C., desenvolvendo suas atividades na primeira metade do século I d. C., pode ser considerado o precursor dos padres, pelo menos em certa medida. Dentre suas numerosas obras, destaca-se a série de tratados que constituem um comentário alegórico do Pentateuco (devemos recordar, sobretudo, A criação do mundo, As alegorias das leis, O herdeiro das coisas divinas, A migração de Abraão e a mutação dos nomes, que estão entre os mais belos).
O mérito histórico de Filon está em ter tentado pela primeira vez na história uma fusão entre filosofia grega e teologia mosaica, criando uma “filosofia mosaica”. O método com qual Filon operou a mediação foi o da “alegorese”. Ele sustenta que a bíblia tem a) um significado literal, que, no entanto, não é o mais importante, e b) um significado oculto segundo o qual os personagens e eventos bíblicos são símbolos de conceitos de verdades morais, espirituais e metafísicas. Essas verdades subjacentes (que se colocam em diferentes níveis) requerem particular disposição de espírito (quando não, até mesmo, a verdadeira inspiração) para que se possa captá-las. A interpretação alegórica iria alcançar grande êxito, tornando-se um verdadeiro método de leitura da bíblia para a maioria dos padres da igreja e transformando-se assim por longo tempo numa constante na história da patrística. (REALE/ANTISERI, p. 402)
     Outro filósofo que se tornara cristão foi Aurélio Agostinho (354-430) de Tagasta, pequena cidade da Numídia, Africa. Aurélio Agostinho, após sua conversão tornou-se Santo Agostinho; antes de se converter era maniqueísta. Segundo os maniqueístas, encontram-se no mundo duas forças: a do bem ou da luz, e a do mal, ou da escuridão, consideradas princípios absolutos, em permanente e eterno confronto.
Para os maniqueístas Cristo foi revestido somente de carne aparente e, portanto, também foram aparentes a sua morte e ressurreição. Moisés não foi inspirado por Deus, sendo um dos príncipes das trevas, razão pela qual se devia rejeitar o antigo testamento. A promessa do Espírito Santo feita por Cristo ter-se-ia realizado em Mani (fundador do maniqueísmo). Em seu dualismo extremo, os maniqueístas chegavam até a não atribuir o pecado ao livre-arbítrio do homem, mas sim ao princípio universal do mal que atua também em nós. (REALE/ANTISERI, p. 430)
     O catolicismo cristão defende que Santo Agostinho, principal padre filósofo da patrística, abandonou a filosofia maniqueísta, sua postura diante dos escritos bíblicos nega esse discurso da igreja. Pois, o principal ataque da igreja é contra os escritos de Moisés, principalmente aos dez mandamentos da lei de Deus escritos por Ele no monte Sinai e dado a Moisés que o levaria à humanidade através da nação de Israel.
Citarei os dez mandamentos segundo a bíblia e segundo o catolicismo para que o leitor tenha consciência das alterações feitas, e reflita sobre quem seguir: se os filósofos trajados de religiosos e políticos, ou, o que Deus revelara através de seus profetas:
Dez mandamentos segundo a bíblia:
1° - Não terás outros deuses diante de mim.
2° - Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que vizito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira geração e quarta geração daqueles que me odeiam, e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos.
3° - Não tomarás o nome do senhor teu Deus em vão; porque o senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão.
4° - Lembra-te do dia do sábado para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e no sétimo dia descansou; por isso o senhor abençoou o dia do sábado e o santificou.
5° - Honra o teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o senhor teu Deus te dá.
6° - Não matarás.
7° - Não adulterarás.
8° - Não furtarás.
9° - Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
10° - Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. (Êxodo 20: 3-17)
Dez mandamentos segundo o catecismo católico:
1° - Amar a Deus sobre todas as coisas
2° - Não tomar o seu santo nome em vão
3° - Guardar domingos e festas
4° - Honrar pai e mãe
5° - Não matar
6° - Não pecar contra a castidade
7° - Não furtar
8° - Não levantar falso testemunho
9° - Não desejar a mulher do próximo
10° - Não cobiçar as coisas alheias.
(Princípios, p. 217)

As alterações feitas demonstram que o catolicismo filosófico continua com o mesmo ideal da filosofia grega: eliminar do consciente da humanidade a existência de um Deus criador e mantenedor do universo segundo ensina a bíblia. O quarto mandamento que pede que os homens honrem e reconheçam a Deus cultuando-O no dia de sábado, foi mudado para guardar domingos e festas. Há outras mudanças que o amigo pode perceber facilmente, concluindo que, queiramos ou não, há neste mundo uma guerra entre o bem (Deus) e o mal (Satanás), e ambos estão interessados na humanidade, Deus quer salvar-nos através do sacrifício de Seu filho Jesus Cristo. E Satanás quer levar-nos juntamente com ele para a morte eterna, para isso usa de todos os meios epistemológicos e a própria ignorância para enganar o maior número possível de pessoas.
RETERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Bíblia.
PRINCÍPIOS DE VIDA. CASA PUBLICADORA BRASILEIRA. Tatuí, São Paulo, 1988.
REALE, Geovanni/ANTISERI, Dario. História da Filosofia. Antiguidade e Idade Média. V. I, Ed. Paulus. São Paulo, 8° edição 2003.
Filósofo Isaías Correia Ribas


