O pensamento filosófico surgiu como mais uma forma de pensar e explicar o universo a partir de uma visão exclusivamente antropocêntrica. À aproximadamente Três mil anos, o racionalismo filosófico e posteriormente o científico, questionam a origem do universo segundo as revelações bíblicas. E assim, esse embate travado durante esse período trouxe mais confusão que esclarecimentos às pessoas. Por isso, já é passada hora de pensarmos o universo a partir da visão do todo, de Buscar compreender as causas de tantas angústias e do crescimento de tantas catástrofes naturais. Nós, habitantes desse planeta precisamos entender e compreender nosso habitat, analisando-o a partir de um olhar ao sobrenatural e ao natural. Penso eu que a partir da compreensão dos conceitos liberdade, livre-arbítrio e contingência, teremos dado um passo fundamental para a evolução cognitiva filosófica e teológica.
A liberdade na eternidade relaciona-se ao atemporal, quando as escolhas estavam dentro de um contexto de escolher somente entre o que é bom. Quando a mente Criadora ou o Deus criador, criou entes à sua semelhança, criou-os livres para o bem, o bom, o belo, o sublime, etc. A liberdade é o fundamento do Criador universal, e ela não está imposta, determinada. Se assim fosse, não seria liberdade. Como também não estava determinado que um ente celestial tivesse a pretensão de igualdade com o seu criador. Os anjos, criaturas celestiais, dotadas de razão, eram semelhantes ao criador, estavam envoltos do bom, do belo, do sublime e do bem divino. Na eternidade, não havia o lícito e o ilícito, o bem e o mal, o antagonismo não estava presente. Logo, somos livres quando não temos nenhum perigo a evitar. O egoísmo surgiu na mente de um ente que queria ser mais que semelhante, não se contentou em ser ente criado, não estava contente em desfrutar da harmonia que envolvia o universo, ele queria ser igual ao criador. Isto é, ter a vida em si, ser capaz de criar como fizera Deus. Esse ente, a bíblia denomina-o, Lúcifer (anjo de luz), após suas ambições egocêntricas e a perda de seu posto no céu, vários nomes são lhes dado: Satanás, Serpente, Diabo, etc. Logo após decidir que queria ser igual a Deus, começou a espalhar a dúvida entre os anjos, dizendo que Deus era um ditador, egocêntrico, enfim, aquilo que ele queria ser, dissera ser Deus. E assim surgiu o antagonismo, o egoísmo, a dúvida, o mal, o pecado e tudo o que possa ser contrário à harmonia universal. Deus em sua misericórdia mostrou a Lúcifer quais seriam as conseqüências de seus ideais, mas lúcifer rejeitou tais apelos e decidido a conquistar o posto de igualdade a Deus seguiu em sua voluntariosidade. Segundo a bíblia ele conquistou a terça parte dos anjos e levou-os à rebelião, e assim, juntos foram lançados ao planeta Terra.
Nosso planeta foi adaptado à vida após essa intriga celestial e o primeiro casal, Adão e Eva veio à existência dentro do contexto da eternidade, eram entes perfeitos, à semelhança do divino. Porém, como o Cosmos já havia sido contaminado pela dúvida e a ambição de Lúcifer, nem tudo neste planeta, ao ser criado, poderia ser perfeito, por isso, entre todas as coisas boas o símbolo da imperfeição, do antagonismo, da mentira, teria que estar presente e lá estava representada pela árvore do conhecimento do bem e do mal. Com a mesma astúcia que usara no céu, Satanás usou para enganar Adão e Eva. Disse à Eva que eles poderiam ser iguais a Deus e assim, dialogando implantou a dúvida, e ambos, a semelhança da terça parte dos anjos, também duvidaram e conseqüentemente pecaram. Após a entrada do pecado, a eternidade para os terrestres foi interrompida dando lugar à mortalidade. Dentro desse contexto foi possível criar o conceito de livre-arbítrio, isto é, o homem escolhe entre o bem e o mal, o justo e o injusto, o bom e o ruim, o que fazer e o não fazer, surgindo assim o mundo das contingências, e o mais dramático é que ninguém pode escolher pelo outro, por isso, Kierkegaard (1813-1855), teólogo e filósofo diz: “fazer escolhas é angustiante”. Queiramos ou não, somos escravos de nossas escolhas. O que há de bom dentro desse contexto das contingências é que estamos ainda vivendo sob o período da graça, isto é, ainda podemos escolher ao lado de quem estaremos na eternidade, do criador que quer dar-nos o bem eterno ou ao lado de Satanás, recebendo com ele a morte eterna. Somos livres, ou melhor, precisamos escolher, pois as escolhas refletirão na eternidade.
Com a consolidação do pecado, o planeta Terra tornou-se o mundo das contingências. O bem e o mal passaram a fazer parte da natureza humana, distanciando-a da plena paz. Doravante a angústia é a nossa companheira e a paz é o nosso ideal. Nesse contexto dual o homem é paixão e razão, mas há uma força imanente que move o indivíduo a realizar os apelos das paixões e da razão, essa força chama-se vontade. Artur Schopenhauer (1788-1860), filósofo alemão, defende a tese de que o homem é apenas vontade, pois esse é um sentimento que nunca se esgota e não se cansa. Friedrich Nietzsche (1844-1900), também filósofo alemão, defende a tese de que a vontade é a força em potência que movimenta todo o devir do Cosmos. Nietzsche é o filósofo contemporâneo que procura eternizar a filosofia natural dos pré-socráticos. Ellen G. White (1827-1915) profetiza cristã, fala sobre esse domínio volitivo, mas soma às paixões e à razão, o poder do Espírito Santo, força divina à disposição do homem que atua na vontade para levá-lo a desejar o bem supremo, a paz e a liberdade em meio às contingências mundanas. Todo indivíduo consciente entende que há no homem a atuação dessas duas forças porfiando pelo controle da vontade, e ela não respeita faixas etárias e nem os gêneros. Mas há muitos indivíduos sábios que conseguem fazer com que a sua vontade seja racionalizada e dê equilíbrio às suas ações, não permitindo ser controlados pelas paixões. Esse domínio racional é possível a qualquer pessoa. A obra do Espírito Santo está para além do racional. Se permitirmos, Ele qualificar-nos para a eternidade, onde voltaremos possuir à semelhança divina.
A liberdade em Cristo está inserido no contexto de compreensão do plano de salvação que Deus disponibilizou-nos desde a queda de Adão e Eva. É impossível alguém ser salvo sem compreendê-lo. Pois o amor de Deus não pode ser desculpa para a ignorância proposital. Os teólogos da atualidade e pregadores cristãos banalizam o plano de salvação, tornando-o simplista e mercadológico. Só será possível o retorno à eternidade se entendermos o processo, é de graça, porém, envolve um retorno de cento e oitenta graus no nosso modo de vida. Qual modo de vida? O de antes e o depois de compreender o plano divino. Compreendido, nossa vontade começa a desejar o bom que Deus quer nos dar, só que nossa vontade é mundana, e ela tende a atender naturalmente aos apelos das paixões, e assim, trava-se o conflito espiritual. Não é mais paixão e razão e sim a quem desejamos atender, aos apelos mundanos ou aos divinos. Agora, esse novo indivíduo deve pedir que Deus opere mudanças em sua vontade, e assim, inicia-se o processo de santificação, isto é, quanto mais se aprofunda na compreensão da graça salvadora, mais nossa vontade busca um caráter semelhante ao de Cristo, nossa natureza mundana encontra outro sentido para a vida, a vontade tende ao divino e fica mais fácil para vencer aos apelos carnais das paixões. É assim que se processa a liberdade em Cristo, quando permitimos a sua intervenção em nossa vontade, o nosso desejo mais profundo é fazer a Sua vontade e fazendo-a, verdadeiramente seremos livres.
Nota: para a maioria dos cristãos o ente satanás não existe, o que existe é o mal e este é, segundo santo Agostinho (354-430), a ausência do bem. Agostinho, Padre da igreja Católica, errou filosoficamente e teologicamente ao admitir o bem como Deus e o mal como a ausência do bem. Biblicamente, ambos, bem e mal possuem personalidade.
Isaías Correia Ribas, filósofo e professor de filosofia
Referências bibliográficas:
Bíblia.
Confissões. Santo Agostinho. Nova Cultural. Coleção os Pensadores. 2000.
