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domingo, 27 de julho de 2014

FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA


     A filosofia contemporânea é o ápice das pretensões filosóficas Pré-Socrática. Para os Pré-Socráticos, Deus e os deuses mitológicos não eram fundamentos para o conhecimento antropocêntrico. Os primeiros filósofos surgiram com a pretensão de fundar outro conhecimento sem depender dos contos míticos e das proposições elaboradas a partir das revelações e histórias que compunha os escritos bíblicos. Pois, desde aqueles idos os filósofos não viam fundamento algum na metafísica. Logo, deduz-se que os filósofos pensam a partir do que pode ser comprovado empiricamente ou que seja passível de análise lógica. Os Pré-Socráticos dependiam apenas dos sentidos para analisar a natureza e o cosmo, isto é, eles não dispunham de nenhum instrumento técnico para auxiliar os sentidos. O espírito que movia os objetivos dos primeiros filósofos fundava-se no ceticismo ateísta como se encontra nos atuais cientistas e filósofos contemporâneos. Muitas hipóteses foram levantadas para questionar a mitologia e os escritos bíblicos, porém, os filósofos da natureza que iniciavam seus questionamentos à metafísica não foram capazes de concluírem seus estudos afirmando ou negando os fundamentos da metafísica e nem mesmo com relação às suas pretensões hipotéticas científico-filosóficas. Por aproximadamente dois séculos eles buscaram concluir seus estudos e definir sobre suas hipóteses. Suas conclusões foram: tudo o que existe e subsiste não depende de nenhuma força exterior, de Deus ou dos deuses, deduzindo que o movimento (devir) natural é a causa de tudo. Porém, essa conclusão não convenceu as sociedades existentes naqueles idos e nem mesmo os filósofos. O certo é que a dúvida epistemológica fora lançada e a discussão estava aberta a metafísicos e céticos, e, após quase três mil anos de discussão chegou-se ao século XIX, renascendo o mesmo espírito Pré-Socrático com um discurso melhor elaborado para negar todas as pretensões metafísicas já existentes. Para os filósofos que compõe o Círculo de Viena e outros sem estar ligado formalmente à nenhuma escola filosófica (de Baden e Marburg), são unânimes em afirmar que as proposições metafísicas, embora tenham sentido, não oferecem condições a posteriori¹ para definir seu valor de verdade, no caso, Deus, alma e o mundo. Logo, deduzem eles ser um absurdo debruçar sob esses pseudoproblemas que não tem nenhum valor útil à vida mundana. Porém, há filósofos que discordam dessa conclusão do Círculo de Viena e dos “acadêmicos de menor expressão pública”.
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¹ a posteriori significa após a experiência empírica.
História da filosofia
     Os períodos filosóficos podem ser marcados a partir dos eventos históricos, ou dos próprios problemas filosóficos. Para entendermos as pretensões filosóficas o melhor método é analisar os problemas relacionados à filosofia desconectada da história.
     Após o período Pré-socrático ou naturalista, os filósofos perceberam que não era tarefa fácil questionar a metafísica, principalmente as relacionadas aos escritos bíblicos, então, concluíram, se não podemos destruí-los pelo confronto direto, “unamo-nos a eles”, corrompendo por dentro seus valores morais, sua fé e crenças e, se possível for, a existência do próprio Deus. Por isso os estudiosos preferem analisar a filosofia a partir de seus problemas: Metafísico, Epistemológico e Semântico-Hermenêutico. Equivocadamente ou de propósito, inclui-se o período Pré-socrático no Metafísico.
Período metafísico
     Época antiga, medieval e início da moderna. Grandes nomes desse período: Platão, Aristóteles, Sto Tomás e Descartes. Disciplina chave: metafísica (Ontologia), conceito chave: Ser.
Neste primeiro momento o pensamento está dirigido ao “mundo”, se o homem está incluso nesse mundo não tem importância. Os filósofos perguntam o que há e o que não há, ou que tipo de coisas (substância) existem e a partir das quais o mundo se compõe. A disciplina fundamental neste período é a metafísica e o conceito base é o ser. Os nomes representativos deste momento são Platão, Aristóteles, Tomás de Aquino etc.
     O discurso deste período é sobre objetos, mas não o único possível, é que se trata, sobre objetos de um tipo particular (os suprassensíveis ou não empíricos).
Desde de sempre a filosofia se perguntou não apenas o que é, mas o que deve ser, não apenas pelos princípios do ser, mas também da ação, ou mais especificamente, quais os critérios para diferenciar quando ajo bem e quando ajo mal. A disciplina filosófica que se ocupa desta questão é a ética. Neste período a fundamentação da ética está imbricada com a metafísica. Aquilo que devo ou não fazer depende daquilo que é (por exemplo, o como devo me ocupar é estabelecido por Deus). (PORTA, p. 159 e 160)
Período epistemológico transcendental
     Época moderna. Grandes nomes: (Descartes) e Kant. Disciplina chave: Epistemologia (teoria transcendental). Conceitos chaves: Verdade, Objetividade e validez.
Neste período em vez de perguntar pelo “ser”, a filosofia passa a perguntar pelo conhecimento. A epistemologia torna-se a disciplina fundamental e a verdade é o conceito chave. Esta virada, característica da modernidade, começa com Descartes e culmina com Kant, com quem adquire sua forma mais pura. Com Descartes, apesar de toda “subjetividade”, Deus desempenhava um papel essencial na fundamentação do conhecimento. Em Kant o conhecimento não será fundamentado em Deus, mas em si próprio.
     No período epistemológico o discurso dos filósofos deixa de ser sobre objetos, passando a ser um discurso sobre o conhecimento dos objetos. A pergunta já não é mais com respeito ao que há, mas ao saber do que há: se posso conhecer o que há, dentro de que limites, de que forma, sob quais fundamentos (a experiência ou uma fonte não empírica, a razão, a intuição pura, etc.), o que é e como chegar à verdade etc.?
     A mudança do discurso sobre o que há, para se posso conhecer o que há é uma mudança lógica. Pois, “antes” de nos perguntarmos sobre o que há, devemos nos perguntar se podemos conhecer o que há¹.
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¹ Este “antes” não é temporal, mas lógico.
     A mudança que ocorreu no nível teórico da metafísica à epistemologia, deu-se também no nível prático, na relação entre metafísica e ética: a ética deixa de fundar-se em Deus e passa a fundar-se na razão.
E o discurso transcendental procura fundamentar suas aspirações com validez universal, seja no conhecimento, seja na ética, seja com respeito à verdade do que é, seja com respeito à legitimidade do que deve ser. Logo, a filosofia não é mais um discurso sobre objetos, como no período anterior, mas sobre a “objetividade”, ou seja, sobre as condições de possibilidade do “objeto”. (Ibid, p.162)
Período semântico-hermenêutico
     Época contemporânea. Grandes nomes: Husserl, Dilthey, Heidegger, Frege, Wittgentein. Disciplinas chaves: Teoria da significação, Fenomenologia, Hermenêutica, Semântica (análise lógica da linguagem). Conceitos chaves: Significado Semântica: análise lógica da linguagem.
     Estamos na filosofia contemporânea, segunda metade do século XIX e início do século XX. O período contemporâneo é marcado pela divisão entre “analíticos” e “continentais”; a filosofia analítica surgiu na Inglaterra marcada pela reação ao idealismo hegeliano, em sua versão britânica pelas mãos de Husell e Moore, ao incorporarem à sua reflexão aos avanços lógicos realizados por Frege. Os “continentais” tratam sobre hermenêutica e fenomenologia que seria uma criação extemporânea de Husserl, motivadas pelas reflexões brentanianas sobre intencionalidade e pela crítica de Frege ao psicologismo de sua primeira obra sobre os fundamentos da matemática. Definir com clareza o que é filosofia contemporânea como nos períodos anteriores ainda está na ordem do dia. Os românticos da filosofia interpretam a filosofia do século XIX como uma superação heroica dos impasses do iluminismo de Kant, feita através de alguns nomes isolados como Nietzsche, Marx e Kierkegaard. Porém, ela é equivocada tanto como história quanto filosofia, ou, simplesmente, como história da filosofia. Os problemas fundamentais permanecem nesse modelo em última instância não respondidos; quando surgem as questões, o que caracteriza a filosofia contemporânea? Ou, ainda, quando e por que “termina” o período epistemológico? (PORTA p.159)
Pensadores contemporâneo