segunda-feira, 14 de abril de 2014

CETICISMO E ECLETISMO, OS JUDEUS E JESUS CRISTO


CETICISMO
Pirro (365 – 270 a. C.), da cidade Élida, foi quem criou o novo verbo “cético”, dando condições a um novo modo de pensar e nova atitude espiritual aos ocidentais. Para os estoicos, a piedade, a compaixão e a misericórdia são paixões e por assim ser, os estoicos deve extirpá-las de si, como se lê neste testemunho: “A misericórdia é parte dos defeitos e vícios da alma: misericordioso é o homem estulto (bobo, besta) e leviano. (...) O sábio não se comove em favor de quem quer que seja; não condena ninguém por uma culpa cometida. Não é próprio dos fortes deixar-se vencer pelas imprecações e afastar-se da justa severidade”.
     Para Pirro tudo é apenas aparência. As coisas naturais são em si mesmas, indiferentes, incomensuráveis e indiscerníveis; e que, em “consequência disso”, os sentidos e opiniões não podem dizer nem o verdadeiro nem o falso. Em suma, são as coisas que, como se disse, tornam os sentidos e a razão incapazes de verdade e falsidade e não o contrário. Assim, Pirro negou o ser e os princípios do ser e resumiu tudo na aparência. Os céticos posteriores transformou o “fenômeno aparência” como sendo aparência de algo que está além do aparecer, uma “coisa em si”. Um fragmento de Timon nos revela que a posição de Pirro era mais complexa: “Ora, direi como me parece ser: que eterna é a natureza do divino e do bem, dos quais deriva para o homem a vida mais igual”. As coisas, segundo Pirro, acabam sendo mera aparência. Para Cícero (106-43 a. C.), político, filósofo e orador romano, Pirro e Ariston nunca foram céticos, mas sim os mais rigorosos dos estoicos. Além da posição de Cícero temos a posição de Enesídemo: “Um seguidor de Pirro, Numênio, tenha afirmado que Pirro ‘também dogmatizava”, ou seja, tinha “alguma certeza”. Pois, aqueles que se dizem céticos não devem emitir opiniões, abster-se de julgar, pois, opinar é julgar, logo, deve viver sem nenhuma inclinação, ou seja, não se deixar comover por algo, isto é, permanecer indiferente. Pirro foi estimado e honrado em sua terra a ponto de ser eleito sacerdote: e Tímon, seu principal discípulo chegou a contá-lo como “semelhante a um Deus”.
     Carnéades (III-II a. C.) foi maior representante da academia cética, segundo ele, não existe nenhum critério de verdade. Carnéades opôs-se não só aos estoicos, mas a todos os filósofos que o precederam dizendo que todas as coisas nos enganam. Só que essa de que todas as coisas nos enganam já era uma máxima filosófica. Faltando um critério absoluto e geral de verdade, desaparece também toda possibilidade de encontrar qualquer verdade particular.
Ecletismo:
     Ecletismo (termo derivado do grego ek-léghein, que significa: “escolher e reunir”, tomando de várias partes), que visava reunir e fundir o melhor (ou que era considerado tal) das várias escolas.
As causas que produziram esse fenômeno são numerosas: a) a exaustão da vitalidade das escolas singulares; b) a polarização unilateral de sua problemática; c) a erosão de muitas barreiras teóricas operada pelo ceticismo; d) o probabilismo difundido da Academia; e) a influência do espírito prático romano e a valorização do senso comum.
O ecletismo foi introduzido oficialmente na Academia por Filon de Larissa por volta de 87 a. C.. Ecletismo é, de certo modo, um ceticismo. O cético não pode dizer “a verdade existe, eu é que não a conheço”, mas só pode dizer “não sei se a verdade existe; sou eu, em todo caso, quem não a conheço”.
     Palavras de Filon que Cícero faz suas: “não é necessário suprimir totalmente a verdade, mas é necessário admitir a distinção entre verdadeiro e falso; todavia, não temos um critério que nos leve a esta verdade e, assim, à certeza, mas temos somente aparências, que conduzem à probabilidade. Não chegamos à percepção certa da verdade objetiva, mas nos avizinhamos dela com evidência do provável”.
Consolidação do ecletismo:
     Filon e Antíoco foram os principais representantes do ecletismo na Grécia e Cícero foi o mais característico representante do ecletismo em Roma.
Segundo C. Marchesi: “Cícero não deu novas ideias ao mundo (...). O seu mundo interior é pobre pelo fato de dar ouvidos a todas as vozes.” A sua maior contribuição reside, pois, na difusão e divulgação da cultura grega e, neste âmbuto, é verdadeiramente uma figura essencial na história espiritual do Ocidente. Continua Marchesi: “Também aqui se manifesta a força divulgadora e animadora do engenho latino, porque nenhum grego teria sido capaz de difundir o pensamento grego pelo mundo como fez Cícero.”
Desenvolvimento das ciências particulares:
     As ciências particulares, ou especializações das diversas ciências se deram em Alexandria. A construção dessa cidade iniciou-se em 332 a. C. porque Alexandre desejara construir uma cidade dedicada a seu nome. Habitantes de várias partes daquele mundo dirigiam-se àquela grande metrópole que pretendia ser o centro cultural de pesquisa científica, a maioria de seus habitantes eram judeus. Mas o elemento grego era dominante. Com a morte precoce de Alexandre, Ptolomeu Lago recebeu o Egito e seus sucessores o mantiveram durante longo tempo, conservando as tradicionais estruturas sociopolíticas que haviam assegurado ao país uma cultura milenar. Assim, impediram a helenização do Egito, com exceção de Alexandria. Atenas continuou o seu primado no campo da filosofia, mas Alexandria tornou-se o grande centro da cultura científica, o que houve de mais esplêndido foi sua biblioteca.
Ciências desenvolvidas na época:
filologia; as matemáticas de Euclides e Apolônio; a mecânica de Arquimedes e Héron; Astronomia: geocentrismo tradicional dos gregos, a tentativa heliocêntrica de Aristarco e a restauração geocêntrica de Hiparco; A medicina helenística de Erófilo e Erasístrato e sua posterior involução; a geografia de Eratóstenes. O pano de fundo que impedia a evolução tecnológica eram as condições socioeconômicas da época que, baseava-se na mão de obra escrava, por isso, não se investia na construção de máquinas para aliviar a mão de obra escrava.
Influência do pensamento filosófico à religiosidade dos judeus:
Havia entre nós três seitas diversas, relativas às ações humanas. A primeira, a dos fariseus: a segunda, a dos saduceus e a terceira a dos essênios. Os fariseus atribuem certas coisas ao destino, não, porém, todas e creem que as outras dependem de nossa liberdade, de sorte que nós podemos fazê-las ou não fazê-las. Os essênios afirmam que tudo geralmente depende do destino e de que nada nos acontece a não ser que ele determina. Os saduceus, ao contrário, negam absolutamente o poder do destino, dizem que ele é quimera e que nossas ações dependem tão absolutamente de nós, que nós somos os únicos autores de todos os bens e males que nos acontecem, segundo nós seguimos um bom ou mau conselho. (JOSEFO, p. 137 e 138)
Percebemos por esse fragmento aforístico que uma nação que fora fundada sob as orientações de um Deus criador e mantenedor de tudo, que tinha como Seu mensageiro muitos profetas que estavam acima dos reis e juízes; essa nação fora desviada de seu caminho teocêntrico pelo poder do discurso filosófico que os gregos inventaram. Porém, é bom ressaltar que, nos últimos quatrocentos anos que antecederam o nascimento de Cristo, não houve profeta entre os judeus. Vemos aqui a força do antropocentrismo epistemológico filosófico sujeitando todos os povos, eliminando do consciente da humanidade a ideia de que tudo o que existe fora criado por um Deus que ainda mantem todas as coisas do universo segundo a Sua vontade. Então, o que podemos deduzir disso é: quando os homens negam sua fé nos escritos proféticos como sendo verdades divinas, estão sujeitos as ideias antropocêntricas que, apesar de ser conclusões de análises argumentativas e empíricas acadêmicas, o homem de fé, não deve esquecer que acima de tudo isso há uma guerra que não vemos, mas o fato de não a vermos não significa que ela não existe, logo, o mal não está em compreender tudo o que há, mas ignorar que há um Deus que vai pôr fim a toda essa história temporal fazendo valer Sua legislação universal.
Jesus Cristo nasceu nesse contexto onde imperava todo tipo de antropocentrismo filosófico, político, científico e religioso. Os judeus perderam de vista qual era o propósito do nascimento de Cristo, eles esperavam um líder político judeu que os libertassem do jugo romano, quando perceberam que Cristo convidava-os para um novo modo de vida e que Ele viera para dar-lhes a possibilidade de vida eterna se O aceitassem como O Salvador do mundo que caíra em pecado. Assim, os judeus em comum acordo com os romanos preferiram mata-Lo que aceita-lo como Salvador do mundo. Cristo viera para morrer, e certamente Satanás O mataria, mas não precisava ser como foi. O que não podemos esquecer é: todo homem independente de que nação seja depende de aceitar o plano de salvação providenciado por Deus para ganhar a vida eterna que Cristo nos garantiu com Seu sacrifício na cruz do calvário. Para isso, não é preciso ignorar o conhecimento antropocêntrico, até porque, é conhecendo a origem de todo conhecimento que podemos escolher e entender todas as tramas epistemológicas e seus propósitos. Pois, o conhecimento possibilita a refutação do que está errado com fundamentação, mostrando ser um evangelizador que conhece, possibilitando até mesmo um proselitismo de qualidade, evitando as apelações grosseiras que se vê entre os evangélicos. Na história da filosofia essa submissão ao pensamento filosófico de todos os povos, é conhecida como: “Submissão da fé à razão.”
Deus se fez carne:
“O ver se fez carne a habitou entre nós, (...) cheio de graça e de verdade.” Mas os que Cristo veio salvar, não quiseram saber dEle. “Veio para os seus e os seus não O receberam.” S. João 1: 14 e 11. Entregando-se ao domínio de Satanás rejeitaram o messias, e buscaram oportunidade para O matar.