História da Redenção. Ellen G. White. Ed. Casa Publicadora Brasileira. 2008.
História da Filosofia. Giovanni Reale/Dario Antiseri. Paulus. 2003.
Kierkegaard. Coleção os Pensadores.
Mente Caráter e Personalidade. White. Ed. Casa P. Brasileira. 1989.
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terça-feira, 5 de abril de 2011
domingo, 27 de março de 2011
PLATÃO E AS CONSEQUÊNCIAS DE SUA FILOSOFIA
FILOSOFIA PLATÔNICA
Platão foi o primeiro filósofo pós-socrático a filosofar a partir das estruturas místicas, mítica e racionalista. Sua intenção era mostrar ao mundo ocidental que todas essas estruturas são apenas construções antropocêntricas. Para os três filósofos clássicos: Sócrates, Platão e Aristóteles, impossível a existência de tudo o que há sem que houvesse um ser superior que fosse o organizador do universo. O que eles questionavam era a possibilidade de tudo o que existe ter vindo do nada, sob o comando apenas das palavras do Deus criador segundo ensinava os judeus. Para Sócrates esse ser era uma inteligência superior, única, da qual se dizia missionário: o deus de Platão era o Demiurgo, plasmador e não criador, isto é, moldou o que existe a partir de alguma matéria. Aristóteles admitiu a possibilidade de um deus-motor imóvel que pôs tudo em movimento sem se mover e se sustenta. A cultura ocidental está estruturada segundo a ótica desses filósofos. A partir do humanismo e do renascimento essas estruturas místicas, mítica e racionalista foram questionadas e “derrubadas”, porém, apenas parte da sociedade tem consciência desse redirecionamento. Por isso, ainda hoje, a grande massa vivem sob controle das ideologias estruturadas sobre essa antiga ótica. Platão, impossibilitado de compreender a realidade das contingências do mundo sensível, optou por construir um mundo perfeito a partir de suas próprias ideias, denominou-o, Hiperurâneo, mundo das formas perfeitas, eterno, habitat das almas que ele criara ao dividir o homem em corpo mortal e alma imortal. O mundo racional que Platão idealizara foi tão bem elaborado que Santo Agostinho (354-430 d.C.) adaptou-o ao cristianismo, e a exemplo de Platão criou duas cidades utópicas: a Cidade de Deus e a Cidade dos Homens e como filósofo, atrás da cortina do cristianismo negou o grande conflito sobrenatural ao negar a não existência de Satanás segundo os ensinamentos bíblicos, dizendo que o mal é apenas a ausência do bem. Logo, não existindo um ser sobrenatural, Satanás que se rebelara no céu e aqui está para enganar os homens como fizera no Jardim do Éden com Eva e Adão. Tomás Campanella (1568-1639) adepto das ideologias utópicas criou a “Cidade do Sol”, onde o sol é o deus invisível, símbolo do intelecto, Campanella seguiu as tradições do mágico Hermes Trismegisto, personagem mítico que nunca existiu. O mais drástico é o que os filósofos-cristãos, elaboradores da teologia da libertação estão elaborando, ou melhor, estão questionando: o futuro estabelecimento do reino de Cristo por ocasião de sua segunda volta. Eles estão ensinando que o reino de Cristo é uma utopia de Jesus Cristo, e que o estabelecimento de seu reino se dará por meio de uma revolução política liderada pelos movimentos sociais.
Isaías Correia Ribas, filósofo e professor de filosofia.
Platão foi o primeiro filósofo pós-socrático a filosofar a partir das estruturas místicas, mítica e racionalista. Sua intenção era mostrar ao mundo ocidental que todas essas estruturas são apenas construções antropocêntricas. Para os três filósofos clássicos: Sócrates, Platão e Aristóteles, impossível a existência de tudo o que há sem que houvesse um ser superior que fosse o organizador do universo. O que eles questionavam era a possibilidade de tudo o que existe ter vindo do nada, sob o comando apenas das palavras do Deus criador segundo ensinava os judeus. Para Sócrates esse ser era uma inteligência superior, única, da qual se dizia missionário: o deus de Platão era o Demiurgo, plasmador e não criador, isto é, moldou o que existe a partir de alguma matéria. Aristóteles admitiu a possibilidade de um deus-motor imóvel que pôs tudo em movimento sem se mover e se sustenta. A cultura ocidental está estruturada segundo a ótica desses filósofos. A partir do humanismo e do renascimento essas estruturas místicas, mítica e racionalista foram questionadas e “derrubadas”, porém, apenas parte da sociedade tem consciência desse redirecionamento. Por isso, ainda hoje, a grande massa vivem sob controle das ideologias estruturadas sobre essa antiga ótica. Platão, impossibilitado de compreender a realidade das contingências do mundo sensível, optou por construir um mundo perfeito a partir de suas próprias ideias, denominou-o, Hiperurâneo, mundo das formas perfeitas, eterno, habitat das almas que ele criara ao dividir o homem em corpo mortal e alma imortal. O mundo racional que Platão idealizara foi tão bem elaborado que Santo Agostinho (354-430 d.C.) adaptou-o ao cristianismo, e a exemplo de Platão criou duas cidades utópicas: a Cidade de Deus e a Cidade dos Homens e como filósofo, atrás da cortina do cristianismo negou o grande conflito sobrenatural ao negar a não existência de Satanás segundo os ensinamentos bíblicos, dizendo que o mal é apenas a ausência do bem. Logo, não existindo um ser sobrenatural, Satanás que se rebelara no céu e aqui está para enganar os homens como fizera no Jardim do Éden com Eva e Adão. Tomás Campanella (1568-1639) adepto das ideologias utópicas criou a “Cidade do Sol”, onde o sol é o deus invisível, símbolo do intelecto, Campanella seguiu as tradições do mágico Hermes Trismegisto, personagem mítico que nunca existiu. O mais drástico é o que os filósofos-cristãos, elaboradores da teologia da libertação estão elaborando, ou melhor, estão questionando: o futuro estabelecimento do reino de Cristo por ocasião de sua segunda volta. Eles estão ensinando que o reino de Cristo é uma utopia de Jesus Cristo, e que o estabelecimento de seu reino se dará por meio de uma revolução política liderada pelos movimentos sociais.
Isaías Correia Ribas, filósofo e professor de filosofia.
domingo, 13 de março de 2011
MIOPIA FILOSÓFICA
Todo indivíduo é e sempre foi único. Embora cada um seja herdeiro genético de um casal, herdando características genotípicas, fenotípicas e culturais de seus ancestrais, cada um, mesmo com todas essas influências, continua sendo único. Essa unidade é ainda composta de outros vários elementos físicos e metafísicos, de órgãos autônomos e de outros sob o controle da vontade. E ainda mais, cada um é também um universo de sensibilidades psíquicas, físicas e emocionais, todas finitas, porém, com infinitas possibilidades de combinações. Logo, a diversidade de características em comum são as causas da individualidade. Essa tríade única, corpo, razão e mente/pensamentos são combinações até hoje discutidas. Embora delas façamos uso constantemente, a ciência, as religiões e os filósofos, ainda não chegaram a um denominador comum. O que se sabe com certeza é que o cérebro é um órgão que, por meio de um composto químico, gera tensões elétricas, as quais fazem as conexões através dos nervos ao resto do organismo. E a mente/pensamento, como eles surgem e como se dá essa ligação metafísica com o físico? Por acaso algum racionalista já é capaz de definir? Creio eu, que sem as sensibilidades físicas e psíquicas jamais pensaríamos e consequentemente não haveria o que memorizar. E a razão, é somente um raciocínio lógico ordenado segundo os signos culturais? Não. Não pode ser tão limitada como pretendem os pensadores racionalistas e metafísicos de todos os tempos. A razão é um universo inato, independe de conhecimento escolar e cultural. Ela, naturalmente, dá a qualquer pessoa condição de avaliar e julgar as próprias emoções físicas e psíquicas. Porém, a razão pode ser moldada, pois é predisposta à evolução cognitiva. Agora sim, por meio do conhecimento formal e informal, mais as apreensões culturais, o nível de consciência passa ser a propulsão do desenvolvimento pessoal, que é o causador da evolução social e do meio. Então, se um povo ou nação, quer desenvolver-se em todos os sentidos, precisa dar boa formação escolar aos seus concidadãos. Para que isso ocorra a médio e longo prazo, é preciso anular o idealismo de preparar o povo para o trabalho apenas braçal, pois, quanto maior a visão de mundo da grande massa, mais fácil será para a administração pública implantar ideais desenvolvimentistas.