     São muitos os pensadores contemporâneos preocupados em definir com clareza o que é filosofia contemporânea, autores como Stuart Mill, Bolzano, Herbart, Trendelenburg, Lotze, Brentano, Marty, Stumpf, Fischer, Dilthey, Schleiermacher, Cohen, Natorp, Windelband e Rickert. Os membros do Círculo de Viena são: Schlick, Carnap, Neurath, etc. (AMARAL, Lucas Alessandro Duarte. Prof. Me. Aula I: A filosofia contemporânea do ponto de vista da história da filosofia).
Filosofia contemporânea e Nietzsche     
     A filosofia contemporânea ao criticar a metafísica faz renascer o espirito dos Pré-Socráticos, isto é, o racionalismo tenta outra vez, explicitamente se levantar contra a epistemologia criacionista, negando que existe um Deus Criador balizador da moral e da ética. Desta vez, o aparato epistemológico, científico e lógico existente para negar toda metafísica contemporânea, não se compara aos dos filósofos da natureza que não tinham nem se quer uma luneta para aponta-la para o universo cósmico ajudando-os em suas deduções. 
     Friedrich Nietzsche (1844-1900), adepto da filosofia do pré-socrático Heráclito, embora “não reconhecido como acadêmico engajado”, é o instigador desse “novo” espírito. Se a filosofia contemporânea é semântica, isto é, busca negar a metafísica pelo uso da linguagem é graças ao sucesso de Nietzsche como filólogo. Nos dois primeiros séculos do espírito filosófico, os Pré-Socráticos não deram conta de anular Deus do consciente da humanidade, forçando assim, os filósofos clássicos voltarem a valorizar a metafísica.
     A filosofia contemporânea em sua crítica à impossibilidade da existência de um Deus criador está mudando o comportamento da atual sociedade, pois, sem Deus e as tradições dos bons costumes, a razão pura aliada aos desejos e paixões é barbárie. Se o comportamento da atual sociedade mundial está mudando para pior não é sem causa. Pois, o super-homem de Nietzsche é aquele que valoriza este mundo com todas as suas pulsões em detrimento da moral, do Cristo crucificado, do amor fraterno, do socialismo comunista, da democracia, da negação do Velho Testamento e da vida eterna segundo ensina a bíblia. Mas quem são e onde estão estes super-homens que vivem além do “bem do mal”? Eles estão em todas as instâncias influenciando a sociedade agir como se no mundo não existisse nada superior a eles. No caso, o Deus bíblico (o bem) fundador da moral e da ética que eleva o ser humano. E, antagonizando a Deus, temos Satanás (o mal), “a vontade de potência, causa da transvaloração de todos os valores¹”. Que age nesses “super-homens nietzschianos” levando-os contra tudo o que é bom e nobre segundo os princípios bíblicos e os bons costumes. São eles: Políticos, artistas, escritores, filósofos, teólogos, cientistas, universidades seculares e cristãs, empresários, apresentadores de televisão, etc., são alguns exemplos de super-homens que negam os princípios bíblicos em nome da fama e pelo desenvolvimento de todas as paixões e sentimentos vis na sociedade que têm o espírito de rebanho, como se o mundo estivesse naturalmente condenado às barbaridades infames. Por influência desses “super-homens” a criminalidade, a maldade, o homossexualismo, o engano, a promiscuidade, a corrupção política, a ganância capitalista, as falsas crenças em falsos deuses, a pedofilia, a dúvida quanto a veracidade bíblica, a exploração do outro e as guerras são exemplos clássicos contemporâneos que assola tudo e a todos.
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¹ Novos valores significam, também, um novo olhar filosófico, científico e, por que não? Religioso. Religião não mais como fuga deste mundo, não mais como niilismo, o nirvana do budismo, mas como encontro do homem consigo mesmo em sua integralidade. Religião como sentido até diante do sem sentido, isto é, um mundo sem sentido não mais com empecilho para viver intensamente esta vida. Pelo contrário, valerá como estímulo para um “a mais” de vida. (SOUSA, p. 285)
Além do bem e do mal em Nietzsche
     Para Nietzsche, o bem e o mal são frutos da imaginação dos religiosos ocidentais que quer dominar e explorar o outro através do medo de pecar e consequentemente perder o paraíso e a vida eterna. Segundo Nietzsche a verdadeira religião é o Budismo que ensina as pessoas a buscar as respostas à todas as suas indagações em si próprio, sem nenhuma influência externa, pois, no interior de cada um estão as respostas aos problemas que os incomodam².
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² O budismo não promete, mas cumpre, o cristianismo promete tudo, mas não cumpre nada. (NIETZSCHE, p. 352)
     Nietzsche desconsidera toda história narrada nas páginas da bíblia, ele se acha o único digno de crédito, o sábio de todos os tempos, a verdade em pessoa, segundo a bíblia, Satanás tinha o mesmo espírito. Mas, como qualquer outro filósofo, não declara qual o fundamento de tudo, deduzindo que a ‘coisa em si’ é o Deus ordenador de tudo³ (Nietzsche é contraditório). Respondendo a comparação entre budismo e cristianismo: Quem não promete, mas cumpre, fácil, se não prometo, nada tem-se a cumprir.
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³ Como poderia algo nascer de seu oposto? Por exemplo, a verdade, do erro? Ou a vontade de verdade, da vontade de engano? Ou a ação não-egoísta do egoísmo? Ou a pura, solar contemplação do sábio, da concupiscência? Tal gênese é impossível: quem sonha com ela é um parvo, e mesmo pior que isso: as coisas de supremo valor têm uma outra origem, uma origem própria __ desse mundo perecível, aliciante, enganoso, mesquinho, desse emaranhado de ilusão e apetites é impossível deduzi-las! Pelo contrário, é no seio do ser, no imperecível, no Deus escondido, na ‘coisa em si’ __ é ali que tem de estar seu fundamento, ou em nenhuma outra parte. [...] (NIETZSCHE p. 269) 
     Triste é perceber que até mesmo entre aqueles que se dizem detentores das verdades bíblicas há os “pequenos super-homens” imitadores dos costumes mundanos como se Deus precisasse de dar as mãos ao Diabo para terminar sua obra na Terra. São esses os que mantém o espírito desafiador de Eva e Caim nos dias atuais, o assim diz o Senhor para eles é insignificante, e, o mais grave é que eles vivem do evangelho para negar o poder do próprio evangelho. Mas diz a bíblia a esses no Apocalipse: “sois pobres, miseráveis, cegos e nus”. O Espírito de Profecia os repreende: “pensam ser guiados pelo Espírito de Deus, estão na verdade seguindo uma imaginação trabalhada por Satanás”. (WHITE) p. 98)
     No século IV a. C. a filosofia clássica recorreu à metafísica para redirecionar as frustrações do racionalismo dos primeiros filósofos. Que farão os filósofos contemporâneos para redirecionar a barbárie anunciada pelo puro racionalismo que assola todos os princípios que foram fundamentados nos princípios universais contidos na bíblia e nos bons costumes sociais? Ou vamos, de braços cruzados, esperar para ver as últimas consequências do puro racionalismo? Não será essas barbáries o início do apocalipse que culminará com a intervenção de Deus nos negócios da humanidade? Para Nietzsche, toda arquitetura científica-política-filosófica-religiosa contemporânea, reconhecida como verdade universal e regional, é uma grande mentira. O maior argumento de uma pessoa de fé contra o racionalismo em defesa das proposições bíblicas e do Espírito de Profecia é viver segundo a luz desses escritos. Embora, filosoficamente falando, as vivências pessoais não sejam fundamentos para o conhecimento. Porém, é possível defender as proposições bíblicas e do Espírito de Profecia à luz da epistemologia filosófica-política-científica-religiosa contemporânea independentemente de minhas vivências e fé. (Grifo do autor)
Círculo de Viena
     É uma associação fundada na década de vinte por um grupo de lógicos e filósofos da ciência, tendo por objetivo fundamental chegar a uma unificação do saber científico pela eliminação dos conceitos vazios de sentido e dos pseudoproblemas da metafísica e pelo emprego do famoso critério da verificabilidade que distingue a ciência (cujas proposições são verificáveis) da metafísica (cujas proposições inverificáveis devem ser suspensas).     Ao recusar a introdução dos elementos sintéticos a priori do conhecimento, o Círculo, liderado por Rudolf Carnap, visando eliminar definitivamente a metafísica, prega que todos os enunciados científicos devem ser sempre a posteriori, pois não são outra coisa senão simples constatações, ou seja, enunciados protocolares, só tendo significado pelo conjunto lógico, isto é, pelos sistemas das transformações analíticas no qual se integram. Fica questionado, assim, o empreendimento de Kant.
    