     Satanás e seus anjos resolveram tornar o mais humilhante possível a morte de Cristo. Encheram o coração dos guias judeus de sentimentos de amargo ódio ao Salvador. Dominados pelo inimigo, sacerdotes e príncipes instigaram a multidão a postar-se contra o filho de Deus. Além das declarações de Sua inocência por parte de Pilatos, ninguém disse em Seu favor uma única palavra. E o próprio Pilatos, conhecendo-Lhe a inocência, entregou-O às afrontas de homens dominados por Satanás. (WHITE p. 392)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
JOSEFO, Flavio, História dos Hebreus. Vol. IV. Ed. das Américas 1956.
REALE/ANTISERI. História da Filosofia, V. I,. Antiguidade e Idade Média. Ed. Paulus. São Paulo, SP, 8° edição, 2003.
WHITE, G. Ellen. Testemunhos Seletos V. III, p. 392. Ed. Casa - Tatuí - São Paulo, 1985.

Filósofo Isaías Correia Ribas

   

terça-feira, 1 de abril de 2014

ESCOLAS FILOSÓFICAS HELENÍSTICAS



     Após a conquista de Alexandre magno (o grande), da Macedônia, sobre os Medos e Persas findou-se também o projeto de homem-cidadão, iniciando o projeto de homem indivíduo. Alexandre pretendia fundar uma monarquia divina universal, que deveria reunir não só as diversas cidades, mas também países e raças diversas; deu um golpe mortal na antiga concepção de cidade-estado. Alexandre não conseguiu realizar seu projeto por causa de sua morte precoce ocorrida em 323 a. C., e talvez também porque os tempos ainda não estavam maduros para tal projeto. No entanto, depois de 323 a. C., formaram-se os novos reinos do Egito, Síria, Macedônia e Pérgamo. Os novos monarcas concentraram o poder em suas mãos e as cidades-estados perderam pouco a pouco sua liberdade e autonomia, deixaram de fazer história como haviam feito no passado.
     As novas escolas filosóficas da época helenísticas são: cinismo, epicurismo, estoicismo, ceticismo e ecletismo. Aconteceu também nessa época o grande florescimento das ciências particulares. Essas escolas queriam findar com o ideal de cidadão ateniense para formar cidadãos-indivíduos do mundo, por isso as atitudes dos filósofos eram chocantes, e nem poderia ser diferente, pois, para quebrar paradigmas faz-se necessário chocar a cultura estabelecida. Nesse texto analisarei três dessas escolas.
     Já disse, não poucas vezes, que o projeto primordial da filosofia é criticar os deuses mitológicos e o Deus bíblico. Porém, os filósofos naturalistas ou Pré-Socráticos, não conseguiram concluir seu ideal, mas, a filosofia com seu projeto epistemológico antropocêntrico, aliada à mitologia e ao conceito de deus continuam firmes em seu projeto peculiar: eliminar do consciente da humanidade a revelação bíblica de que há um Deus criador e mantenedor de tudo o que há no universo. Digo também, que sua estratégia não é simples de ser diagnosticada, por isso, ainda hoje, a humanidade continua sendo enganada pelo discurso filosófico.
Os gregos consideravam os bárbaros, “por natureza”, incapazes de cultura e de atividades livres, por isso eram considerados escravos por natureza. Aristóteles defendia essas ideias. Alexandre provou que essa teoria estava errada educando milhares de jovens “bárbaros” nas técnicas gregas e autorizou-os a casarem com mulheres persas. Os filósofos dessas novas escolas também contestaram essa antiga visão grega. Os estoicos ensinaram que a verdadeira escravidão é a da ignorância e que a liberdade do saber pode libertar quer o escravo, quer o seu senhor, pois, aquele que escraviza também é escravo da ignorância.
Cinismo:
     O principal cínico foi Diógenes. Segundo seus escritos, o homem, para ser feliz tem que viver sem metas impostas pela sociedade como sendo necessárias, sem morada fixa e sem conforto oferecido pelo progresso; viver conforme a natureza, como vivem os animais. Certa vez durante um banquete alguns lhe jogaram ossos como a um cão; Diógenes andando por ali urinou sobre os ossos como fazem os cães quando estão sem fome. Outra vez alguém o introduziu numa casa suntuosa e proibiu-lhe de escarrar, ele limpou bem forte a garganta e escarrou-lhe no rosto, dizendo não ter encontrado lugar pior. Os cínicos desprezavam os prazeres. Liberdade e virtude são: exercício e fadiga. Eles proclamavam-se cidadãos do mundo. Certa vez Alexandre Magno disse-lhe: pede-me o que quiseres e eu lhe darei, respondeu Diógenes: afasta-te do meu sol que estás a fazer-me sombra; para que trabalhar para construir novas cidades se outro Alexandre irá destruí-las. Para que guardar dinheiro para educação dos filhos, se eles se tornarem filósofos iria distribuir ao povo, pois filósofos não têm necessidade de nada. Nos últimos dois séculos da era pagã (III e IV d. C.), o cinismo enfraqueceu por opressão social e imposição da política romana que repugnavam a doutrina e a vida cínica, pois, para eles nada pode ser reto e nada é honesto.
Os índios, habitantes das Américas são exemplos incontestáveis de que eles descenderam da vida cínica, motivo pelos quais eles não se deixaram escravizar pelos europeus, amantes de uma sociedade construída à luz do antropocentrismo que escraviza em nome do viver em sociedade organizada (grifo do autor).
Epicurismo:
     A felicidade dá-se na falta de dor e perturbação; Para atingir a felicidade e a paz, o homem só precisa de si mesmo; não lhe serve absolutamente de nada as cidades, as instituições, os nobres, as riquezas, todas as coisas e nem mesmo os deuses; o homem é perfeitamente “autárquico”, autônomo, livre. O homem deixou de ser homem-cidadão para tornar-se homem-indivíduo. “De todas as coisas que a sabedoria busca, em vista de uma vida feliz, o maior bem é a conquista da amizade”; “a amizade anda pela terra anunciando a todos que devemos acordar para dar alegria uns aos outros”.
Os quatro remédios e o ideal do sábio:
1)      Que são vãos os temores em relação aos deuses e ao além;
2)      Que o pavor em relação à morte é absurdo, pois ela não é nada;
3)      Que o prazer, quando o entendemos corretamente, está à disposição de todos;
4)      Que o mal dura pouco, ou, é facilmente suportável.
Sócrates e Epicuro:
Ambos são paradigmas de duas grandes fés, duas religiões leigas: Sócrates, a fé e a religião da “justiça”; Epicuro, a fé e a religião da vida.
Os epicuristas e os cínicos são naturalistas, isto é, mundanos. Para eles o mundo e todo que o compõe se basta; e o homem sábio busca viver segundo essa lógica, sem os deuses e sem fé no que está além mundo, e, religião é ligar-se à justiça segundo ensinou Sócrates, ou, à vida segundo Epicuro.
Estoicismo:
     Principal filósofo, o estoico Zenão, o semita. Ele ignorava toda metafísica e qualquer tipo de transcendência. Os estoicos e epicuristas, de modos diferentes, eram materialistas. Os estoicos foram os fundadores do Panteísmo. Spinoza, Baruch (1632-1677), de família judia portuguesa, de Amsterdã, Holanda, foi quem “refez” o panteísmo e divulgou-o à modernidade.
“Segundo os estoicos são dois os princípios do universo: um ativo e um passivo; o passivo é a substância sem qualidade, a matéria. O ativo é a razão na matéria, isto é, Deus. É Deus quem é demiurgo criador de todas as coisas no processo da matéria.” Os discípulos de Zenão concordaram em sustentar que Deus penetra em toda realidade, que ora é inteligência, ora alma, ora natureza [...]. O Deus dos estoicos era Deus- Physis-Logos, como o fogo artífice, segundo filosofou Heráclito, “raio que tudo governa” ou ainda como o pneuma, que é “sopro ardente”, ou seja, ar dotado de calor. O fogo, com efeito, é a origem de todo nascimento, crescimento e, em geral, de toda forma de vida. O logos é como o sêmem de todas as coisas. Uma fonte antiga diz: Os estoicos afirmam que Deus é inteligente, fogo artífice, que metodicamente procede a geração do cosmo e que inclui em si todas as razões seminais, segundo as quais as coisas são geradas segundo o fado (destino). Deus é [...] a razão seminal do cosmo.
A providência estoica afirma: nada tem a ver com a providência de um Deus pessoal. É o finalismo universal que faz com que cada coisa (mesmo a menor das coisas) seja feita como é bom e como é melhor que seja. É uma providência imanente e não transcendente, que coincide com o artífice imanente (o que pertence ao interior do ser), como a alma do mundo.
Segundo Sêneca (4 a.C.- 65 d.C.), fado, ou destino: “conduz quem quer e arrasta quem não quer”. Para os estoicos a alma sobrevive à morte do corpo, pelo menos por certo período; segundo alguns estoicos, as almas dos sábios sobrevivem até a próxima conflagração (guerra, conflito). Para os estoicos e epicuristas: “a felicidade se dá vivendo conforme a natureza”. O bem verdadeiro é a virtude e mal o vício.
     Pois bem, analisando os fundamentos filosóficos dessas três escolas já é possível perceber que o objetivo da filosofia é enaltecer a natureza e eliminar a ideia bíblica de que existe um Deus criador e mantenedor de toda ordem cosmológica. Suas conclusões filosóficas estão fundamentadas em Heráclito e no mundo das ideias de Platão. (grifo do autor) (REALE, Giovanni\ANTISERI, Dario. História da Filosofia, Antiguidade e Idade Média. V. I. Ed. Paulus, São Paulo).