A federação e os estados precisam acabar com essa ideologia de educação colonial, das terras dos Tupiniquins. Não precisamos mais ficar olhando para trás, os atuais brasileiros já possuem condições de pensar o Brasil a partir dos brasileiros, da nossa atual realidade.
Já se percebe essa nova visão educacional no âmbito federal. Quando os políticos da esfera estadual e municipal tiverem essa consciência, a educação dará à população essa maturidade de conscientização e esse novo indivíduo não vai mais construir a sua casa em um local de risco e o novo político vai também zelar pela vida de seus concidadãos, educando-os quanto à força da natureza e que seus limites devem ser respeitados. E essa educação de que tudo acontece pela vontade de Deus vai diminuir e esse cidadão consciente terá mais precauções racionais.
Todas essas características são comuns a todos os indivíduos, exceto em casos patológicos. A capacidade do homem de se localizar no tempo e no espaço e de compreender o mundo à sua volta só é possível por causa dessas características que é comum a todos e ao mesmo tempo, é a causa da individualidade.
Dividir o indivíduo em corpo e alma, em entidades distintas, mortal e imortal, que se juntam por um período e para um propósito é um erro filosófico e religioso. Pois o indivíduo só é íntegro, enquanto todas essas capacidades estão ativas concomitantemente. Deixando de existir o físico, automaticamente o metafísico se extingue. Deus, quando criou o homem assim o criou: físico e metafísico, capaz de apreender, compreender e criar a partir do que existe na natureza. Logo, o homem é semelhante ao criador, ele pensa com consciência e executa o pensado.
A filosofia, com a intenção de provar seus argumentos antropocêntricos, “dividiu” o indivisível indivíduo em razão e sensibilidade. A primeira foi enaltecida e a segunda depreciada. À razão ligou ao verdadeiro conhecimento, filosófico e científico, portanto, lógico e empírico. E ao sensível ligou o falso conhecimento e entre eles estão todo “conhecimento” revelado, religioso, aquele que é buscado por meio da fé. Mas a questão é: é possível a racionalidade sem as sensibilidades físicas e psíquicas? No meu entender, o erro filosófico é o mesmo do religioso, ambos, buscam por interesses próprios, montar um indivíduo dicotômico, com a finalidade única de questionar a existência e os princípios legais de um Deus criador do universo. Mas a grande realidade natural é que jamais o indivíduo dividido funcionará a contento, na íntegra, sem as inter-relações físicas e metafísicas, isso não é possível nem mesmo no campo das possibilidades. Fato é que o racionalismo filosófico pré-socrático entrou em crise e nela permanece.
Friedrich Nietzsche (1844-1900), de sua filosofia inferiu: “a grande razão é o corpo e a consciência é a razão menor”. Sem o corpo que sofre os afetos externos e internos, jamais existirá alguma consciência. É o corpo com todos os seus dispositivos sensíveis, que dá à razão, pequena consciência, alguma possibilidade de apreender, compreender e pensar o objeto ou a coisa.
No primeiro período filosófico, o pré-socrático, os filósofos naturais compreenderam que estavam enganados: não há nenhum elemento natural que possa ser a causa primeira de toda evolução do Cosmos. De suas pesquisas deduziram apenas o óbvio: o universo é um constante devir (movimento cíclico da vida animada e inanimada), existe por si só, sem nenhuma gênese e sem nenhuma finalidade. E Aristóteles, seguindo o mesmo raciocínio, criou a hipótese de um motor imóvel, causador de todas as causas sem ser causado.
Mas como a pretensão primeira da filosofia sempre foi e é, anular do consciente da humanidade a noção de um Deus criador e salvador, que tudo criou com uma finalidade, não desistiram, e assim, explicitamente, as escolas filosóficas helenísticas se expressavam: “diziam que Deus não se importava com os interesses desse mundo e que a terra não é nem conservada nem governada por essa essência igualmente bem aventurada, incorruptível e onipotente; mas que ele, o mundo, subsiste por si mesmo..., pois tudo o que acontece no mundo acontece por acaso” (Flavio Josefo. História dos Hebreus. Vol. III. Pág. 302. Ed. das Américas). Intelectuais e ignorantes dos dias atuais negam e zombam daqueles que possuem fé em um Deus criador e salvador.
Já é tempo de filósofos e cientistas entender e aceitar que a fé não anula a capacidade filosófica e científica de nenhum indivíduo às pesquisas, e que essa posição é apenas preconceituosa. A fé não é antagônica ao conhecimento e nem mesmo atrapalha, pelo contrário, busca conhecer tanto o físico quanto o metafísico. Logo, é mais lógica. A filosofia foi e é útil ao desenvolvimento humano, o erro está em limitar-se a destruir a fé, algo que é intrínseco, natural do homem. Assim, acabam prestando um desserviço ao desenvolvimento cognitivo integral. A filosofia tem uma tarefa maior que essas preocupações mesquinhas. O indivíduo, o outro igual, é diariamente devorado por sistemas ideológicos, políticos, religiosos, sindicais etc., esses são os lobos do homem, não a fé, pelo contrário, ela dá sentido à vida, dá esperança, felicidade e a possibilidade de pensar no outro, de repensar um capitalismo mais equitativo. Precisamos preocupar-nos em livrar o outro dos sistemas, levando-o a se valorizar, a ter um espírito livre, a produzir mais e não contentar-se em apenas ser ovelha de rebanhos dos mais diversos sistemas que se instalam para sobreviver da exploração do outro. A fé é de utilidade subjetiva, é indestrutível, o máximo que se consegue é redirecioná-la, o que precisa ser questionado e eliminado, se possível for, são os mercadores da fé, aqueles que redirecionam a fé alheia segundo os seus interesses particulares. Por isso os exploradores políticos e religiosos preferem um povo sem conhecimento, logo, inconscientes, preparados apenas para o labor braçal, e à exploração.
As teorias filosóficas da evolução, entre elas a de Charles Darwin (1809-1882), são perspectivas atuais de consolidar a pretensão filosófica pré-socrática.
ISAÍAS CORREIA RIBAS, FILÓSOFO E PROFESSOR DE FILOSOFIA.
A federação e os estados precisam acabar com essa ideologia de educação colonial, das terras dos Tupiniquins. Não precisamos mais ficar olhando para trás, os atuais brasileiros já possuem condições de pensar o Brasil a partir dos brasileiros, da nossa atual realidade.
Já se percebe essa nova visão educacional no âmbito federal. Quando os políticos da esfera estadual e municipal tiverem essa consciência, a educação dará à população essa maturidade de conscientização e esse novo indivíduo não vai mais construir a sua casa em um local de risco e o novo político vai também zelar pela vida de seus concidadãos, educando-os quanto à força da natureza e que seus limites devem ser respeitados. E essa educação de que tudo acontece pela vontade de Deus vai diminuir e esse cidadão consciente terá mais precauções racionais.
Todas essas características são comuns a todos os indivíduos, exceto em casos patológicos. A capacidade do homem de se localizar no tempo e no espaço e de compreender o mundo à sua volta só é possível por causa dessas características que é comum a todos e ao mesmo tempo, é a causa da individualidade.
Dividir o indivíduo em corpo e alma, em entidades distintas, mortal e imortal, que se juntam por um período e para um propósito é um erro filosófico e religioso. Pois o indivíduo só é íntegro, enquanto todas essas capacidades estão ativas concomitantemente. Deixando de existir o físico, automaticamente o metafísico se extingue. Deus, quando criou o homem assim o criou: físico e metafísico, capaz de apreender, compreender e criar a partir do que existe na natureza. Logo, o homem é semelhante ao criador, ele pensa com consciência e executa o pensado.
A filosofia, com a intenção de provar seus argumentos antropocêntricos, “dividiu” o indivisível indivíduo em razão e sensibilidade. A primeira foi enaltecida e a segunda depreciada. À razão ligou ao verdadeiro conhecimento, filosófico e científico, portanto, lógico e empírico. E ao sensível ligou o falso conhecimento e entre eles estão todo “conhecimento” revelado, religioso, aquele que é buscado por meio da fé. Mas a questão é: é possível a racionalidade sem as sensibilidades físicas e psíquicas? No meu entender, o erro filosófico é o mesmo do religioso, ambos, buscam por interesses próprios, montar um indivíduo dicotômico, com a finalidade única de questionar a existência e os princípios legais de um Deus criador do universo. Mas a grande realidade natural é que jamais o indivíduo dividido funcionará a contento, na íntegra, sem as inter-relações físicas e metafísicas, isso não é possível nem mesmo no campo das possibilidades. Fato é que o racionalismo filosófico pré-socrático entrou em crise e nela permanece.