Síntese das aulas do prof. Me. Lucas Alessandro Duarte Ama
     No Círculo de Viena há nomes como os de Ernst March, Richard Avenarius e moritz Schlick. Os dois primeiros não foram membros do grupo, mas algumas de suas ideias foram bem aceitas pelos demais membros.
__ Schlick caracterizou Mach e Avenarius como “positivistas da imanência”, (pois, diziam eles: os dados que estão no interior do ser e da natureza, dados imediatos, não devem ser ignorados), sendo que a função da ciência é a de trazer a luz a mais simples descrição da dependência mútua dos elementos qualitativos (sejam cores, odores, sons, etc.). No entanto, para Sclick, ambos estariam equivocados no seguinte aspecto: é errônea a posição que defende a física que trata somente das coisas reais que nos aparecem (daí porque do nome: ‘Positivista da imanência’). O que Schick quer dizer é: precisa-se admitir a existência de coisas e processos que não nos são dados. Enquanto que para Mach e Avenarius o que se encontrava em jogo era tão somente os dados sensíveis.
Paralelos e distanciamentos entre Kant e os empiristas modernos
     Para entendermos o empirismo moderno, precisa-se compreender a relação deste com a filosofia transcendental de Kant. Mesmo que aja uns cem números de distanciamento entre Kant e os empiristas, há ao menos um ponto de convergência entre eles (a coisa em si não é possível conhece-la). Igualmente, aos empiristas modernos, afirmava Kant, é possível o conhecimento daqueles assuntos pretendidos pela metafísica especial como: Deus, alma e Mundo.
Se o anterior representa alguma semelhança, para o Círculo de Viena, as diferenças que podem-se mencionar de início se concentra em um tipo de juízo que para Kant é fundamental e para os membros do círculo é simplesmente rejeitado. Trata-se da classe correspondente aos juízos sintéticos a priori.
Para Kant, todas as ciências (e ele tem em mente especificamente a física, a matemática e, eventualmente, a metafísica) são possuidoras desses tipos de juízos, os sintéticos a priori; ou seja, juízos que nos proporcionam conhecimento novo (acumulativo) e que são universais e necessários. Nesse sentido, toda ciência, e até mesmo uma ciência empírica, repousa sobre um fundamento sintético a priori. Lembremo-nos que isso faz sentido para Kant porque ele tinha em mente o conceito de ciência clássica, (que ciência é conhecimento universal e necessário). Por isso, até Kant, é legítimo admitir se há conhecimento a priori na metafísica e, caso haja, qual o fundamento (ou, em termos aristotélicos: ‘como há’) da sua validade.
Mas os empiristas modernos nem se quer discutiram com Kant se estava certo ou não suas colocações, simplesmente recusaram o ponto de partida de suas reflexões ao dizer, não existe juízos sintéticos a priori. Mais uma vez lembremo-nos que os modernos julgavam ser ‘metafísica’ toda doutrina que pretenda fazer quaisquer afirmações sobre a realidade sem o recurso da experiência¹.
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¹ Kant deve ser lembrado na história da filosofia que ainda está por vir. Filósofos clássicos são aqueles que mudam a maneira de pensar de uma época e Kant, sem a menor dúvida, foi um desses.
     Assim, para os empiristas modernos nem a matemática e nem nas ciências naturais encontramos sentenças do tipo ‘sintéticas a priori’ ².
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² Lembrando que para Kant o termo a priori possui duas acepções, são elas, (1) não-empírico e (2), universal e necessário.
Matemática
     A matemática, diriam eles, é fundamentada na lógica. Porém, se retomarmos Kant essa foi justamente uma de suas mais conhecidas críticas a Leibniz (contra a tese de que a matemática é uma disciplina analítica e, portanto, fundamentada na lógica).
Ciências naturais
     Para Kant, todas as ciências naturais necessitam de fundamentos sintéticos a priori. Isso, aos olhos dos empiristas repousa sobre um falso pressuposto, pois, nem para a formação de conceitos das ciências empíricas, nem para o problema da confirmação de teorias empíricas é preciso recorrer a pressupostos apriorísticos dos tipos que Kant aceita³.
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³ Como por exemplo as intuições puras de espaço e tempo, ou as categorias do entendimento (p. ex. a unidade)
     Assim, a tentativa de Kant de resgatar algum tipo de metafísica ao dizer que para fazer uma ‘boa’ metafísica é preciso que se cumpram as exigências por ele imposta (como está nos prolegômenos), aos olhos dos empiristas não se trata de possível e que se quer tem algum futuro.
Então, em vista de que não há sentença sintética a priori, a pergunta central da epistemologia kantiana, sobre se tais sentenças existam e qual o fundamento de sua validade, carece de sentido; em virtude disso, não faz sentido elaborar toda uma teoria sob os moldes de Kant.
Sendo assim, Schlick coloca novamente em cheque o problema que Kant acreditava ter superado: o problema da coisa-em-si.
Os fenômenos
     Para Kant, o único conhecimento possível aos seres finitos, se restringe aos fenômenos, ou, conhecemos somente o modo como as coisas nos aparece. Simplificando, para ele, os fenômenos, sejam os da experiência interna ou externa, são representações dadas no espaço e no tempo, e no limite do tempo. Logo, para Kant, aquilo que podemos conhecer enquanto sujeitos cognoscíveis é apenas o modo através do qual ele nos aparece, não o que aparece. Para ele, o que é meramente pensável não é conhecimento, mas, mera ilusão; e esse fora o erro de muitos filósofos e escolas filosóficas. Assim sendo, quando o filósofo restringe o conhecimento ao âmbito dos fenômenos não há pretensão de se conhecer assuntos como Deus, Alma e mundo, todos esses, sabidamente, pretendidos pela metafísica.
Porém, para Schlick, contrariando toda tradição, a relação de conhecimento não se trata tão só de uma relação entre sujeito e objeto, e sim, de uma relação de três elementos: (1) sujeito; (2) objeto; (3) aquilo que é objeto tal como reconhecido pelo sujeito. Logo, schlick admite a existência de coisas e processos que não nos são dados. Nesse sentido, não haveria problema em se falar de uma coisa-em-si.
Schlick X Kant
     Para Schlick, a pergunta kantiana sobre a possibilidade de conhecimento dos fenômenos e das coisas-em-si não passava de um pseudoproblema, uma vez que ao existir uma correspondência unívoca entre o fenômeno e a coisa-em-si, por exemplo: a cadeira enquanto fenômeno e a cadeira enquanto coisa-em-si.¹ Se é assim, não há problemas, pois ambos são a mesma coisa.
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¹ Para Kant, para todo fenômeno há uma coisa em si que o corresponde.
Schlick, na contramão de Kant, sustenta que o conhecimento do mundo fenomênico acarretaria no conhecimento da coisa em si, ainda que nos sejam dados, de maneira imediata, somente objetos do mundo fenomênico.
Assim sendo, a posição kantiana no que tange a questão daquilo que conhecemos, que repousa na associação do conceito de conhecimento ao conceito de dado intuitivo, para Schlick, tal associação é falsa.
O propósito do radicalismo de Schlick
     Até mesmo no âmbito científico assumimos certos dados que a experiência não é capaz de explicar suficientemente. Por exemplo: (para cada eleito obtido há uma causa para o mesmo). Pois, para se elaborar as leis da física, tem-se que admitir outras coisas que a experiência sensível não nos dá.
Essa visão realista é extremamente razoável e radical. Enquanto muitos defendiam a tese de que o único fundamento das coisas são os dados sensíveis, para Schlick temos que assumir, na ciência inclusive, certas coisas que não nos são dadas empiricamente. Logo, para Schlick, enquanto filósofo, o passo importante que é preciso ser dado, é distinguir rigorosamente o conceito de conhecimento, daquele de vivência e intuição; pois, conhecer não é intuir.
- Para Sclick, o conhecimento existe quando reconhecemos algo qualquer e encontramos nele certas características correspondente nesse algo. No conhecimento científico ocorre algo parecido: quando um físico reconhece o calor, o que ele faz é reconhecer nele características do movimento molecular próprias do calor. E como ele faz isso? Na medida em que se esclareça de modo claro, adequado e econômico a função dos conceitos científicos. Assim, a diferença entre conceitos científicos e das vagas representações cotidianas se dá pela exatidão e precisão dos conceitos científicos. Logo, a essência dos conceitos científicos consiste em serem eles signos unívocos de objetos. Também, a noção de verdade deve ser reduzida ao conceito de associação unívoca, isto é, os juízos são verdadeiros quando são univocamente associados a fatos, caso contrário, são falsos. No entanto, um sistema de sentenças verdadeiras ainda não é conhecimento científico.
- Para a ciência, não basta apenas o método empírico, é preciso também a comunicação precisa através de conceitos intersubjetivamente inteligíveis. Ela existe na medida em que a discussão é possível, e só pode haver discussão entre mim e outra pessoa na medida em que somos capazes de esclarecer, com suficiente exatidão, o significado das expressões que usamos. Assim, para o moderno empirismo, a filosofia metafísica não fracassa apenas em virtude da falta de comprovação empírica das sentenças por ele expressada, mas fracassa também em virtude da insolubilidade do problema referente à comunicação, relativa, particularmente, aos conceitos metafísicos.
- Para Wittgenstein, os problemas filosóficos, sejam eles quais forem, repousam, em última análise, no mau uso da linguagem. Carnap, foi outro que buscou a solução do problema linguístico criando um sistema de linguagem formalizado para substituir a linguagem cotidiana, sua obra: Construção lógica do mundo (1928)
- Dada a forte atitude científica, os empiristas modernos insistem em uma distinção clara entre ciência de um lado, e a arte e a religião, de outro.
- Em cada um desses dois âmbitos existem características próprias em cada um deles. No âmbito da arte e da religião, a noção de vivência desempenha um papel fundamental; já no âmbito da ciência, esse mesmo conceito pouco ou nada importa.
- Em boa medida por isso, os empiristas modernos insistiram em distinguir os seguintes conceitos:
(I) conhecimento (algo intersubjetivamente válido);
(II) vivência (algo particular que, por definição, não é intersubjetivamente válido).
Reflexão sobre o conhecimento e Deus
     A grande questão é: quem ou o quê, além de Deus, provocou no homem a busca por uma nova epistemologia lógica, empirista e semântica/analítica? Se prestarmos atenção na história da filosofia e seus problemas, perceberemos que Deus como criador e mantenedor do universo segundo ensina a bíblia por meio da história de Israel, do nascimento de Cristo e de seu evangelho, é O grande instigador do saber, seja, quando o homem tenta provar sua existência por meios lógicos, ou negando-O pelo método empírico, ou ainda, pela filosofia semântica, alegando que as proposições metafísicas, embora tenham sentido, não são passíveis de análise lógica, empírica e semântica. Logo, Deus é o único meio que o homem encontrou para alavancar o “desenvolvimento” epistemológico-científico-lógico-semântico neste mundo. Assim sendo, Deus não se deixa escarnecer, demonstra que ama a todos até o juízo final, e, que, mesmo na destruição dos ímpios, há demonstração de amor para garantir o bem eterno, impedindo que o mal volte ao cenário universal. (Grifo do autor)
Filósofo Isaías Correia Ribas
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
NIETZSCHE, Wilhelm Friedrich. OS PENSADORES. Ed. Abril Cultural. São Paulo – SP, 1978
PORTA, Mario Ariel Gonzáles. A FILOSOFIA A PARTIR DE SEUS PROBLEMAS. Ed. Loyola. São Paulo – SP, 2002
SOUSA, Mauro Araújo. NIETZSCHE ASCETA. Ed. UNIJUÍ. Ijuí – RS, 2009
WHITE, Ellen Golden. MENSAGEM ESCOLHIDA – II. Ed. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí – SP, 1986  