Filósofo Isaías Correia Ribas



sábado, 15 de março de 2014

EDUCAÇÃO BRASILEIRA NÃO É RUIM; TEM QUE SER RUIM!


     Todo e qualquer ideal de uma nação só é alcançado por meio da educação, por isso, não importa se o ideal seja bom ou ruim, a educação é o meio de atingi-lo e mantê-lo. Como o ideal político para o povo brasileiro continua sendo a manutenção da escravidão idealizada pelos colonizadores europeus, a educação só pode ser ruim, dar boa educação para os filhos dos trabalhadores seria o fim dessa lógica escravocrata. Não estou me referindo apenas à educação pública, as escolas particulares, ou privadas, de pequeno e médio porte também cumpre com esse papel ridículo aos filhos dos trabalhadores brasileiros. Educação de qualidade, de ponta, somente para os filhos dos imigrantes ricos que por aqui chegam e conseguem pagar escolas de alto padrão a seus filhos, depois, quando jovens vão terminar sua educação nos países de origem de seus pais; depois voltam para assumirem a política do país, mantendo assim, a escravidão e exploração da nação em detrimento dos trabalhadores, os brasileiros pobres. Essa lógica existe desde a chegada dos primeiros colonizadores, ainda se mantém e ninguém faz nada de concreto para mudar.
Paralelo ao poder político e com os mesmos objetivos estão escolas e universidades confessionais, católicas e protestantes. Ambas são instrumentos do Estado para manter essa lógica excludente, desumana. Afinal de contas, as instituições religiosas também dependem dessa sociedade semianalfabeta para manter a elite religiosa que por aqui aportaram juntos com os políticos europeus que buscavam novas terras para manterem os ideais medievais que perdera seu poder hegemônico na Europa. As boas escolas católicas, se realmente existem, são para aqueles que querem fazer carreira eclesiástica, isto é, ser funcionários da igreja, caso alguém queira estudar em suas instituições sem querer fazer carreira têm que pagar pela educação, e não é barato, na mesma lógica estão escolas e universidades protestantes. E aí, qual a saída para o pobre trabalhador, escravos dessa elite corrupta? O caminho mais fácil, lógico e humano, seria essa elite dominadora e exploradora ter consciência e inverter essa lógica sem derramamento de sangue e outros enfrentamentos animalescos. Porém, parece estar comprovado que essa consciência seria algo impensável aos escravocratas. Embora os atuais escravocratas tenham direitos políticos por serem brasileiros natos, sua índole e ideias continuam as mesmas de seus pais escravocratas e exploradores das riquezas brasileiras. Por isso eles continuam apostando na ignorância total da população, não percebem eles que os meios de comunicação mudaram e estão provocando em todo o mundo revoluções políticas não esperadas, onde, regimes totalitários estão caindo em diversos pontos do planeta. Imagine o que será das democracias recentes como é o caso do Brasil! O povo está sendo educado nas ruas (internet), e essa “elite maldita vai sofrer as consequências de seu descaso com a educação do povo brasileiro”, pois, povo sem educação formal de qualidade age bem próximo da irracionalidade, sem limite moral e ético, são homens e mulheres inconsequentes. Mas, o pior é que, não é essa elite desumana que paga o preço de seu egoísmo, e sim a população, o bem público e privado em geral. Não é isso que estamos vendo todos os dias nos noticiários brasileiros? E, podes crer; isso não é uma onda passageira, pontual, como diz os responsáveis por essas consequências, são posturas que tendem a crescer porque é fruto de uma educação sem qualidade, educação da vida e do sofrimento, da rua, onde a população inconscientemente está disposta a dar um basta nessa lógica escravocrata de exploração que nunca acaba a pesar das promessas políticas.
Ah! "ao menos se a humanidade empregasse em educação e escolas tudo o que se empregou até hoje para construir igrejas e se voltasse agora para a educação toda inteligência aplicada na teologia". (Nietzsche, W. Friedrich. O Livro do Filósofo, aforismo 45. Ed., Centauro - São Paulo, 2001) 
  • Nesse contexto da educação não podemos nos esquecer da responsabilidade dos pais. Segundo relatos de colegas, os pais, independente do filho estudar em escolas públicas, eles, conviventes e parecendo apoiadores dessa ideologia escravocrata, mesmo que seu filho não tenha alcançado o saber necessário para mudar de série, eles são os primeiros a pedir aos professores ou à gestão escolar que aprove seu filho sem o conhecimento necessário. Sabemos que a maioria dos pais não acompanha o desenvolvimento escolar de seus filhos, achando que nós os professores somos os responsáveis por eles terem nascidos. Nossa responsabilidade é de dar-lhes educação formal, porém, educação moral e responsabilidade são dos pais, mas todos, de mãos dadas com governo, por ignorância é óbvio, mantém essa maldita ideologia em pleno desenvolvimento. Então, só há uma saída para melhorar a educação dos futuros brasileiros: o interesse do governo, dos pais, dos professores e de todos os seguimentos sociais, caso contrário, os brasileiros continuarão sendo escravos dessa elite corrupta que governa o engano para todos.
     Apesar da argumentação acima ter fundamento político; Não creio que todas essas revoluções e problemas crescentes no mundo social, político e religioso são consequências naturais da má administração dessas instituições; há algo além desse horizonte que está querendo dizer alguma coisa à humanidade, algo metafísico, profético, que, de antemão profetizara que as coisas seriam como estão acontecendo. Além dos escritos bíblicos temos os escritos da profetisa Ellen G. White (1827-1915) que nos adverte quanto aos problemas naturais, de consequência das decisões políticas, pessoais e gerais que estão acontecendo a nosso redor:
Vivemos no tempo do fim. Os sinais dos tempos, a cumprirem-se rapidamente, declaram que a vinda de Cristo está próxima, às portas. Os dias em que vivemos são solenes e importantes. O Espírito de Deus está gradual, mas seguramente, sendo retirado da terra. Pragas e juízos estão caindo sobre os desprezadores da graça de Deus. As calamidades em terra e mar, as condições sociais agitadas, os rumores de guerra, são portentosos. Prenunciam a proximidade de acontecimentos da maior importância.
As forças do mal estão se arregimentando e consolidando-se. Elas se estão robustecendo para a última grande crise. Grandes mudanças estão prestes a operar-se no mundo, e os acontecimentos finais serão rápidos.
As condições do mundo mostram que estão iminentes tempos angustiosos. Os jornais diários estão repletos de indícios de um terrível conflito em futuro próximo. Roubos ousados são ocorrências frequentes. As greves são comuns. Cometem-se por toda parte furtos e assassínios. Homens possuídos de demônios tiram a vida de homens, mulheres e crianças. Os homens têm-se enchido de vícios, e campeia por toda parte toda espécie do mal.
O inimigo tem conseguido perverter a justiça e encher do desejo de ganho egoísta o coração dos homens. “A justiça se pôs longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a equidade não pode entrar”. Isa. 59: 14. Nas cidades grandes há multidões a viver em pobreza e miséria, quase privadas de alimento, abrigo e vestuário; ao passo que nas mesmas cidades há os que têm mais do que o coração poderia desejar, mas que vivem no luxo, gastando o dinheiro com casas ricamente mobiladas, com adornos pessoais, ou pior ainda, com a satisfação das paixões carnais, com bebidas alcoólicas, fumo e outros artigos que destroem as faculdades do cérebro, desequilibrando a mente e degradam a alma. Sobem para Deus os clamores da humanidade que perece a fome, ao mesmo tempo em que, por toda sorte de opressões e extorsões, os homens acumulam fortunas colossais. (Testemunho Seletos V. III. p. 280 e 281. Ed., Casa Publicadora Brasileira - Santo André - São Paulo, 1985)
     Apesar da maioria dos seres humanos se declararem crentes na existência de Deus e professarem algum credo, essa mesma maioria são unânimes em negar toda ou parte dos escritos bíblicos como sendo regra de conduta. Independentemente da porção negada, toda a escritura é negada como regra de fé. Pois, na matemática divina, dez menos um é igual zero. Quanto aos escritos da profetisa White o descaso atual é o mesmo. Logo, “todos” os cristãos negam o dom profético estabelecido por Deus para orientar o seu povo dos últimos dias. Nas diferentes épocas sempre houve aqueles que negavam o dom profético e levava todo o Israel de Deus às diferentes formas de idolatrias, nesses últimos dias não vai ser diferente.