Friedrich Nietzsche (1844-1900), de sua filosofia inferiu: “a grande razão é o corpo e a consciência é a razão menor”. Sem o corpo que sofre os afetos externos e internos, jamais existirá alguma consciência. É o corpo com todos os seus dispositivos sensíveis, que dá à razão, pequena consciência, alguma possibilidade de apreender, compreender e pensar o objeto ou a coisa.
No primeiro período filosófico, o pré-socrático, os filósofos naturais compreenderam que estavam enganados: não há nenhum elemento natural que possa ser a causa primeira de toda evolução do Cosmos. De suas pesquisas deduziram apenas o óbvio: o universo é um constante devir (movimento cíclico da vida animada e inanimada), existe por si só, sem nenhuma gênese e sem nenhuma finalidade. E Aristóteles, seguindo o mesmo raciocínio, criou a hipótese de um motor imóvel, causador de todas as causas sem ser causado.
Mas como a pretensão primeira da filosofia sempre foi e é, anular do consciente da humanidade a noção de um Deus criador e salvador, que tudo criou com uma finalidade, não desistiram, e assim, explicitamente, as escolas filosóficas helenísticas se expressavam: “diziam que Deus não se importava com os interesses desse mundo e que a terra não é nem conservada nem governada por essa essência igualmente bem aventurada, incorruptível e onipotente; mas que ele, o mundo, subsiste por si mesmo..., pois tudo o que acontece no mundo acontece por acaso” (Flavio Josefo. História dos Hebreus. Vol. III. Pág. 302. Ed. das Américas). Intelectuais e ignorantes dos dias atuais negam e zombam daqueles que possuem fé em um Deus criador e salvador.
Já é tempo de filósofos e cientistas entender e aceitar que a fé não anula a capacidade filosófica e científica de nenhum indivíduo às pesquisas, e que essa posição é apenas preconceituosa. A fé não é antagônica ao conhecimento e nem mesmo atrapalha, pelo contrário, busca conhecer tanto o físico quanto o metafísico. Logo, é mais lógica. A filosofia foi e é útil ao desenvolvimento humano, o erro está em limitar-se a destruir a fé, algo que é intrínseco, natural do homem. Assim, acabam prestando um desserviço ao desenvolvimento cognitivo integral. A filosofia tem uma tarefa maior que essas preocupações mesquinhas. O indivíduo, o outro igual, é diariamente devorado por sistemas ideológicos, políticos, religiosos, sindicais etc., esses são os lobos do homem, não a fé, pelo contrário, ela dá sentido à vida, dá esperança, felicidade e a possibilidade de pensar no outro, de repensar um capitalismo mais equitativo. Precisamos preocupar-nos em livrar o outro dos sistemas, levando-o a se valorizar, a ter um espírito livre, a produzir mais e não contentar-se em apenas ser ovelha de rebanhos dos mais diversos sistemas que se instalam para sobreviver da exploração do outro. A fé é de utilidade subjetiva, é indestrutível, o máximo que se consegue é redirecioná-la, o que precisa ser questionado e eliminado, se possível for, são os mercadores da fé, aqueles que redirecionam a fé alheia segundo os seus interesses particulares. Por isso os exploradores políticos e religiosos preferem um povo sem conhecimento, logo, inconscientes, preparados apenas para o labor braçal, e à exploração.
As teorias filosóficas da evolução, entre elas a de Charles Darwin (1809-1882), são perspectivas atuais de consolidar a pretensão filosófica pré-socrática.
ISAÍAS CORREIA RIBAS, FILÓSOFO E PROFESSOR DE FILOSOFIA.
sábado, 12 de março de 2011
BRASIL MEDIEVAL
Nos séculos XIII a XV, o Feudalismo, poder político-religioso que marcou o fim da Idade Média entrou em decadência, isto é, a igreja católica européia perdeu o poder político, passando a preocupar-se apenas com assuntos relacionados à fé. O Estado, recentes nações européias tornaram-se laicos (separados da igreja). Assim, a perspectiva religiosa filosófica da igreja medieval, de harmonizarem os antagônicos conceitos razão e fé não foi mais possível. Tudo isso aconteceu graças à visão de mundo do filósofo grego Aristóteles, que até então não era estudado no Ocidente.
Coincidentemente, no séc. XV, os navegadores portugueses descobriram o Continente Americano, atual América do Sul, fixando-se no atual território brasileiro. Foi assim que o Brasil tornou-se o refúgio da política européia que a igreja perdera na Europa. Como ela detinha o conhecimento escolástico, filosófico e religioso, ficou fácil para o poder eclesiástico católico implantar sua cultura à futura nação brasileira. A principal política cultural dos líderes medievais sempre foi: ignorância generalizada à população, pois só assim conseguiriam formar rebanhos. Ensino de qualidade somente à elite dominadora, padres, burgueses ricos, empreendedores comerciais e latifundiários. À população somente a mão de obra, trabalho sem remuneração e isentos de direitos à cidadania.
Assim, oportunista, a igreja pegou carona nas caravelas portuguesas e com o ideal de evangelização além-mar, fincou sua cruz no território brasileiro. Com o discurso platônico cristão praticado no medievalismo fez e faz história político-religiosa em solo brasileiro. Todos nós pensamos que o Estado brasileiro é laico (separado da igreja), mas isso é apenas um discurso, tanto religioso quanto político. Na última eleição para presidente (2010) deu para percebermos que a igreja ainda faz a diferença na política. O candidato José Serra à presidência, desesperado pelo baixo desempenho político, apelou para as igrejas Católicas e protestantes, e por pouco não vira o jogo, forçando a presidente Dilma a compactuar com a política religiosa, ambas com grande bancada nas esferas políticas do país.
Somos um país cristão, mas pelos cristãos políticos a grande massa cristã brasileira é explorada, levando milhares de brasileiros sem direito a uma boa escola a serem moradores de rua, andarilhos pedintes, pois não receberam boa educação escolar, logo, não sabem administrar a própria vida, fazendo das praças públicas das cidades brasileiras, depósitos de seres humanos abandonados pela política dos políticos cristãos brasileiros. Todas as escolas privadas católicas e protestantes são construídas com o dinheiro das comunidades religiosas, mas os filhos dessas comunidades não têm o direito de nelas estudarem, somente as elites teológicas e empresariais servem-se do alto padrão educacional oferecidos por essas instituições. À comunidade pobre só o trabalho, o ofertar, o dizimar e o evangelizar. Isto é política medieval: Estado fundamentado na ignorância da maioria de seus cidadãos.
A educação pública brasileira possui o mesmo fundamento: formar um indivíduo semi-ignorante, útil apenas para o trabalho braçal. Um cidadão sem consciência política, filosófica e religiosa, fácil de ser arrebanhado, controlado, enganado. Todos, políticos, religiosos, empresários e latifundiários preferem esse cidadão, fácil de ser escravizado.
Representantes da Casa do Saber, Fundação Aprendiz, Fundação Bradesco, Fundação Educar, Instituto Ecofuturo, Instituto Natura, Instituto Unibanco e Parceiros da Educação reuniram-se, prepararam um documento (A TRANSFORMAÇÃO DA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO BÁSICA PÚBLICA NO BRASIL) e levaram à presidente da República, Dilma Rousseff. O documento propõe a privatização da educação brasileira. Essa nova escola irá avaliar os alunos e decidirá que disciplinas lhes serão úteis: matemática básica, ler e escrever, ciências e um curso profissionalizante, isto é, a maioria dos brasileiros serão apenas trabalhadores braçais, sem perspectiva de ascensão social e/ou intelectual; os mais interessados em aprender poderão aprofundar seus conhecimentos básicos e se preparem para o vestibular e cursar uma faculdade técnica. Se tal proposta for aceita será o fim da liberdade do sujeito pobre, a maioria jamais terá acesso às disciplinas humanas, serão os futuros humanos-robôs a serviço dos modernos patrocinadores do medievalismo contemporâneo brasileiro, isto é, um novo Brasil colônia a serviço da elite brasileira e mundial.