  




    

   

domingo, 29 de junho de 2014

NEOKANTISMO - POSITIVISMO E REALISMO X DEUS E "DEUSES"


     O real é o que existe na natureza, os objetos e teorias aplicadas; isso tanto faz para o senso comum como para as mentes mais críticas. Logo, definir o que é metafísica dentro deste contexto, segundo as conclusões da filosofia contemporânea, não é tarefa fácil. Pois, para os pensadores contemporâneos toda metafísica são pseudoproblemas, algo que não deve ser levado em conta, assim pensam os positivistas, “físicos”, “matemáticos”, “geômetras” e filósofos naturalistas.
O que é a luz?
     Durante a noite, antes da descoberta da eletricidade, a luz era o resultado da queima de um combustível que gerava o fogo e consequentemente a luz. Sem dúvida, todos esses fenômenos existem e são reais enquanto há queima de combustível; apagando-se o fogo, acaba-se a luz e reina a escuridão, mas a possibilidade da realidade continua existindo. Nesse contexto onde há combustível, fagulha, oxigênio, fogo e luz, não está presente o metafísico, todos os fenômenos são físicos, reais.
     O átomo é uma teoria. Não o vemos; como também não vemos o elétron, os prótons e os nêutrons, percebemos apenas os fenômenos dessa teoria aplicada, cujos resultados são: luz elétrica, o choque elétrico que nos faz tremer e que, dependendo da amperagem (carga elétrica) pode causar a morte do sujeito, no girar de um motor e outros milhões de aparelhos que funcionam a partir da geração da tensão elétrica gerada a partir de uma hidrelétrica ou outra fonte qualquer que gere uma tensão ou força. Para que todos esses fenômenos aconteçam à nossa percepção, não existe nenhuma interferência metafísica, tudo é produto da razão pura aplicada empiricamente, isto é ciência positivista. Logo, dizer que há um deus por trás de toda essa engenharia é delírio, ignorância. E, caso alguém queira criar um problema metafísico por causa da impossibilidade de vermos o átomo e os elementos que o contém, esse problema será um pseudoproblema. Pois, o que interessa à ciência positivista é a realidade existindo a partir de uma teoria aplicada.
Ciências exatas e leis:
     A matemática, a física, a geometria e as legislações também são criações da razão pura. E, assim sendo, não cabe a ninguém em sã consciência deduzir qualquer tipo de metafísica nessas ciências¹.
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¹ Se dissermos, por exemplo – como ocorre de há muito tempo a esta parte –, que a metafísica é a doutrina sobre “o ser verdadeiro”, sobre “a realidade em si mesma”, sobre o “ser transcendente”, não podemos deixar de observar que a expressão “ser verdadeiro” e “ser real” dá a entender que se lhe contrapõe um ser não verdadeiro e não genuíno, inferior e aparente, como supõe todos os metafísicos desde dos Eleatas e Platão.
Este ser aparente seria o ser das aparências ou “imagens” (species). Ao passo que as realidades verdadeiras e transcendentais só seriam atingíveis, com esforço, para os metafísicos, as ciências particulares só teriam que ocupar-se com as “imagens”, sendo-lhes o seu conhecimento plenamente acessível.
A diferença e oposição entre as duas “espécies” de ser, no que diz respeito à sua cognoscibilidade, estaria em que as imagens nos seriam conhecidas diretamente, nos seriam “dadas”, enquanto que a realidade metafísica só poderia ser deduzida delas por vias indiretas.
Com isso parece havermos chegado a um dos conceitos fundamentais dos positivistas, pois também eles falam constantemente do “dado”, e formulam geralmente o seu princípio fundamental no enunciado de que tanto o filósofo como o pesquisador das ciências naturais devem ater-se ao “dado”, e de que um ir além – como tenta fazer o metafísico – seria impossível ou careceria de sentido. [...]
Se a rejeição da metafísica por parte do positivismo equivale à negação da realidade transcendente, parece ser a conclusão mais natural do mundo que ele só reconhece realidade ao ser transcendente. Assim, o princípio básico do positivismo parece rezar: “somente o dado é real”. (CARNAP p. 40 e 41)
Dia e noite:
     O sol, as demais estrelas, a lua e os planetas que conhecemos fazem parte do ilimitado universo que o planeta Terra está inserido. O sol é uma estrela que ilumina e aquece nosso planeta. Como a Terra gira em torno do sol e de seu próprio eixo, temos o dia e a noite e as diferentes estações climáticas. Como a lua é um satélite natural da Terra, e ela recebe alguma luz do sol, a escuridão da noite é diminuída pela ação desse satélite. Desde que o homem existe essa mecânica celeste permanece inalterada. E eu e você sabemos que homem algum criou esse sistema, porém, ele existe e é real, tanto para os iletrados como para os letrados. Apesar dos milhares de anos de ação dessa engenharia universal, o combustível do sol não diminui e a temperatura permanece a mesma, as variações que há dão-se por causa dos movimentos (rotação e translação) da Terra. Diante desses fatos, a cognição humana, tanto do senso comum como a dos mais célebres e letrados homens, vê com admiração e espanto a impenetrável engenharia celeste como se fosse um Deus em si. O sol é o astro de maior grandeza da galáxia em que estamos inseridos, por isso foi eleito pelos célebres letrados como o grande Deus do universo, digno de culto. E, em memória desse deus, escolheram um dia da semana para adorá-lo. Esse dia é o domingo (Sunday) dia do sol. Então, quando os adoradores católicos, protestantes e espiritualistas vão às suas igrejas nesse dia, estão adorando o deus sol. Como o homem é contraditório! Ele não criou nada no universo, mas foi capaz de separar um dos astros celeste e elegê-lo como seu deus. O deus sol é criação da razão pura adotado pelo cristianismo, logo, todos os cristãos adoram esse falso deus como se o sol fosse o criador de todas as coisas. Pergunto, existe metafísica nessa realidade religiosa? Não. Pois essa realidade é razão pura, invenção humana, logo, pseudoteologia, pseudometafísica, pseudofilosofia e pseudociência, porém, os problemas existem e são reais, pois afetam diretamente a boa fé dos indivíduos enganando a todos.
Vida e morte:
     A vida e a morte também existem e são reais. Mas a questão que perturba qualquer um que reflete sobre a origem da vida e da morte é: de onde viemos e para onde vamos além da realidade biológica? Até hoje nenhuma teoria científica, filosófica e religiosa conseguiu avançar além das revelações bíblicas. Muitas hipóteses já foram formuladas e pesquisadas, mas nenhuma se confirmou verdadeira ou falsa segundo os métodos do empirismo positivista.
Deus e o logos:
     Segundo a bíblia Deus criou todas as coisas através do ‘logos’ (palavra); Ele falou e, a Seu mando, o planeta Terra que era coberto de águas e escuridão foi-se moldando segundo a vontade do Criador que resolvera habitar o planeta com seres vivos, e assim, o céu astral, a natureza, e os animais foram aparecendo conforme a vontade do Deus Criador. Tudo foi criado em sete dias literais. No sexto dia ele criou Sua obra prima, um ser à Sua semelhança; logo, o homem foi criado à imagem de Deus. A semelhança física é comprovada por meio de Jesus, Seu único filho que se encarnou para salvar a humanidade. A semelhança racional é comprovada pela capacidade que temos de pensar e executar o pensado, da comunicação através da fala transmitindo cultura e conhecimento; Essa capacidade intelectual foi dada somente ao ser humano; mas o bem maior dado aos homens foi, liberdade de agir segundo a sua vontade. Logo, o homem não foi determinado para obedecer e nem para desobedecer, mas foi capacitado para entender, compreender, ter consciência e agir segundo seu entendimento, baseado nessa capacidade intelectual, Deus orientou o homem de que sua felicidade eterna dependia de seguir Suas instruções. Nos outros animais a inteligência é instintiva, isto é, o comportamento se mantém o mesmo, único em cada espécie, isto é, os animais não agem segundo sua vontade, mas pela necessidade biológica, foram condicionados. Toda criação ocorreu no contexto da eternidade; isto é, tudo foi criado fora do contexto da morte, a eternidade estava condicionada à fidelidade às instruções divinas, pois, a desobediência já ocorrera no universo; mas, como Deus é o Deus da liberdade, o mal causado por Lúcifer teria que desenvolver para que as criaturas racionais do universo fizessem suas escolhas, pois, Deus determinara um tempo para Satanás desenvolver seus ideais pondo-os em prática diante das criaturas racionais.