Filósofo Isaías Correia Ribas


segunda-feira, 10 de março de 2014

ÁPEIRON, PRINCÍPIO DE TODO O UNIVERSO

INTRODUÇÃO
     A incógnita sobre a origem da vida orgânica e do universo inorgânico continua sendo a preocupação primeira e máxima da ciência empírica e da argumentação a priori dos grandes temas filosóficos. Essa incógnita é a genitora fundamental das crenças e descrenças existentes no passado e no presente. Os dois grandes fundamentos geradores das polêmicas sobre as origens são: os escritos bíblicos dos hebreus e as hipóteses do racionalismo filosófico. A filosofia surgiu para criar outra epistemologia. Mas, para isso, teria que criticar, e, se possível, eliminar do consciente da humanidade às crenças na mitologia grega (criadas por Homero e Hesíodo nos séculos XII-VIII a. C.) e no monoteísmo defendido pelos judeus. Graças a essa intensão filosófica, a partir de uma epistemologia antropocêntrica, todas as ciências exatas e humanas desenvolveram-se; e assim, foi possível chegar ao atual desenvolvimento tecnológico, possibilitando aproximar-se mais por respostas conclusivas sobre a origem da vida e do universo. Por isso, creio eu, continua sendo pertinente investigar as hipóteses criadas pelos pensadores do primeiro período filosófico (Physis). Assim sendo, investigarei a hipótese elaborada por Anaximandro que, segundo ele, o ápeiron é o elemento originador da vida e do universo.
  
Problema: Qual a origem da vida orgânica e inorgânica no universo?