O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, preocupado com a situação de seus concidadãos e com a tendência de alguns partidos políticos de continuar usando os brasileiros somente como trabalhador braçal, acrescentou ao currículo do ensino médio a sociologia e filosofia, esperando conscientizar os jovens e seus pais que nós brasileiros podemos perder essa maldita cultura medieval: uma nação que baixa a cabeça para tudo e todos. Como filósofo e professor da rede pública estadual, percebo que a reação do governo federal pode ter sido tarde. Nossa educação pública é uma verdadeira barbaria. Chegou ao estágio que os patrocinadores da privatização queriam. Para contornar essa situação é preciso conscientizar a população e isso só será possível com altos investimentos por parte da federação através da mídia, pois, para a maioria dos pais brasileiros seus filhos estão recebendo boa educação escolar da rede pública estadual e municipal.
Para reverter esse estado caótico da educação não é preciso privatizar como querem os exploradores dos brasileiros, basta apenas querer educar os filhos do Brasil com amor, sinceridade e patriotismo. É só acabar com a aprovação continuada da pré-escola ao Ensino Médio, valorizar o trabalho do professor de tal forma que ele consiga tratar de seus filhos sem precisar trabalhar dia e noite em várias escolas: prefeitura, estado e escolas particulares; se os pais colaborarem com os professores, cobrando conhecimento e empenho de seus filhos para aprender, comparecendo às reuniões de pais e mestres para juntos nos empenharmos no desenvolvimento de nossos filhos, facilmente e sem muitos investimentos reverteremos essa situação. Educar é preparar para a vida útil. Os primeiros dezoito anos de vida bem administrado pelos pais e governos são suficientes para preparar a juventude para seguir seu caminho sem privá-los do direito de conhecer todas as matérias de humanas e exatas. Educador nenhum no mundo consegue trabalhar em diferentes instituições educando, ele acaba apenas enganando. Todos os governos sempre souberam que esse modelo de educação chegaria ao caus. Chegou, e agora eles, mais uma vez, querem fazer a revolução da elite governante: aumentar suas contas bancárias à custa da desgraça e ignorância do povo. Se nós, pais e alunos exigirmos que o governo não use a educação contra o nosso desenvolvimento intelectual e ascensão social ele não usará. Porém, se acharmos que eles vão fazer o melhor para nós, será o fim de um Brasil para os brasileiros.
Só chegamos a essa situação porque os instrumentos de conscientização e de educação informais que o Estado confia como sendo colaboradores, não fizeram o seu papel. Igrejas, sociedades amigos de bairros, sindicatos, associações e outros, sempre usaram a inocência e a bondade dos brasileiros para os explorarem e se enriquecerem. Para reverter essa situação e escaparmos da privatização do brasileiro, somente através de um levante popular contra os privatizadores do país. Se nos unirmos, pais, estudantes, professores e políticos que querem um cidadão brasileiro consciente, poderão voltar a ter uma boa escola pública para nossos filhos e anularemos essa nova proposta que é contra o desenvolvimento do brasileiro. Se agirmos, aumentaremos nossa capacidade intelectual e continuaremos sendo pessoas mais capazes de fazermos nossas próprias escolhas. Se isso não ocorrer, a robotização dos brasileiros será certa.
Nós brasileiros precisamos perder essa cultura de achar que no simples ato de votar já estamos fazendo nossa parte, porém, isso é apenas parte do muito que podemos fazer. Precisamos nos conscientizar de que as pessoas que colocamos no poder público dirigem a nossa vida e controlam nossas perspectivas de futuro. Se os que lá estão não fizeram nada para melhorar nossa situação, já é hora de tirarmos esses velhos políticos do poder e pôr no poder sangue novo, pessoas que pensam a cidade, o estado e a federação para todos os brasileiros. Você e eu, conscientes dessa realidade, poderemos fazer a diferença como políticos ou como cidadãos capazes de interferir por meio de protestos organizados e eficientes no destino de nossa nação.
A revolução só é possível pela divulgação de novas idéias, participe dessa revolução indicando este texto e o blog aos seus amigos.
Filósofo e professor Isaías Correia Ribas
Coincidentemente, no séc. XV, os navegadores portugueses descobriram o Continente Americano, atual América do Sul, fixando-se no atual território brasileiro. Foi assim que o Brasil tornou-se o refúgio da política européia que a igreja perdera na Europa. Como ela detinha o conhecimento escolástico, filosófico e religioso, ficou fácil para o poder eclesiástico católico implantar sua cultura à futura nação brasileira. A principal política cultural dos líderes medievais sempre foi: ignorância generalizada à população, pois só assim conseguiriam formar rebanhos. Ensino de qualidade somente à elite dominadora, padres, burgueses ricos, empreendedores comerciais e latifundiários. À população somente a mão de obra, trabalho sem remuneração e isentos de direitos à cidadania.
Assim, oportunista, a igreja pegou carona nas caravelas portuguesas e com o ideal de evangelização além-mar, fincou sua cruz no território brasileiro. Com o discurso platônico cristão praticado no medievalismo fez e faz história político-religiosa em solo brasileiro. Todos nós pensamos que o Estado brasileiro é laico (separado da igreja), mas isso é apenas um discurso, tanto religioso quanto político. Na última eleição para presidente (2010) deu para percebermos que a igreja ainda faz a diferença na política. O candidato José Serra à presidência, desesperado pelo baixo desempenho político, apelou para as igrejas Católicas e protestantes, e por pouco não vira o jogo, forçando a presidente Dilma a compactuar com a política religiosa, ambas com grande bancada nas esferas políticas do país.
Somos um país cristão, mas pelos cristãos políticos a grande massa cristã brasileira é explorada, levando milhares de brasileiros sem direito a uma boa escola a serem moradores de rua, andarilhos pedintes, pois não receberam boa educação escolar, logo, não sabem administrar a própria vida, fazendo das praças públicas das cidades brasileiras, depósitos de seres humanos abandonados pela política dos políticos cristãos brasileiros. Todas as escolas privadas católicas e protestantes são construídas com o dinheiro das comunidades religiosas, mas os filhos dessas comunidades não têm o direito de nelas estudarem, somente as elites teológicas e empresariais servem-se do alto padrão educacional oferecidos por essas instituições. À comunidade pobre só o trabalho, o ofertar, o dizimar e o evangelizar. Isto é política medieval: Estado fundamentado na ignorância da maioria de seus cidadãos.
A educação pública brasileira possui o mesmo fundamento: formar um indivíduo semi-ignorante, útil apenas para o trabalho braçal. Um cidadão sem consciência política, filosófica e religiosa, fácil de ser arrebanhado, controlado, enganado. Todos, políticos, religiosos, empresários e latifundiários preferem esse cidadão, fácil de ser escravizado.
Representantes da Casa do Saber, Fundação Aprendiz, Fundação Bradesco, Fundação Educar, Instituto Ecofuturo, Instituto Natura, Instituto Unibanco e Parceiros da Educação reuniram-se, prepararam um documento (A TRANSFORMAÇÃO DA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO BÁSICA PÚBLICA NO BRASIL) e levaram à presidente da República, Dilma Rousseff. O documento propõe a privatização da educação brasileira. Essa nova escola irá avaliar os alunos e decidirá que disciplinas lhes serão úteis: matemática básica, ler e escrever, ciências e um curso profissionalizante, isto é, a maioria dos brasileiros serão apenas trabalhadores braçais, sem perspectiva de ascensão social e/ou intelectual; os mais interessados em aprender poderão aprofundar seus conhecimentos básicos e se preparem para o vestibular e cursar uma faculdade técnica. Se tal proposta for aceita será o fim da liberdade do sujeito pobre, a maioria jamais terá acesso às disciplinas humanas, serão os futuros humanos-robôs a serviço dos modernos patrocinadores do medievalismo contemporâneo brasileiro, isto é, um novo Brasil colônia a serviço da elite brasileira e mundial.