O ser humano é especial porque nele se manifesta o físico e o metafísico. A natureza e o Divino compõe o homem. Nossa parte física Deus moldou do barro; e o metafísico deu-se através do Seu sopro vital. Isto é, o espírito de vida é a razão que há em nós, por isso o homem é uma alma vivente, racional e inteligente. Então, o homem existe e é real, porém, há uma realidade metafísica expressa na realidade física, natural. Na morte, dá-se ao contrário da vida: o pó, matéria física volta ao pó. E a vida, que é o sopro divino, volta a Deus que o deu.
A teoria ou filosofia de que o homem é composto de um corpo mortal e uma alma imortal que reencarna, é filosofia platônica, copiada dos orientais pitagóricos que Platão trouxe para Atenas, ensinando através do mundo das ideias que, a realidade é expressa no que pensamos e não no que se vê, posteriormente, na Idade Média, seu mundo ideal foi incorporado ao cristianismo como teologia, porém, essa teoria não condiz com o ensino bíblico, se parece, mas é falácia filosófica.
Filosofia do sagrado além do cristianismo:
     Os fundamentos científicos e/ou naturais quanto ao dia e a noite são universais. A divergência se dá em relação ao objeto sagrado. Para os cristãos, o sol é o objeto de culto, um deus pagão, e o dia sagrado separado para cultuá-lo é o domingo. O idealizador e mantenedor do sagrado dos cristãos é o Vaticano através do papado que se diz representante de Deus na Terra. No Vaticano não existe metafísica, somente razão pura.
     Para os árabes e mulçumanos, Alá é Deus único e o objeto que o representa é a Caaba (pedra negra). Maomé é o profeta, a figura mais importante do Islamismo; nasceu em Meca no ano 570, e idealizou política e religiosamente o mundo islâmico.
Abraão, elo comum entre judeus, cristãos e árabes:
     Abraão é o pai da fé dos judeus, cristãos e árabes. Os cristãos seguem a tradição bíblica onde os descendentes de Isaque deu origem aos judeus e tradicionalmente aos cristãos, dessa linhagem nasceu Jesus Cristo. Os árabes descendem de Abraão segundo a linhagem de Ismael, filho de Abraão com sua serva egípcia, Agar. Disse o anjo do Senhor a Agar quando fora expulsa da casa de Abraão para cumprir com a vontade de sua esposa Sara, com o consentimento do próprio Deus; assim seria a descendência de Ismael: “Ele será como um jumento selvagem entre os homens; a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos”. (Gênesis 16: 12)
Diferente dos cristãos, o dia santo para os árabes mulçumanos é a sexta-feira.
“Diferenças religiosas no mundo”:
     Fundamentalmente existem quatro teorias e quatro sagrados dignos de cultos que distinguem todas as denominações religiosas do planeta, a saber: o sol para os cristãos; a Caaba (pedra preta) para os mulçumanos; o interior do sujeito para os budistas; e o Deus bíblico para os Adventistas do Sétimo Dia:
1 - O sol é o deus dos cristãos, me parece que, o que há de comum entre cristãos e budistas, é o dia santo, o domingo.
2 - Alá, reverenciado através da Caaba, é o deus dos árabes muçulmanos, o dia santo para adoração é a sexta-feira.
3 - Os budistas se voltam para o seu interior, pois, entendem eles, que a meditação é o meio eficaz para resolver todos os problemas e encontrar o nirvana (estado de paz interior permanente alcançado quando se perdem os sentimentos negativos). Atualmente, Buda não é uma pessoa, mas um título; o primeiro Buda foi Sidarta Gautama, é considerado o mais brilhante, nasceu no século VI a. C.; Sidarta (aquele que realiza todos os desejos) nasceu em Lumbini, região das planícies do Terai, norte da Índia, território pertencente hoje ao Nepal.
4 - E por último temos a orientação bíblica que nos revela o Deus Criador e Mantenedor de tudo o que há.
_ A igreja defensora de todos os princípios bíblicos vigentes para a atualidade é a instituição Adventista do Sétimo Dia.
_ Ela tem uma profetisa que a orienta sobre a validade dos princípios bíblicos e como aplicá-los na vida cristã, “afastando a hipocrisia de seu meio”: Ellen G. White (1817-1915).
_ Tem consciência de que a mensagem bíblica de apocalipse 3: 14-22, o último período da igreja cristã, Laodicéia,  é aplicado aos adventistas do sétimo dia.
_ Sabe que há devotos falsos e verdadeiros convivendo no mesmo recinto (igreja).
_ Não ignora que muitos se tornam membros, pastores e profissionais legais da igreja para usufruir profissionalmente da instituição.
_ Declara abertamente que ser profissional da instituição não significa garantia de salvação, que, em todas as igrejas (religiões) há pessoas fiéis que serão salvas, pois, Deus é o justo juiz que julga segundo as intenções do indivíduo, porém, uma vez consciente da verdade, não segui-la, o indivíduo se torna pecador por opção, logo, ciente de sua perdição; pois Deus não se deixa enganar e nem convive com o engano. Então, a ignorância por opção com relação aos escritos bíblicos e os escritos do Espírito de Profecia de Ellen G. White é sinônimo de perdição, mas quem julga é Deus, não a igreja.
_ Exorta a todos que as formalidades legalistas e às tradições sem consciência e compromisso com a sua salvação e a do outro não é o caminho condizente com a obra de Cristo, podendo levar o indivíduo cair na hipocrisia.
_ Que, só há um meio de ser salvo: aceitar a Jesus como seu salvador pessoal e buscar ter consciência própria por meio do exame das escrituras sagradas com a disposição de incorporar suas instruções à vida. Qualquer coisa menos que isso é autoengano.
_ Bem aventurado o que lê e bem aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nelas estão escritas; porque o tempo está próximo. (Apocalipse. 1: 3) Então, deduz-se que, o fundamento da salvação é Cristo, mais a incorporação dos ensinamentos bíblicos ao modo de vida. Pois ninguém será salvo sem uma experiência pessoal com Deus através dos meios que Ele disponibilizou a todas as pessoas.
_ Por último, mas não é tudo; os únicos e legítimos representantes de Deus na Terra são: suas duas testemunhas, o Velho e Novo Testamento como a luz maior; o Espírito de Profecia, escritos da profetisa White, a luz menor que encaminha à luz maior; e o Espírito Santo que convence o pecador da justiça, do juízo e do pecado quando ele busca compreender por si mesmo o plano de salvação.
Metafísica
     A metafísica foi a principal disciplina e preocupação filosófica de todos os tempos, logo, o maior período filosófico; corresponde ao período histórico da época antiga, medieval e início da moderna; os grandes nomes são: Platão, Aristóteles, Santo Tomás e Descartes. O conceito chave é o ‘ser’. A partir de Immanuel Kant (1724-1804), um protestante Pietista, a metafísica, ou revelação, foi questionado como sendo conhecimento digno de crédito como fundamento da moral e do juízo, logo, a razão é superior a revelação e, assim sendo, a razão aliada ao empirismo deve ser o fundamento de todo conhecimento. A metafísica só serve para criar ídolos, e Deus, O Criador, é impossível conhecê-lo. O neokantismo é um esforço para o renascimento da filosofia, de Kant, pois, para ele, Deus, o absoluto, não se tem acesso empírico.
Internet:
     Uma ferramenta que está sendo usada para derrubar todas as fronteiras já levantadas para separar. Políticas totalitárias e abusivas contra o outro estão caindo em todo o mundo. Monopólios das grandes mídias (TVs) estão sendo invadidas por essa “pequena” mídia que constrói e destrói valores. Fronteiras estatais e blocos políticos de negócios estão ultrapassados, por isso são desmantelados. Segredos de Estados se tornam cada vez mais públicos. As metafísicas religiosas construídas para alienar e enganar se ruem, e as opiniões particulares infundadas se vão como folhas do outono. A filosofia não consegue mais manipular com seus discursos elaborados, incompreensível ao homem comum; Fronteiras geográficas se foram e o mundo é cada vez único. Os princípios morais de todas as religiões são desfeitos porque todas as religiões banalizam o sagrado em nome do egoísmo e da fama. Enfim, a verdade e a falsidade de tudo vão aparecer. Então, as vitórias temporal e atemporal são para os sábios e verdadeiros!    
 