  Hipótese de Anaximandro: o ápeiron
     A questão é: O que levou ou o que deu condições para Anaximandro propor o ápeiron como sendo *o princípio, num momento em que os filósofos estavam buscando na natureza um elemento físico como o *Princípio de tudo? Por meio da linguagem aprendemos expressar nossa capacidade intelectual, assim, o homem descobriu que é possível, através do raciocínio lógico criar infinitas possibilidades para propor problemas, para, deduzir destes alguma coisa. Assim, como naqueles dias o que mais lhes preocupavam era entender como tudo veio à existência, resolveram propor algumas hipóteses para nortear suas pesquisas. Assim, alicerçada nessas possibilidades, a filosofia continua, a priori, avançando em buscas de respostas sobre tudo o que há e como veio a ser no universo, seja, propondo problemas e as devidas soluções, bem entendido que, paralelo à filosofia estão às investigações empíricas; assim, filosofia e tecnologia científica têm demonstrado que é possível continuar avançando em busca de respostas sobre as origens sem o afã de destruir os mitos e a fé; nesta busca a ética é fundamental para a tolerância das diferenças.
Objetivo:
     Propor uma reflexão filosófica, científica e religiosa sobre as hipóteses postas nesses quase três mil anos de questionamentos à teologia bíblica e aos mitos Pré-Socráticos. É impossível não reconhecer que tais questionamentos não provocaram uma revolução epistemológica e tecnológica que têm possibilitado à humanidade grandes conquistas nos mais diversos campos do saber. Porém, as hipóteses com relação ao princípio de todas as coisas continuam precisando ser confirmadas ou negadas cientificamente. 
Justificativa:
Analisarei neste trabalho a hipótese proposta por Anaximandro de Mileto. (610-547 a. C.) Geógrafo, matemático, astrônomo e político. Segundo os relatos doxográficos, ele escreveu um livro intitulado Sobre a Natureza, tido pelos gregos como a primeira obra filosófica no seu idioma, restando deste apenas um fragmento e noticias de filósofos e escritores posteriores. “Ampliando a visão de Tales de Mileto, foi o primeiro a formular o conceito de uma lei universal presidindo o processo cósmico total”. Por aproximadamente dois séculos os filósofos da natureza (Physis) ou Pré-Socráticos, propuseram várias hipóteses em busca de um elemento natural que fosse a causa das origens de tudo o que há. Alguns desses elementos foram: a água, o ar, o fogo e a possibilidade de ser uma mistura de água com a terra e outros elementos. Anaximandro, embora esteja entre os naturalistas, sua hipótese está além da física, logo, metafísica; aquilo que é privado de limites. Além dos elementos que compõe as quatro raízes elementares, outros filósofos do período apresentaram outras hipóteses: para os pitagóricos o número é o princípio; para Anaximandro o ápeiron; para Empédocles a água, a terra, o ar e o fogo são as quatro raízes de todas as coisas, ou, o suporte que sustenta tudo o que há; para Anaxágoras “tudo está em tudo” ou ainda “em cada coisa há parte de cada coisa”; (Spinoza, Baruch (1632-1677) bebeu em Anaxágoras para filosofar sobre o panteísmo) (grifo do autor) com Lêucipio e Demócrito deu-se a última tentativa de responder aos problemas propostos no âmbito da filosofia da physis ao descobrirem o conceito de átomo; o átomo não é perceptível pelos sentidos, mas somente pela inteligência.
O átomo, portanto, é a forma visível do intelecto. É claro, para ser pensado como “pleno” (de ser), o átomo pressupõe necessariamente o “vazio” (de ser; portanto, o não ser). Assim, o vazio é tão necessário como o pleno: sem vazio, os átomos-formas não poderiam se diferenciar nem se mover. Átomos, vazio e movimento constituem a explicação de tudo. [...]: (REALE e ANTISERI, 1990, p. 67)
     O princípio de tudo é um problema universal. Logo, interessa-se a todos. Por isso decidi analisar o princípio proposto por Anaximandro, ele apresenta algo além dos elementos naturais.
Metodologia:
Minha pesquisa será fundamentalmente em análises literárias de autores consagrados, sobre o que eles escreveram e entenderam sobre a hipótese de Anaximandro. Esses autores são: Giovanni Reale (15 de Abril 1931)/Dario Antiseri (1940), Friedrich Nietzsche (1844-1900) e Martin Heidegger (1889-1976). Antagonizando o racionalismo antropocêntrico, utilizarei a posição teológica da profetisa e escritora Ellen G. White (1827-1915) que, segundo profecias apocalípticas, um (a) profeta seria levantado para orientar os cristãos que estariam dispostos a ser fiel a Deus próximo da segunda vinda de Cristo; grande parte de seus escritos são resultados de revelações que tivera para orientar os cristãos de “Laodicéia”, nome simbólico que corresponde ao último período das igrejas do apocalipse, 3: 14-22. Seguindo a tradição bíblica, Deus, independente da igreja institucionalizada, usa o dom de profecia para revelar Sua vontade e autoridade àqueles que professam segui-Lo; como sempre fizera com a nação de Israel que, embora fosse uma nação politicamente organizada, a palavra dos profetas correspondia à vontade e autoridade de Deus e não a dos reis e juízes. Deduz-se, então, que, White G. Ellen é a profetisa contemporânea, capaz de refutar o crescente racionalismo que cria teorias hipotéticas para minar a fé nos escritos bíblicos. Seus escritos estão sob os cuidados da Igreja Adventista do Sétimo Dia que iniciou suas atividades organizacionais em 1863 nos USA. Resultado do apogeu do movimento milerita que ocorrera em 1844.

TEMA
“O PRINCÍPIO OS ENTES E A LINGUAGEM”
     A linguagem humana é fundamental para propor problemas e resolvê-los. Porém, Cientificamente falando, até o presente, não se sabe como o ser humano aprendeu a falar, a pesar de já terem levantado algumas hipóteses além da bíblica. Para Herder, os sons primitivos da linguagem foram os gritos e gemidos instintivos. Para outros, a linguagem foi possível porque o homem é um animal social, ente eles Aristóteles que defende a tese de que o homem é um animal político (social); Para Süssmilich a origem da linguagem é teológica (divina). Cientificamente, a origem da linguagem é aporética, isto é, sem solução.  Para Humboldt, a linguagem é racionalidade prática, razão voltada à razão, uma circularidade, isto é, sem a linguagem significativa é impossível até mesmo o pensamento. Para a filosofia contemporânea é impensável chegar-se a verdade argumentativa sem o rigor de análise da linguagem. Pois, sem esta, é impossível propor qualquer hipótese a priori. Além da linguagem verbal, todo o nosso ser físico e metafísico se expressam de muitos modos significativos; assim sendo, as conclusões verdadeiras de nossas pressuposições não são de fáceis deduções. Imaginem em se tratando do princípio das estruturas orgânicas e inorgânicas e do ser originador dessas estruturas. Atualmente é possível analisar essa problemática graças à evolução da filosofia da linguagem, onde, a filologia e a filosofia, juntas, são capazes de criticar as antigas estruturas filosóficas, avançando assim, sobre patamares mais firmes, no progresso revolucionário das mais diversas epistemologias até então postas.
Iniciarei depois destes passos fundamentais à pesquisa, àquilo que propus analisar neste trabalho.
  
1 – A-PEIRON SEGUNDO GEOVANNI REALE/DARIO ANTISERI
     Dos três filósofos citados como base para esta pesquisa somente Reale grafa ápeiron com hífen e sem acento agudo. Com o termo a-peiron a problemática do princípio se aprofundou. Para Anaximandro a água que Tales de Mileto propôs como princípio originário único, causa de todas as coisas que existem não se sustenta porque a água já é algo derivado e que, ao contrário, o “princípio” (arché) é o infinito, ou seja, uma natureza (physis) infinita e in-definida da qual provêm todas as coisas que existem. (REALE/ANTISERI, 1990, p. 31)
     A-peiron significa: aquilo que é privado de limites, tanto externos (ou seja, aquilo que é infinito espacialmente e, portanto, quantitativamente) como internos (ou seja, aquilo que é qualitativamente indeterminado) E, por ser quantitativa e qualitativamente i-limitado é que o princípio ápeiron pode dar origem a todas as coisas, delimitando-se de vários modos. Esse princípio abarca e circunda, governa e sustenta tudo, justamente porque, como delimitação e de-terminação dele, todas as coisas dele se geram, nele con-sistindo e sendo. (Ibid., p. 32.)
     Esse infinito “parece-se com o divino, pois é imortal e indestrutível”. Por enquanto, Anaximandro e o seu a-peiron se iguala a tradição mítica de Homero: atribuindo aos deuses a imortalidade e o poder de sustentar e governar tudo. Mas ele vai além, ou seja, a imortalidade do princípio deve ser tal a ponto de não apenas não admitir um fim, mas tão pouco um início. Os deuses de Homero não morriam, mas nasciam. Já o divino de Anaximandro, da mesma forma como não morre, também não nasce. (por não nascer, o a-peiron vai além da teogonia de Hesíodo, ou seja, toda crença depositada na mitologia grega é questionada por um dos ilustres gregos) (grifo do autor)
“Esses princípios filosóficos Pré-socráticos são “naturalistas” no sentido de que não veem o divino (o princípio) como algo diferente do mundo, mas como a essência do mundo. Entretanto, não têm nada a ver com concepções do tipo materialista- ateizante.””
     Anaximandro propôs a questão: “Como e por que da derivação de todas as coisas do princípio”? O fragmento de seu tratado que chegou até nós contém a resposta para esse problema: “De onde as coisas extraem o seu nascimento aí também é onde se cumprem a sua dissolução segundo a necessidade; com efeito, reciprocamente sofrem o castigo e a culpa da injustiça, segundo a ordem do tempo.” (Ibid., p. 32.)