O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, preocupado com a situação de seus concidadãos e com a tendência de alguns partidos políticos de continuar usando os brasileiros somente como trabalhador braçal, acrescentou ao currículo do ensino médio a sociologia e filosofia, esperando conscientizar os jovens e seus pais que nós brasileiros podemos perder essa maldita cultura medieval: uma nação que baixa a cabeça para tudo e todos. Como filósofo e professor da rede pública estadual, percebo que a reação do governo federal pode ter sido tarde. Nossa educação pública é uma verdadeira barbaria. Chegou ao estágio que os patrocinadores da privatização queriam. Para contornar essa situação é preciso conscientizar a população e isso só será possível com altos investimentos por parte da federação através da mídia, pois, para a maioria dos pais brasileiros seus filhos estão recebendo boa educação escolar da rede pública estadual e municipal.
Para reverter esse estado caótico da educação não é preciso privatizar como querem os exploradores dos brasileiros, basta apenas querer educar os filhos do Brasil com amor, sinceridade e patriotismo. É só acabar com a aprovação continuada da pré-escola ao Ensino Médio, valorizar o trabalho do professor de tal forma que ele consiga tratar de seus filhos sem precisar trabalhar dia e noite em várias escolas: prefeitura, estado e escolas particulares; se os pais colaborarem com os professores, cobrando conhecimento e empenho de seus filhos para aprender, comparecendo às reuniões de pais e mestres para juntos nos empenharmos no desenvolvimento de nossos filhos, facilmente e sem muitos investimentos reverteremos essa situação. Educar é preparar para a vida útil. Os primeiros dezoito anos de vida bem administrado pelos pais e governos são suficientes para preparar a juventude para seguir seu caminho sem privá-los do direito de conhecer todas as matérias de humanas e exatas. Educador nenhum no mundo consegue trabalhar em diferentes instituições educando, ele acaba apenas enganando. Todos os governos sempre souberam que esse modelo de educação chegaria ao caus. Chegou, e agora eles, mais uma vez, querem fazer a revolução da elite governante: aumentar suas contas bancárias à custa da desgraça e ignorância do povo. Se nós, pais e alunos exigirmos que o governo não use a educação contra o nosso desenvolvimento intelectual e ascensão social ele não usará. Porém, se acharmos que eles vão fazer o melhor para nós, será o fim de um Brasil para os brasileiros.
Só chegamos a essa situação porque os instrumentos de conscientização e de educação informais que o Estado confia como sendo colaboradores, não fizeram o seu papel. Igrejas, sociedades amigos de bairros, sindicatos, associações e outros, sempre usaram a inocência e a bondade dos brasileiros para os explorarem e se enriquecerem. Para reverter essa situação e escaparmos da privatização do brasileiro, somente através de um levante popular contra os privatizadores do país. Se nos unirmos, pais, estudantes, professores e políticos que querem um cidadão brasileiro consciente, poderão voltar a ter uma boa escola pública para nossos filhos e anularemos essa nova proposta que é contra o desenvolvimento do brasileiro. Se agirmos, aumentaremos nossa capacidade intelectual e continuaremos sendo pessoas mais capazes de fazermos nossas próprias escolhas. Se isso não ocorrer, a robotização dos brasileiros será certa.
Nós brasileiros precisamos perder essa cultura de achar que no simples ato de votar já estamos fazendo nossa parte, porém, isso é apenas parte do muito que podemos fazer. Precisamos nos conscientizar de que as pessoas que colocamos no poder público dirigem a nossa vida e controlam nossas perspectivas de futuro. Se os que lá estão não fizeram nada para melhorar nossa situação, já é hora de tirarmos esses velhos políticos do poder e pôr no poder sangue novo, pessoas que pensam a cidade, o estado e a federação para todos os brasileiros. Você e eu, conscientes dessa realidade, poderemos fazer a diferença como políticos ou como cidadãos capazes de interferir por meio de protestos organizados e eficientes no destino de nossa nação.
A revolução só é possível pela divulgação de novas idéias, participe dessa revolução indicando este texto e o blog aos seus amigos.
Filósofo e professor Isaías Correia Ribas
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
A TRAGÉDIA GREGA
Desde a mais remota antiguidade, o homem como ser no e do mundo em meio e parte de todo o universo das *contingências (dúvidas e incertezas), não consegue conviver em plena paz com a dura realidade das finitudes temporais sem se perguntar, qual é a finalidade dessa existência a qual estou inserido? Em meio ao “silêncio” universal que nos estamos inseridos, o homem, único ser de razão, busca encontrar uma explicação racional para o fato da existência.
O livro mais antigo e ao mesmo tempo o mais atual, nos diz que o primeiro casal, Adão e Eva foram criados através do logos (palavra) de um Ser, O qual, na mesma semana literal criou toda forma de vida que envolve o planeta Terra e o universo astral. O mesmo livro nos relata que alguns dos descendentes desse primeiro casal, por causa da entrada do pecado, os questionaram quanto a esse Deus criador que eles tanto falavam e cultuavam. Então, para concretizar os seus questionamentos, numa atitude desafiadora, deixou o convívio do patriarca, mudaram-se para outra região e criaram uma pluralidade de deuses naturais para cultuarem. Em contra partida, o Patriarca e os que com ele ficou, continuaram cultuando o Deus único, O Criador. Logo, assim que o homem tomou consciência de seu estado de lançado ao mundo, fora do paraíso edênico (Jardim do Éden) buscou uma forma de transcender (tentativa de elevar-se além da realidade mundana), para amenizar a dura realidade das contingências existenciais que o angustiava.
A linha do tempo tem nos mostrado que o meio que nos leva à transcendência é a fé (crença), que pode ser depositada em um Deus criador, numa pluralidade de deuses criados, em hipóteses (teorias argumentativas), e às ciências empíricas (experimentos laboratoriais).
Os gregos, pai do racionalismo ocidental não foram diferentes, adotaram o politeísmo bíblico, tiraram deles a forma natural e lhes deram uma forma humana (*antropomorfa) e a partir desse novo modelo “divino” criaram uma nova forma de culto, a tragédia grega.
A tragédia nasceu de suas crenças no destino (moira), lei maior da natureza: todos estão condenados a morrer, isto é, nascer, crescer e desaparecer. Para os gregos antigos essa vida não tinha sentido lógico. Tudo na natureza está predestinado à destruição e assim também acontece com os homens, independentemente de suas escolhas ele chega lá, morre. O termo tragédia vem de Tragöi (coral), o som harmonioso do coro atinge o homem e é útil à sua formação emocional e moral, assim, associados aos sons, suas máscaras criavam o ambiente propício para o espetáculo da tragédia. Mas qual era o sentido da existência desse teatro trágico? É que para os gregos antigos, o viver era uma tragédia, não tinha sentido e onde não há sentido, busca-se, cria-se, inventa. A tragédia era para os gregos um tipo de cartase (purificação) dos sofrimentos, pois o modo de vida deles continha muito sofrimento.
O homem grego consultava os *Oráculos (velhos sábios), que o aconselhava e lhe previa o futuro, mas para quem crê na predestinação, essa postura é no mínimo paradoxo. Em toda Hélade (território) da Grécia antiga, suas Polis (cidades Estados), viviam em constante estado de lutas entre si, guerrear era parte de sua cultura, daí, para sobreviver, era preciso lutar e nesse estado a juventude era constantemente ceifada e suas famílias viviam em constante crise existencial. Então, diante dessa crise, os pensadores inventaram a tragédia grega, uma religião grega, onde todos, ao som do coral cantavam e os seus sofrimentos eram purificados em conjunto. Pode-se dizer que cada uma das Polis tinham a sua tragédia, o seu culto, e assim, das coisas sem sentido nasceu à tragédia grega que os ensinava como lidar com os sentimentos mais profundos e terríveis. Se não aprendessem a lidar com os seus sentimentos toda Grécia poderia perder o sentido de viver, perdendo-o, possivelmente sua história seria outra.
Os deuses gregos eram imortais, tinham a forma humana, estavam entre eles e habitavam na montanha mais alta da Grécia, o Olimpo. Qual era o papel do herói na tragédia grega? Imitar os deuses. Mas como ser imortal se morriam nos combates? Os heróis gregos eram diferentes dos heróis de Hollywood que são exaltados e honrados em vida pelos seus feitos. O herói grego é aquele que morria combatendo, já que não eram imortais como os deuses, aprenderam os guerreiros gregos que alguma coisa tinha que valer a pena naquele viver sem sentido. Por isso lutavam até a morte, pois, por meio de seus feitos seriam lembrados, tornavam-se imortais análogos aos habitantes do Olimpo. O guerreiro era ensinado pelos oráculos a não evitar a própria morte e jamais tentar fugir das previsões oraculares. Então, nunca pares de lutar, nem de combater, se morrer lutando estas morrendo pelos seus, pela sua Polis, só assim serás lembrado e eternizado. Deste modo era construído o sonho, ou melhor, a ideologia para os guerreiros gregos. Então, eis o sonho de todo jovem grego, o sonho de ser um herói: morrer em combate, lutar até a morte, pois, herói que é herói, morre lutando.