Filósofo Isaías Correia Ribas

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
CARNAP, Schlick. OS PENSADORES, Ed. Abril Cultural – São Paulo – SP, 1980.

    




    



domingo, 22 de junho de 2014

TEOCÊNTRICO E TEOCRÁTICO


     Entende-se por teocêntrico: Deus no centro de tudo; o Deus ao qual me refiro é o Deus bíblico; único Deus autêntico não inventado pelos homens, pelo contrário, Ele é o criador de tudo o que há, tanto o físico como o metafísico. Todas as outras formas simbólicas de deuses são invenções humanas para alienar o próprio homem. O homem é a criatura entre todas as outras que mais se aproxima de seu Criador, pois, o físico e o metafísico estão expressos em cada ser humano. É essa complexidade que nos dá condições de criar obras de artes e outras invenções cognitivas capaz de falsificar por meio de cópias, ou imitações da originalidade divina.
Teocrático: forma de governo exercido pela classe sacerdotal. Isto é, a política depende de uma religião para governar, pois, em nome de Deus os governos se tornam absolutos, assim, fica mais fácil para dominar a população. A origem desse sistema vem de antes dos escritos bíblicos. Pois, após o pecado, Deus e os deuses passaram a influenciar as formas de governar tanto para os filhos de Deus como para os filhos dos homens. Então, antes da escrita Deus e os deuses já influenciavam na cognição, na política e na religião dos povos. Com a escrita Moisés iniciou os registros do passado que fora mantido pela tradição e cultura dos povos desde Adão até Moisés. Então concluo que, esse sistema Iniciou bem antes da invenção da política pública dos gregos. Os filhos de Deus representados pelos descendentes de Adão por meio de Sete é o exemplo original desse sistema. Mais tarde, quando Deus organiza seus representantes por meio de uma nação politicamente organizada, aparece a figura do sacerdote que passa a ser o representante e intercessor entre Deus e os homens. Arão, irmão de Moisés, foi o primeiro sumo sacerdote do povo de Israel enquanto Israel vagueava pelo deserto rumo à Canaã prometida a Abraão. Esse sistema teocrático durou até a morte de Cristo. Uma vez que a promessa de Deus cumpriu-se com nascimento, vida e morte de Cristo, todo sistema teocrático que Deus criara para dizer aos homens que haveria um salvador, terminou com a morte de Cristo. Então, deste Sua volta ao céu para preparar-se para a última intervenção de Deus nos negócios da humanidade por ocasião de Sua segunda vinda toda teocracia divina deixou de existir, Logo, tudo o que existe na atualidade que tenha esse cunho teocrático é falso, continua sendo meios falaciosos para desviar as pessoas de conhecerem o meio divino para a salvação dos homens. Então, somente Jesus é sumo sacerdote, intercessor entre Deus e os homens, e a bíblia, o único livro que revela os planos de Deus e Suas leis às nações entre milhares de falsas denominações religiosas que existem para enganar. Logo, religião também é uma forma disfarçada de ateísmo.
Cristianismo
     O cristianismo atual é uma falsificação do sacerdócio judaico, uma forma política criada pela própria religião para enganar os ocidentais. O centro desse engano é o Vaticano e toda teologia que nega os escritos bíblicos, dando aos cristãos uma falsa visão do que é religião verdadeira que conduz à salvação segundo os ensinamentos bíblicos. Esse sistema falacioso começou no século V d. C., coincidindo com o início da Idade Média, quando o catolicismo conseguiu o poder absoluto sobre o Estado e a igreja. O atual mundo, dito desenvolvido, ainda continua refém da ignorância político-religiosa medieval. Mas a questão é: como é possível essa manutenção em pleno século XXI? Isso se dá porque os ditos sábios filósofos e outros racionalistas são funcionários desse sistema mãe de toda sorte de engano, ganham a vida sendo funcionários de suas universidades, como as universidades são as responsáveis pelo saber e sua difusão, fica fácil para manter a mentira em nome de uma “verdade”. No mesmo caminho e lógica estão às universidades “protestantes”, que, fingem que protestam, mas, na real, são apenas mais um sistema que engana em nome de Deus. Então, a única conclusão plausível que podemos inferir é: Deus, Seu filho Jesus Cristo e o plano se salvação foram substituídos pelos sistemas religiosos inventados pelos homens. Há países ocidentais como a Rússia, por exemplo, que, além da igreja Ortodoxa russa, o islamismo, o budismo e o judaísmo têm o direito de pregar e praticar sua religião em público ou privado. Por conta disso é um dos países com maior número de ateus e agnósticos. Porém, há que reconhecer que o ateísmo e agnosticismo russo é fruto do ateísmo de Marx e seu socialismo. Essas religiões geralmente estão relacionadas a um grupo étnico. Mas há também católicos e protestantes. Enfim, Todas as nações precisam de um ou vários sistema religioso para alienar seus concidadãos, deixando livres os políticos para sacramentar a dominação, dando poder aos religiosos fazer o trabalho sujo em nome de Deus; e assim, a classe política mundial trabalha para os poderes constituídos em detrimento da população e das verdades bíblicas.  
Daniel e Apocalipse:
     Esses dois livros da bíblia, um do Antigo Testamento (Daniel) e o Apocalipse do Novo, são livros proféticos, suas profecias tratam desses falsos sistemas religiosos e as políticas que todas as nações estão envolvidas. A paciência de Deus para formular toda essa didática foi com a intenção de salvar aqueles que queiram estar com Ele por toda a eternidade que se iniciará na próxima intervenção de Deus nos negócios da humanidade que se dará por ocasião da segunda volta de Cristo. Salvar-se-á os que aceitarem a Jesus como seu Salvador pessoal, guardarem os mandamentos de Deus segundo as escrituras e viverem segundo o testemunho de Jesus. Qualquer coisa menos que isso, segundo a bíblia, não tem valor para a salvação.
“Examinai as escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim”. (João 5: 39)

Filósofo Isaías Correia Ribas


segunda-feira, 16 de junho de 2014

"CRISTIANISMO, SOCIALISMO, HINDUÍSMO, CONFUCIONISMO, BUDISMO E ISLAMISMO SÃO DIFERENTES FORMAS DE DEÍSMO E ATEÍSMO"