     O fragmento fala de castigo, culpa e injustiça. Como a obra de Anaximandro se perdeu, supõe-se, que ele pensava que o mundo era constituído de contrários que tendem a dominar um sobre o outro (calor e frio, seco e úmido etc.) A injustiça consistiria precisamente nessa predominância. O tempo é visto como o juiz, enquanto estabelece um limite a cada um dos contrários, pondo fim no predomínio de um em favor do outro e vice versa. Mas a justiça não se dá pela alternância dos contrários, mas pelo fato de serem contrários, pois para cada um deles o nascimento implica imediatamente na contraposição ao outro contrário. E, como o mundo nasce da cisão dos contrários, nisso se identifica a primeira injustiça que deve ser explicada com a morte (o fim) do próprio mundo, que, depois, renasce ainda segundo determinados ciclos de tempo infinitamente. Segundo os estudiosos do assunto essa teoria tem sua ideia central no orfismo. (Ibid., p. 33-34) 
2 – Nietzsche e o Ápeiron:
     Anaximandro, discípulo de Tales de Mileto, fala mais claro que o mestre que se delineia em neblinas. Frase por frase, cada uma testemunha de uma nova iluminação e expressão do demorar-se em contemplações sublimes. O pensamento e sua forma são marcos de milha na senda que conduz àquela sabedoria altíssima. Diz Anaximandro uma vez: “De onde as coisas têm seu nascimento, ali também devem ir ao fundo, segundo a necessidade; pois têm de pagar penitência e de ser julgados por suas injustiças, conforme a ordem do tempo”. Enunciado enigmático de um verdadeiro pessimista, inscrição oracular sobre a pedra limiar da filosofia grega, como te interpretaremos? ¹
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¹  As citações dos Pré-socráticos são todas traduzidas do alemão: interessa reproduzir fielmente a tradução que Nietzsche lhes dá, para compreender sua interpretação. (N. do T.) p. 17
     Nietzsche entende o enunciado como enigmático oracular; (porém, precisa-se levar em conta o contexto histórico de Anaximandro: além das influencias míticas e místicas, a influência do monoteísmo judaico não era pequena entre aqueles povos. Nabucodonosor acabara de destruir o templo que Salomão construíra; orgulho dos judeus, admirado e cobiçado por todos os povos. Os judeus naquele momento estavam sob o domínio babilônio e alguns de seus jovens foram levados para a corte de Nabucodonosor para serem educados segundo a mística babilônica; lá resolveram ser fieis ao seu Deus que submeterem à educação de babilônia. Por essa decisão de fidelidade, Seu Deus foi honrado na corte diversas vezes, e assim a religião monoteísta judaica foi influenciando todos os povos, e, sem dúvida, os filósofos. Por isso, entendo que o ápeiron de Anaximandro é parecido com o Deus dos judeus.) (grifo do autor)
     As quatro raízes, terra, água, ar e fogo possuem propriedades determinadas. E, se são determinadas não podem ser a origem e princípio das coisas; o que é verdadeiramente, conclui Anaximandro, não pode possuir propriedades determinadas, senão teria nascido, como todas as outras coisas, e teria que ir ao fundo. Para que o vir a ser não cesse, o ser originário tem de ser indeterminado. “A imortalidade e a eternidade do ser originário não está em sua infinitude e inexauribilidade como comumente admite os comentadores de Anaximandro – mas em um ser destituído de qualidades determinadas que levam a sucumbir: e é por isso, também, que ele traz o nome de “indeterminado”. ² [...] Matriz de todas as coisas, como algo a que não pode ser dado nenhum predicado do mundo do vir-a-ser que aí está, e poderia, por isso, ser tomada como equivalente à “coisa em si” kantiana.” (Ibid., p. 18)
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² Esta tradução de ápeiron – habitualmente: o sem limite, o ilimitado ou “o infinito” (Diels) – legitima-se, pelo menos, na tradição do idealismo pós kantiano, que estabelece a estrita equivalência entre determinação (Bestimmung) e limite (Grenze). Repare-se que é essa indeterminação que permite aproximá-lo da coisa-em-si de Kant. (N. do T.) (Ibid., p.18)
     Anaximandro deu um salto, já não mais tratou a perguntar sobre a origem deste mundo de maneira puramente física, mas metafísica. Como pode perecer algo que tem direito de ser! De onde vem àquele incansável vir-a-ser e engendrar, de onde vem aquela contorção de dor na face da natureza, de onde vem o infindável lamento mortuário em todo o reino do existir? Desse mundo do injusto, do insolente declínio da unidade originária das coisas. Anaximandro refugiou-se em um abrigo metafísico, do qual se debruça agora, deixa o olhar rolar ao longe, para enfim, depois de um silêncio meditativo, dirigir a todos a pergunta:
O que vale vosso existir? E, se nada vale, para que estais aí? Por vossa culpa, observo eu, demorais-vos nessa existência. Com a morte tereis de espiá-la. Vede como murcha vossa terra; os mares se retraem e secam; a concha sobre a montanha vos mostra o quanto já secaram; o fogo, desde já, destrói vosso mundo, que, no fim, se esvairá em vapor e fumo. Mas sempre de novo, voltará a edificar-se um tal mundo de inconstância: quem seria capaz de livrar-vos da maldição do vir-a-ser? (Ibid., p. 18)
     Mais uma vez observo: (O ápeiron de Anaximandro se parece com o Deus dos judeus; os conceitos: princípio, infinito, morte expiatória, maldição, injustiça diante da existência e da morte, e o fim do mundo são conceitos bíblicos, exceto o eterno vir a ser de Nietzsche que está interpretando mais que traduzindo o fragmento que restou dos escritos de Anaximandro.) (grifo do autor) “Pela fé entendemos que os mundos, pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.” (WHITE p. 258) 
3 – Heidegger, Martin e o ápeiron
     Martin Heidegger é um dos pensadores do século XX – ao lado de Russell, Wittgenstein, Popper, e Foucault – quer pela recolocação do ser e pela refundação da ontologia à luz da linguagem.
Gramaticalmente a sentença consiste em duas proposições. A primeira começa assim: ex hõn dè he génesís esti tõis õusi ... Os ónta estão em questão; tà ónta significa, traduzido literalmente: os entes. O neutro plural nomeia tá pollá a multitude no sentido da multiplicidade dos entes. Mas tà ónta não se refere a uma multiplicidade qualquer ou ilimitada, mas tà pánta, à totalidade do ente. Por isso significa tà ónta o ente múltiplo, em sua totalidade. A segunda proposição começa: didónai gár autá, retoma o tõis õusi da primeira proposição.
     A sentença fala do ente múltiplo em sua totalidade. Mas do ente não fazem apenas parte as coisas. De maneira alguma são as coisas apenas coisas da natureza. Também os homens e as coisas produzidas pelo homem e os estados produzidos pelo agir e não agir humano e as circunstâncias provocadas fazem parte do ente. Também as coisas demoníacas e divinas fazem parte do ente. Tudo isto não apenas é também, mas é mais ente que as simples coisas. (Ibid., p. 24)
     “O ser” que Nietzsche pensa é o “eterno retorno do mesmo”. Este eterno retorno é o modo da constância, na qual a vontade de poder se quer ela mesma e assegura sua própria presença como ser do devir. Na extrema consumação da metafísica, emerge da palavra o ser do ente”. (Heidegger)
 Diz a sentença de Anaximandro segundo a tradução de Nietzsche: “De onde as coisas têm seu nascimento, para lá também devem afundar-se na perdição, segundo a necessidade; pois elas devem expiar e ser julgadas pela sua injustiça, segundo a ordem do tempo”. (p. 19)