A tragédia era um culto com coro musical que servia para educar moralmente os jovens, local onde as famílias unidas compartilhavam suas dores, seus sofrimentos do viver sem sentido, sofriam juntas suas “perdas” e conseguiam entrar em estado de purificação e limpeza. Assim, a tragédia alcançava o seu objetivo: dar “sentido” a vida, purificar os sentimentos e preencher o vazio que a vida lhes legava. Ideologia é um conjunto de ideias elaboradas por pensadores para dar sentido ao viver daqueles que estão perdendo a perspectiva de viver, com objetivo de mascarar a realidade, é uma mentira lógica, uma utopia.
A questão é, será que alguém consegue viver neste mundo sem se transcender? Alguns sim. Porém, lembremos que o homem é composto de algo além de si, ele não é apenas o que pensa ser, ele não está no controle de nada, ele é a sua própria incógnita. Então, a transcendência lógica, entendo, é a saída mais segura para o viver em paz enquanto se espera. Isto é, viver segundo o plano do Criador, e deste não faz parte as instituições religiosas Católicas, protestantes e espiritualistas, todos esses trabalham com a transcendência mística, antagônicos a transcendência lógica, todos são adeptos das falácias teológicas, eles são contrário ao desenvolvimento intelectual de seus rebanhos, pois somente assim poderão usá-los para construírem um céu aqui na Terra às suas elites institucionais. As teologias atuais, segundo Ludwig Feuerbach (1804- 1872), defensoras da teologia da prosperidade e da libertação são exemplos de teologias antropocêntricas. Marx e Nietzsche também criticaram a utilidade das religiões de seus dias: Karl Marx (1818-1883) classificou-a como “ópio do povo’ e Friedrich Nietzsche (1844-1900), disse que “A barbárie doentia aumentou até chegar ao poder como igreja”. Fazendo uma distinção entre Cristo e o cristianismo disse: “ninguém é suficientemente “convertido” ao cristianismo, basta ser suficientemente doente para tanto”. “Somente a prática cristã, uma vida como a dele, que morreu na cruz, é cristã” (...). Ainda uma vida assim é possível, para alguns homens até necessária: o cristianismo verdadeiro, o original, será possível em todas as épocas... Não uma fé, mas um agir, sobretudo não fazer muitas-coisas, ser de outra forma... Reduzir o ser-cristão à cristandade, ao ter por verdadeiro, a uma fenomenologia da consciência significa negar o cristianismo” (NIETZSCHE O Anticristo maldição do Cristianismo, pág. 59, 61 e 75, ed. 1905). Ellen G. White (1827-1915), profetiza contemporânea para as gerações dos últimos dias é, no meu entender, a única a apresentar uma transcendência lógica, sem máscaras. Caso queira investigar, leia a sua “principal” obra: O Conflito dos Séculos.
Isaías Correia Ribas, filósofo e professor de filosofia.
O livro mais antigo e ao mesmo tempo o mais atual, nos diz que o primeiro casal, Adão e Eva foram criados através do logos (palavra) de um Ser, O qual, na mesma semana literal criou toda forma de vida que envolve o planeta Terra e o universo astral. O mesmo livro nos relata que alguns dos descendentes desse primeiro casal, por causa da entrada do pecado, os questionaram quanto a esse Deus criador que eles tanto falavam e cultuavam. Então, para concretizar os seus questionamentos, numa atitude desafiadora, deixou o convívio do patriarca, mudaram-se para outra região e criaram uma pluralidade de deuses naturais para cultuarem. Em contra partida, o Patriarca e os que com ele ficou, continuaram cultuando o Deus único, O Criador. Logo, assim que o homem tomou consciência de seu estado de lançado ao mundo, fora do paraíso edênico (Jardim do Éden) buscou uma forma de transcender (tentativa de elevar-se além da realidade mundana), para amenizar a dura realidade das contingências existenciais que o angustiava.
A linha do tempo tem nos mostrado que o meio que nos leva à transcendência é a fé (crença), que pode ser depositada em um Deus criador, numa pluralidade de deuses criados, em hipóteses (teorias argumentativas), e às ciências empíricas (experimentos laboratoriais).
Os gregos, pai do racionalismo ocidental não foram diferentes, adotaram o politeísmo bíblico, tiraram deles a forma natural e lhes deram uma forma humana (*antropomorfa) e a partir desse novo modelo “divino” criaram uma nova forma de culto, a tragédia grega.
A tragédia nasceu de suas crenças no destino (moira), lei maior da natureza: todos estão condenados a morrer, isto é, nascer, crescer e desaparecer. Para os gregos antigos essa vida não tinha sentido lógico. Tudo na natureza está predestinado à destruição e assim também acontece com os homens, independentemente de suas escolhas ele chega lá, morre. O termo tragédia vem de Tragöi (coral), o som harmonioso do coro atinge o homem e é útil à sua formação emocional e moral, assim, associados aos sons, suas máscaras criavam o ambiente propício para o espetáculo da tragédia. Mas qual era o sentido da existência desse teatro trágico? É que para os gregos antigos, o viver era uma tragédia, não tinha sentido e onde não há sentido, busca-se, cria-se, inventa. A tragédia era para os gregos um tipo de cartase (purificação) dos sofrimentos, pois o modo de vida deles continha muito sofrimento.
O homem grego consultava os *Oráculos (velhos sábios), que o aconselhava e lhe previa o futuro, mas para quem crê na predestinação, essa postura é no mínimo paradoxo. Em toda Hélade (território) da Grécia antiga, suas Polis (cidades Estados), viviam em constante estado de lutas entre si, guerrear era parte de sua cultura, daí, para sobreviver, era preciso lutar e nesse estado a juventude era constantemente ceifada e suas famílias viviam em constante crise existencial. Então, diante dessa crise, os pensadores inventaram a tragédia grega, uma religião grega, onde todos, ao som do coral cantavam e os seus sofrimentos eram purificados em conjunto. Pode-se dizer que cada uma das Polis tinham a sua tragédia, o seu culto, e assim, das coisas sem sentido nasceu à tragédia grega que os ensinava como lidar com os sentimentos mais profundos e terríveis. Se não aprendessem a lidar com os seus sentimentos toda Grécia poderia perder o sentido de viver, perdendo-o, possivelmente sua história seria outra.
Os deuses gregos eram imortais, tinham a forma humana, estavam entre eles e habitavam na montanha mais alta da Grécia, o Olimpo. Qual era o papel do herói na tragédia grega? Imitar os deuses. Mas como ser imortal se morriam nos combates? Os heróis gregos eram diferentes dos heróis de Hollywood que são exaltados e honrados em vida pelos seus feitos. O herói grego é aquele que morria combatendo, já que não eram imortais como os deuses, aprenderam os guerreiros gregos que alguma coisa tinha que valer a pena naquele viver sem sentido. Por isso lutavam até a morte, pois, por meio de seus feitos seriam lembrados, tornavam-se imortais análogos aos habitantes do Olimpo. O guerreiro era ensinado pelos oráculos a não evitar a própria morte e jamais tentar fugir das previsões oraculares. Então, nunca pares de lutar, nem de combater, se morrer lutando estas morrendo pelos seus, pela sua Polis, só assim serás lembrado e eternizado. Deste modo era construído o sonho, ou melhor, a ideologia para os guerreiros gregos. Então, eis o sonho de todo jovem grego, o sonho de ser um herói: morrer em combate, lutar até a morte, pois, herói que é herói, morre lutando.
A tragédia era um culto com coro musical que servia para educar moralmente os jovens, local onde as famílias unidas compartilhavam suas dores, seus sofrimentos do viver sem sentido, sofriam juntas suas “perdas” e conseguiam entrar em estado de purificação e limpeza. Assim, a tragédia alcançava o seu objetivo: dar “sentido” a vida, purificar os sentimentos e preencher o vazio que a vida lhes legava. Ideologia é um conjunto de ideias elaboradas por pensadores para dar sentido ao viver daqueles que estão perdendo a perspectiva de viver, com objetivo de mascarar a realidade, é uma mentira lógica, uma utopia.