     Todas as religiões citadas acima são formas de governos “teocráticos” e/ou absolutistas, utilizadas como meio de alienação da população; exceto o socialismo que é uma forma de governo ateísta, mas, na realidade, o idealismo socialista-comunista de Karl Marx e Engels é o de adaptar a profecia do livro de Isaías ao materialismo histórico mundano. Logo, não é por acaso as frustrações do socialismo comunistas no mundo. O conceito religião aparece nos escritos bíblicos no Novo Testamento. (Tiago 1: 27) Antes de todas essas formas de governos inventadas pelos homens, havia, segundo a bíblia, os ‘filhos de Deus’ e os ‘filhos dos homens’. (Gênesis 6: 2) Os filhos de Deus é uma referência aos descendentes de Adão através de Sete. Os filhos dos homens refere-se aos descendentes de Caim, o primeiro assassino. Quando Caim matou seu irmão Abel, abandonou sua família e fundou uma cidade para si, como não se arrependera do erro que cometera, criou diferentes formas de deuses para preencher o vazio em que caíra. Ainda segundo a bíblia, com o passar dos anos, os filhos de Deus uniram-se em casamento com as filhas dos homens; dessa união se deu a corrupção do gênero humano, onde os deuses criados pelos homens era objeto de culto da maioria daquela geração; casavam-se e se davam em casamentos e urgias.  Assim, surgiram os deístas e ateístas, pessoas que creem em deuses, mas negam a existência, a revelação e as leis do Deus bíblico em vigor na atualidade.
A corrupção do homem e a solução divina:
     E Deus se “arrependera” de haver criado o ser humano. Mas o patriarca de uma família ainda permanecia crendo no Deus que criara todas as coisas, e Deus o incumbiu de alertar aquela geração de que Ele iria intervir na história do homem dando-lhe outra oportunidade; quem quiser se salvar terá que dar crédito às minhas promessas, pois tudo será destruído pelas águas que inundarão o planeta. Por cento e vinte anos Noé pregara enquanto construía a arca da salvação. No final dos anos Noé acabara a construção e, com sua família entraram para aguardar o cumprimento da profecia. Aguardou mais sete dias, enquanto repousava na promessa, aqueles que estavam do lado de fora zombavam da família fiel, pois não havia nenhum indício de chuva que inundaria o mundo, porém, no final dos sete dias, a nuvens se formaram e os trovões soaram anunciando o fim de tudo, nesse momento os descrentes caíram em si e imploraram por misericórdia a Noé, mas não fora ele quem trancara a porta, Deus havia fechado e ninguém poderia abri-la, assim, o dilúvio veio e destruiu a todos, salvando-se apenas os que entraram na arca.
Comentários de WHITE E JOSEFO sobre o dilúvio:
A poligamia fora introduzida, contrária às disposições divinas dadas no princípio. O Senhor dera a Adão somente uma esposa, mostrando Sua ordem a tal respeito. (WHITE p. 89) [...] Não eram as multidões, ou a maioria, os que encontravam do lado direito. O mundo se achava arregimentado contra a justiça de Deus e suas leis, e Noé era considerado um fanático. [...] Grandes homens mundanos e honrados e homens sábios, repetiam o mesmo. “As ameaças de Deus”, diziam eles, “têm por fim intimidar e nunca se cumprirão. Não necessitais de estar alarmados. Tal acontecimento como a destruição do mundo por Deus, que o fez, e o castigo aos seres que Ele criou, nunca sucederá. Estai em paz; não temais. Noé é um fanático extravagante”. O mundo divertia-se com a loucura do velho iludido. Em vez de humilhar o coração perante Deus, continuaram na desobediência e impiedade, como se Deus não lhes houvera falado por meio de seu servo. (Idem p. 92 e 93)
Se os antediluvianos tivessem acreditado na advertência, e se houvessem arrependidos de suas más ações, o Senhor teria desviado Sua ira, como mais tarde fez em relação à Nínive. Entretanto, pela sua obstinada resistência às reprovações da consciência e advertências do profeta de Deus, aquela geração encheu a medida de sua iniquidade, e se tornou madura para a destruição. [...] O mundo olhava com admiração, e alguns com medo. Foram chamados filósofos para explicarem a singular ocorrência, mas em vão. Era um mistério que eles não podiam penetrar. (Idem. P. 94)
Ele nota que a chuva que causou esse dilúvio geral começou a cair no dia vinte e sete do segundo mês do ano dois mil duzentos e cinquenta e seis depois da criação de Adão.
Todos os historiadores, mesmo os bárbaros, falam do dilúvio e da Arca, dentre outros Berose, Caldeu. Eis suas palavras: Diz-se que ainda hoje se veem restos da Arca sobre as montanhas dos Cordiens, na Armênia, e alguns levam desse lugar pedaços de betume, de que ela estava recoberta e dele se servem como preservativo. Jerônimo, egípcio, que escreveu sobre as antiguidades dos fenícios, Mnazeas e vários outros, disso falam também; Nicolau de Damasco no nonagésimo sexto livro de sua história dele fala nestes termos: Há na Armênia, na província de Miniade uma alta montanha chamada Baris, sobre a qual, diz-se, muitos se salvaram durante o dilúvio; e que uma arca cujos restos se conservaram, por vários anos e na qual um homem se havia encerrado, deteve no cume dessa montanha. Há probabilidade de que esse homem é aquele de que fala Moisés, o legislador dos judeus. (JOSEFO p. 48 e 51)
     A história da humanidade recomeça com Noé e sua família dentro do mesmo contexto de pecado, a destruição diluviana foi apenas um aviso de que Deus irá intervir novamente em nossa história para acabar de vez com o pecado, o pecador e o originador do mal, Satanás. Noé viveu trezentos e cinquenta anos após o dilúvio, morrendo aos novecentos e cinquenta anos. Os três filhos de Noé, Sem, Jafe e Cão que nasceram cem anos antes do dilúvio, foram os primeiros a deixar as montanhas, para morar nas planícies, pois os outros não ousavam fazer temendo outro dilúvio. Por ordem divina eles deviam formar outras colônias para habitar toda a terra, mas, temerosos e desconfiados de que seria uma cilada preferiram habitar juntos; essa rebeldia iniciou com Ninrode, neto de Cão, que era poderoso e foi quem os levou a desprezar a Deus desta maneira. Até então falava apenas um idioma, e, temerosos de outro dilúvio, apesar da promessa divina de não mais destruir a humanidade com água, resolveram construir uma torre alta o suficiente que os protegesse caso outra tempestade semelhante ao dilúvio viesse sobre o planeta. Ninrode fundou seu reino em Babel, na região de Sinear, enquanto construíam a torre Deus interviu e confundiu o idioma dividindo-o em vários. Como não era mais possível a comunicação, o projeto foi abandonado e as pessoas que falavam a mesma língua se uniram e foram habitar outras regiões. Assim, o plano divino de habitar todo o planeta iniciara. E novamente os filhos dos homens e os de Deus foram se polarizando e a divisão entre as pessoas de fé em Deus e as que preferiram fazer deuses para si tornou-se notável. Dentro desse contexto, Deus, em Sua misericórdia resolve ser mais presente e percebido através de uma nação politicamente organizada, a forma de governo foi teocêntrica através da teocracia, e um homem é escolhido para ser o exemplo de fé que deveria inspirar todos os futuros líderes dessa nação idealizada pelo próprio Deus. Abraão foi o escolhido.
Foi o décimo desde de Noé e nasceu 292 anos depois do dilúvio. Taré, pai de Abraão morreu aos duzentos e cinco anos: a duração da vida do homem já se ia pouco a pouco diminuindo. Continuou a diminuir até Moisés e foi então que Deus a reduziu a cento e vinte anos, que foi o tempo que viveu esse grande admirável legislador. (JOSEFO p. 70)
Primeiro sistema de governo teocrático:
     Israel, primeira nação de governo teocrático, não é de origem humana esse tipo de governo, mas, segundo a bíblia, divina. Porém, a solução definitiva para a rebeldia humana com relação à fidelidade não estava resolvida e nem era esse o propósito de Deus, mas, era apenas uma nova didática para ensinar a humanidade que havia um Deus além de todas as outras formas de deuses criadas pelos homens; e Este Deus, num determinado tempo, iria resolver de uma vez por todas o problema do pecado, mas até lá, há oportunidade para os que quiserem habitar neste novo mundo se conscientizar e optar pelo sim ou não. Como o homem gosta de falsificar a partir do original, religiões com novos deuses e novos ensinamentos antropocêntricos, filosóficos e “teológicos” proliferaram no planeta. E assim, começou as guerras entre os falsos deuses que, geralmente estão ligados a um Estado, o que não passa de uma desculpa para prejudicar o outro em nome de uma divindade inventada para enganar os próprios súditos desses governos centralizados na ideia de um deus que os governa. Israel, alvo do inimigo dos planos de Deus, Satanás, se infiltrou com seus métodos de engano e conseguiu pouco a pouco dividir a nação de Israel levando-os a imitar as formas de governo dos povos que não acreditavam na existência de um Deus criador e mantenedor de tudo, e assim, quando o Prometido salvador encarnou-se para selar o plano de salvação, eles não O reconheceram como o filho de Deus; foi este o fim de Israel/judeus como o representante de Deus.
Os Estados e a igreja:
     Com Jesus Cristo, Seu ministério, Sua morte, ressurreição e volta ao céu com a promessa de ir preparar moradas e Seu retorno para buscar seus fieis seguidores, nascem igrejas missionárias e a do Estado com funções políticas. Um dos métodos eficaz de Satanás e causar divisões; e novamente a guerra se dá entre igrejas missionárias e as do Estado, e, em meio a esses cismas estão os filhos de Deus e os dos homens. Uma vez instituídas, dá-se o início das guerras entre as religiões; como diferentes nações inventaram suas religiões elegendo seus representantes eclesiásticos para o “santo ofício” (teocráticos), essas religiões passaram, de certo modo, ter seus representantes políticos no Estado. As nações elegem suas religiões estatais e permite a criação de denominações privadas para manter as utopias do Estado alienando os cidadãos. Mas a bíblia, independente dessa gama de religiões estatais, continua sendo a referência para distinguir entre o que é religião falsa e verdadeira. Pois a bíblia é o único livro sagrado que conta toda história das origens de diferentes formas de vida e o desenrolar de todos os acidentes e incidentes ocorridos com o homem até os dias atuais. Todos os outros são cópias, imitações da originalidade bíblica. No Ocidente o cristianismo é a religião que contém milhares de diferentes credos; independentemente da interpretação bíblica, todos fazem parte do cristianismo. Porém, não foi Cristo o fundador do cristianismo, muito menos desse falso cristianismo que é contrário aos ensinamentos bíblicos. Todos os grupos que se declararam seguidores dos princípios bíblicos após o nascimento de Cristo foram perseguidos e muitos foram mortos. Por fim, no século V, em nome de uma religião e da política, os padres filósofos assumiram o controle de tudo, é o ateísmo cristão, em nome de Deus enganando a todos investidos do poder político e religioso. Durante o medievalismo a educação foi negada para o povo, esta era apenas para aqueles que se interessavam pela formação teológica da patrística (escola dos padres). Com esse poder absoluto tem autoridade para negar a autoridade bíblica; a Idade Média inicia sua política com o objetivo de falsificar tudo o que Deus o Criador e salvador fizera para ensinar a humanidade. Por mil anos essa estratégia funcionou; e seu fim se dá por interferência de outra estância educacional, a escolástica, são as primeiras universidades que começaram a questionar a corrupção e o monopólio da patrística. Outros interesses antropocêntricos, de novos políticos e religiosos minavam o poder exclusivo da igreja, pois esta nova classe de religiosos burgueses queriam o poder para impor via Estado seus novos ideais. É a oportunidade de novas políticas e novos religiosos surgirem no cenário, e, dos protestos contra o absolutismo “cristão” católico, nasce o protestantismo com uma nova proposta teológica contra a pobreza defendida pelo catolicismo como sendo virtude cristã, essa nova visão teológica protestante defende a riqueza como bênçãos divinas e não a mendicância. Mas nem tudo é corrupção, dentro dessa nova visão política e religiosa há aqueles que se arriscaram defendendo os ensinamentos bíblicos como normas, esses foram perseguidos e mortos; imperando assim, a pseudoteologia católica protestante com fundamentos filosóficos. Nas outras regiões do planeta as diferentes interpretações dos livros “sagrados” e de seus deuses acontecem algo semelhante: matar em nome da religião e de um deus qualquer é prática “legal”. A que se notar que o religioso segundo os ensinamentos bíblicos não mata o outro em nome dos ensinamentos bíblicos. Pelo contrário, ele prefere; se for o caso, morrer que matar.
     Os filhos de Deus nesse longo período medieval e início da modernidade sobreviveram escondidos até que novo tempo de liberdade religiosa surgisse para ele poder adorar o Deus bíblico sem ser perseguido e morto. Para nós brasileiros esse direito está garantido desde 1890.
     Em 1844 nasce nos USA a igreja defensora dos ensinamentos bíblicos como única regra de fé. Esta igreja (Adventista do Sétimo Dia) nasce segundo a profecia bíblica independente de qualquer poder político do Estado, e de cismas de outras denominações cuja teologia se fundia com interesses políticos e filosóficos até então existentes. Nasce com a missão profética de anunciar a segunda volta de Cristo. Pois, a próxima intervenção divina nos negócios da humanidade será com a vinda de Cristo para pôr fim ao pecado, os pecadores que não se arrependeram e ao Diabo, causador de todo mal existente. Com Sua aparição literal nas nuvens é o início da eternidade, pois Deus, nada criou para ter fim; a morte temporária é apenas consequências da desobediência de um ser criado, que um dia achou-se no direito de ser igual a Deus. Por isso esse ser, chamado Diabo, Satanás e a serpente do Éden é o criador de todos os falsos deuses e teorias falaciosas que enganam a “todos”. Religião significa religar, do latim (religare) isto é, ligar-se novamente a Deus; isto se dá simbolicamente através do batismo, um nascer de novo, optar por servir a Deus segundo os ensinamentos bíblicos. Porém, a salvação pessoal vai além de ser um simples membro Adventista do Sétimo Dia; A salvação está baseada em um pacto pessoal com Deus: conhecer plenamente o plano de salvação e pregar este evangelho eterno através das palavras e estilo de vida, qualquer coisa menos que isso, a salvação está em risco. A igreja surgiu dentro de um significativo contexto histórico religioso ocorrido em 1844, com ela Deus cumpriu a promessa apocalíptica de que Sua igreja teria o Espírito de Profecia par iluminar as páginas bíblicas que foram ofuscadas pelo racionalismo católico protestante e filosófico. Toda teologia Adventista vem através do Espírito de Profecia concedido à Ellen G. White (1827-1915). Deus, na Sua grande misericórdia deu-nos a bíblia e o Espírito de Profecia em linguagem tão simples que qualquer sincero estudante com leitura básica pode compreendê-los. Logo, não há desculpas a apresentar diante do justo juiz. Mas, atenção! Satanás sabe enganar como ninguém. Na atualidade o domínio do engano e da alienação do povo se dá via política através das escolas, igrejas e universidades. No Brasil a alienação da população e mantida formalmente nas escolas públicas com a política educacional que está alicerçada sobre o paradigma “Progressão Continuada”; é um crime político contra os brasileiros pobres que não tem direito a educação de qualidade, são diplomados na ignorância, sendo úteis apenas à mão de obra barata, sujeitos fáceis à escravidão e outras explorações religiosas. Como o capitalismo valoriza aqueles que têm poder de consumo, os jovens deixam as escolas de ensino médio sem perspectiva de poder cursar uma universidade pública gratuita, como querem poder consumir para sentirem-se valorizados, o narcotráfico alicia-os com ganhos rápidos e fáceis, dando-lhes condições de sentirem-se valorizados, porém, sujeitos a outras barbaridades ilegais que podem levá-los à prisão, logo, é possível perceber as causas de tantas desgraças acontecendo no Brasil. Via universidades o racionalismo científico filosófico religioso banaliza a fé e crenças de um modo geral. Como as universidades são os sustentáculos das mais diversas ideologias políticas, filosóficas e religiosas, superestruturas que direciona as políticas dos Estados, tudo o que é dito aos graduados e pós-graduandos, se tem como verdade última até o momento sobre o que é ensinado.  Essa maça com cursos superiores são os meios de divulgar as ideologias ministradas; e assim, a população vai assimilando e vivendo segundo os ideais das universidades que não reconhecem a Deus como originador de nenhuma epistemologia. O racionalismo faz-se presente com os hermeneutas, exegetas, psicologistas, psicanalistas, historiadores, cientistas, teólogos deístas e ateístas e outros profissionais que atuam como professores universitários. Por isso, sempre surgem ousados defensores de certos modismos e outros costumes pagãos como úteis aos defensores das verdades bíblicas profanando, com seu jeito de ser, o sagrado.
Como compreender o plano de salvação independente de religião?
      Para compreender o plano de salvação só é preciso ler a bíblia acompanhada do Espírito de Profecia.  Mas é compreensível que, para ser e ter profissionais competentes e reconhecidos em qualquer área do conhecimento é preciso destas informações além da bíblia e do Espírito de Profecia, o perigo se dá, quando essas “vãs teorias” antropocêntricas minam a fé no que Deus estabeleceu para a salvação do homem.
     Para a filosofia que se diz a deusa de todo o saber e juíza de todo conhecimento tudo o que se relaciona a Deus e salvação são pseudoproblemas. Para mim, esta saída filosófica é falaciosa, o que existe na verdade é uma pseudoconclusão. Pois, se a filosofia tem na lógica uma ciência que julga através das proposições e se exime de analisar as proposições bíblicas e do espírito de profecia à luz da verdade proposicional, não pode concluir que os problemas relacionados a Deus e a salvação por meio de Jesus Cristo são pseudoproblemas. Logo, a conclusão filosófica sobre este assunto é falaciosa.

Filósofo Isaías Correia Ribas 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

JOSEFO, Flávio. HISTÓRIA DOS HEBREUS. V. I. São Paulo: Ed. Das Américas.
WHITE G. Ellen. PATRIARCAS E PROFETAS. Santo André, SP: Ed. Casa Publicadora Brasileira. 1989.