Assim traduziu Diels dedicando sua obra a Wilhelm Dilthey: “Ora, aquilo de onde as coisas se engendram, para lá também devem desaparecer segundo a necessidade; pois elas se pagam umas às outras castigo e expiação pela sua criminalidade segundo o tempo fixado”.
As traduções de Nietzsche e Diels são, quanto a seu impulso e à sua intenção, de origem diversa. Entretanto, elas se distinguem mal e mal uma da outra. Em mais de um ponto, a tradução de Diels é mais literal; mas enquanto uma tradução é apenas literal ela ainda não precisa ser, em sua essência, fiel. Ela é fiel apenas quando suas palavras são palavras que falam a partir da linguagem da coisa em questão. (Heidegger, p. 20)
     Tradução da sentença por Heidegger: “Ora, a partir daquilo do qual a geração é para as coisas, também o seu desaparecer para dentro disto se engendra segundo o necessário; pois eles se dão justiça e penitência reciprocamente pela injustiça, segundo a ordem do tempo”.
     Independente das traduções, a sentença fala sobre o aparecer e desaparecer das coisas, retornando de onde vieram. Da natureza? Do ilimitado “divino” e eterno ápeiron?
Abstrair pura e simplesmente das representações posteriores não conduz a nada, se não procurarmos antes ver mais de perto como se situa a questão que, na tradução de uma língua para a outra, deve ser vertida. Ora, a questão de que aqui se trata, é a questão do pensar. Mesmo tomando cuidado com a linguagem filologicamente esclarecida, devemos primeiro concentrar o pensamento na questão. É por isso que, na tentativa de traduzir a sentença deste pensador primórdio, somente os pensadores podem prestar auxílio. É claro que procuramos em vão, quando vamos em busca de tal auxílio. Mas, se quisermos entender como é necessário o que diz a sentença, que regras nos conduzem na tentativa de traduzi-la? Como poderemos atingir o que foi dito pela sentença, para que isto guarde a tradução diante arbítrio?
     Estamos ligados à nossa linguagem e à experiência de sua essência. Este laço vai muito mais longe e é mais vigoroso, mas também menos aparente que as medidas de todos os fatos filológicos e históricos, os quais têm apenas sua realidade do fato, graças à prodigalidade daquele vínculo ou ligação. Enquanto não aprendermos este vínculo, qualquer tradução da sentença aparecerá como simples arbítrio. (Heidegger, p. 20 e 23) 
4 – Antagonismo de Ellen G. White
A força potente que atua por meio de toda a Natureza e sustenta todas as coisas não é, como alguns cientistas descrevem, simplesmente um princípio dominante, uma energia impulsionante. Deus é espírito; não obstante é um ser pessoal, pois o homem foi criado à sua imagem.
A Natureza não É Deus
As coisas de feitura divina na Natureza não são o próprio Deus na Natureza. As coisas da Natureza são uma expressão do caráter divino; por meio delas podemos compreender o Seu amor, Seu poder, e Sua glória; mas não devemos considerar a Natureza como sendo Deus. A perícia artística dos seres humanos produz obras muito belas, coisas que deleitam os olhos, e essas coisas nos dão em parte um vislumbre de quem as ideou; mas a obra feita não é o homem. Não é a obra, mas o obreiro que é considerado merecedor de honra. Assim, conquanto a Natureza seja uma expressão do pensamento de Deus, não a Natureza, mas o Deus da Natureza é que deve ser exaltado...
Um Deus Pessoal Criou o Homem
Na criação do homem foi manifesta a intervenção de um Deus pessoal. Ao fazer Deus o homem à Sua imagem, a forma humana estava perfeita em toda a sua distribuição, mas sem vida. Então, um Deus pessoal que tem vida em Si mesmo, soprou nessa forma o fôlego de vida, e o homem tornou-se um ser vivente, respirando e dotado de inteligência. Todas as partes do organismo humano entraram em ação. O coração, as artérias, as veias, a língua, as mãos, os pés, os sentidos, as percepções da mente – todos começaram a funcionar, e todos ficaram sujeitos a uma lei. O homem tornou-se alma vivente.
Por meio de Jesus Cristo, um Deus pessoal criou o homem, e dotou-o de inteligência e vigor.
Nossa matéria não estava escondida dEle quando fomos feitos misteriosamente. Seus olhos viram a nossa matéria, se bem que imperfeita; e no Seu livro todos os nossos membros estavam escritos, quando nenhum deles havia.
Acima de todas as ordens de seres inferiores, Deus pretendia que o homem, a obra prima de Sua criação, expressasse o Seu pensamento e lhe revelasse a glória. Porém não deve o homem axaltar-se como se fora Deus. [...] (Ibid., p. 262 e 263) 
5 – CONCLUSÃO:
     O ser humano é o único entre todos os entes terrestres que se mostra capaz de pensar e executar o pensado; de eternizar seus feitos e aprendizados através da cultura e da escrita; de evoluir tecnicamente para melhorar seu modo de interferir na natureza, modificando-a para transforma-la, tornando-se, assim, capaz de conquistar, se possível, todo o universo astral. Todo esse empenho milenar e os milhões gastos se justificam porque queremos entender de onde viemos e para onde vamos depois da degeneração da matéria que compõe nosso organismo. E, para o racionalismo científico-filosófico, esse conhecimento tem que estar destituído de qualquer tipo de fé, um conhecimento estritamente antropocêntrico, dependente da razão e da linguagem, logo, estruturas criadoras dos ideais humanos em "detrimento do poder do logos divino, criador de todas as coisas (entes). O maior problema proposto pelos seres humanos se resume nessa maior de todas as questões: Qual a lógica da existência diante do poder da morte? Porém, como a ciência e a filosofia ainda não têm respostas conclusivas sobre ambas às questões; este objetivo que começou à quase três mil anos continua vivo na mente dos atuais pensadores e pesquisadores, a busca por algo que comprove cientifica e filosoficamente de onde viemos e para onde vamos. Durante este período milenar muitas hipóteses (suposições) foram levantadas por grandes pensadores, cientistas e filósofos, mas, até os dias atuais essas suposições continuam como hipóteses, porém, é graças a essas suposições que as evoluções e revoluções tecnológicas continuam construindo aparelhos que melhoram nosso bem estar físico, os meios de transportes e de comunicações que aproximam e integram as pessoas de todo o planeta. Devemos ter o cuidado para não atribuir a essas suposições hipotéticas como sendo verdades pelo fato das conquistas científicas enquanto se busca o objetivo maior (como se deu nossa origem). Concluir que, por tais conquistas menores enquanto se busca a conclusão da hipótese macrocósmica, seja esta verdadeira, é um erro científico-filosófico. Por enquanto continuam como hipóteses apesar dos grandes benefícios conquistados enquanto se trilha o caminho hipotético pela grande busca epistemológica das origens e fins de todas as coisas. Independentemente dos objetivos serem postos pela academia científico-filosófica, qualquer um que tem consciência de sua existência se preocupa com o porquê da existência e com o fim da mesma; por isso se justifica tantos investimentos na busca da confirmação ou negação da hipótese macrocósmica sem nenhum questionamento popular e acadêmico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
WHITE, G. Ellen, Testemunhos Seletos V. III. São Paulo, p. 262 e 263. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1985.
NIETZSCHE, Friedrich e HEIDEGGER, Martin. Pré-Socráticos. Os Pensadores, p. 14-47. Ed. Abril Cultural, 1978.
REALE, Geovanni/ANTISERI, Dario. História da Filosofia, V. I. São Paulo. p. 32-35. Ed. Paulus, 1990, 8° edição, 2003.

Filósofo Isaías Correia Ribas