A questão é, será que alguém consegue viver neste mundo sem se transcender? Alguns sim. Porém, lembremos que o homem é composto de algo além de si, ele não é apenas o que pensa ser, ele não está no controle de nada, ele é a sua própria incógnita. Então, a transcendência lógica, entendo, é a saída mais segura para o viver em paz enquanto se espera. Isto é, viver segundo o plano do Criador, e deste não faz parte as instituições religiosas Católicas, protestantes e espiritualistas, todos esses trabalham com a transcendência mística, antagônicos a transcendência lógica, todos são adeptos das falácias teológicas, eles são contrário ao desenvolvimento intelectual de seus rebanhos, pois somente assim poderão usá-los para construírem um céu aqui na Terra às suas elites institucionais. As teologias atuais, segundo Ludwig Feuerbach (1804- 1872), defensoras da teologia da prosperidade e da libertação são exemplos de teologias antropocêntricas. Marx e Nietzsche também criticaram a utilidade das religiões de seus dias: Karl Marx (1818-1883) classificou-a como “ópio do povo’ e Friedrich Nietzsche (1844-1900), disse que “A barbárie doentia aumentou até chegar ao poder como igreja”. Fazendo uma distinção entre Cristo e o cristianismo disse: “ninguém é suficientemente “convertido” ao cristianismo, basta ser suficientemente doente para tanto”. “Somente a prática cristã, uma vida como a dele, que morreu na cruz, é cristã” (...). Ainda uma vida assim é possível, para alguns homens até necessária: o cristianismo verdadeiro, o original, será possível em todas as épocas... Não uma fé, mas um agir, sobretudo não fazer muitas-coisas, ser de outra forma... Reduzir o ser-cristão à cristandade, ao ter por verdadeiro, a uma fenomenologia da consciência significa negar o cristianismo” (NIETZSCHE O Anticristo maldição do Cristianismo, pág. 59, 61 e 75, ed. 1905). Ellen G. White (1827-1915), profetiza contemporânea para as gerações dos últimos dias é, no meu entender, a única a apresentar uma transcendência lógica, sem máscaras. Caso queira investigar, leia a sua “principal” obra: O Conflito dos Séculos.
Isaías Correia Ribas, filósofo e professor de filosofia.
sábado, 9 de outubro de 2010
Ontologia
A filosofia ocidental nasceu na Grécia por volta do (séc. VII a. C.) com Tales de Mileto. Foi a partir dessa época que o modo de pensar e explicar a realidade começou a sofrer alterações, ou podemos dizer, surgia mais uma forma de explicar a vida, a existência, o que é real. Opondo-se as explicações míticas e monoteístas, a filosofia olha, ou podemos dizer, o homem volta-se exclusivamente à physis (natureza) como sendo o único objeto pelo qual podemos chegar à verdade da existência. Há grandes filósofos Contemporâneos que defende essa tese naturalista, Friedrich Nietzsche (1844-1900) é o maior deles. Mas, para decepção dos filósofos naturalistas, conhecidos como pré-socráticos, suas conclusões da análise da natureza foram frustrantes, não conseguiram explicar a gênese, o existir e a manutenção da realidade universal analisando apenas na natureza. Heráclito (séc. VI e V a. C.), um dos principais filósofos naturalista concluiu que tudo o que há no universo surgiu de causa natural, de um movimento sem causa primeira, o próprio movimento de geração à corrupção, nascimento e morte, oscilando em ser e não ser simultâneo, é a causa e a manutenção do equilíbrio universal.
Esse modo de pensar filosófico deu ao mundo ocidental uma nova perspectiva para entender e explicar o que existe, o que é o real. Daí, para nós ocidentais, o que existe é o que se “vê”, que podemos “pegar”, “sentir”, seja concreto ou abstrato. Por isso Parmênides, contemporâneo de Heráclito, questionou-o ao formular a filosofia ontológica (estudo do ser), concluindo que o ser é, e o não ser não é, contrapondo a filosofia obscura de Heráclito que afirmava que as coisas são e não são ao mesmo tempo.
Vem desse novo modo de pensar ocidental a nossa dificuldade para aceitarmos a existência daquilo que não vemos e não sentimos a sua concretude. Partindo da filosofia naturalista, tanto os pré-socráticos quanto os empiristas renascentistas a contemporâneos, questionam a existência de um Deus criador e mantenedor do universo: é impossível a existência daquilo que não vemos, que não podemos apalpar, afirmam eles. Logo, Deus não existe. É lamentável, mas os empiristas e cientistas em geral, optaram pelo pensamento limitado, valorizando apenas as finitudes naturais, esquecendo que o homem não é apenas físico, mas um composto de polis-físicos, emocionais, psíquicos racionais, que até hoje os pensadores buscam compreender. Cada indivíduo é um composto de limitadas forças com infinitas possibilidades de combinações potenciais.
René Descartes (1596-1650), com o seu cogito ergo sum, “penso, logo existo”, já questionava essa limitação empirista. Charles Sanders Pierce (1839-1914), por meio de sua arquitetura filosófica fundamentada na semiótica (teoria dos signos), nos tira dessas limitações ocidental: o que existe está além daquilo que vemos e apalpamos, concluindo: Deus não existe, porém, é real. Isto é, a existência de algo não pode estar limitada a concretude física, aos laboratórios. Fazendo isso o homem está anulando seus sentimentos, sua razão, inferiorizando-se, buscando “compreender” somente o que é sensível, negando assim, sua inteligência.
Os sentimentos que há em nós como o amor, a tristeza, o ódio, a felicidade são qualidades que estão além do que vemos e apalpamos, porém, são reais e ninguém duvida disso. Logo, podemos afirmar que os sentimentos não existem, porém, são reais. Eles fazem parte de uma conclusão lógica, indubitável. É justamente nesta esfera que se encontra Deus, o criador do universo, defendido pelo pensamento bíblico. Por isso o apóstolo João diz: Deus é amor. (I São João 4:8). Então, podemos concordar e afirmar, Deus não existe à nossa realidade filosófica, porém, é real.
Os orientais não têm essa dificuldade para compreender e aceitar a realidade metafísica porque não foram, até o momento, limitados pela filosofia ocidental.
Isaías Correia Ribas, filósofo e professor de filosofia.
Esse modo de pensar filosófico deu ao mundo ocidental uma nova perspectiva para entender e explicar o que existe, o que é o real. Daí, para nós ocidentais, o que existe é o que se “vê”, que podemos “pegar”, “sentir”, seja concreto ou abstrato. Por isso Parmênides, contemporâneo de Heráclito, questionou-o ao formular a filosofia ontológica (estudo do ser), concluindo que o ser é, e o não ser não é, contrapondo a filosofia obscura de Heráclito que afirmava que as coisas são e não são ao mesmo tempo.
Vem desse novo modo de pensar ocidental a nossa dificuldade para aceitarmos a existência daquilo que não vemos e não sentimos a sua concretude. Partindo da filosofia naturalista, tanto os pré-socráticos quanto os empiristas renascentistas a contemporâneos, questionam a existência de um Deus criador e mantenedor do universo: é impossível a existência daquilo que não vemos, que não podemos apalpar, afirmam eles. Logo, Deus não existe. É lamentável, mas os empiristas e cientistas em geral, optaram pelo pensamento limitado, valorizando apenas as finitudes naturais, esquecendo que o homem não é apenas físico, mas um composto de polis-físicos, emocionais, psíquicos racionais, que até hoje os pensadores buscam compreender. Cada indivíduo é um composto de limitadas forças com infinitas possibilidades de combinações potenciais.
René Descartes (1596-1650), com o seu cogito ergo sum, “penso, logo existo”, já questionava essa limitação empirista. Charles Sanders Pierce (1839-1914), por meio de sua arquitetura filosófica fundamentada na semiótica (teoria dos signos), nos tira dessas limitações ocidental: o que existe está além daquilo que vemos e apalpamos, concluindo: Deus não existe, porém, é real. Isto é, a existência de algo não pode estar limitada a concretude física, aos laboratórios. Fazendo isso o homem está anulando seus sentimentos, sua razão, inferiorizando-se, buscando “compreender” somente o que é sensível, negando assim, sua inteligência.
Os sentimentos que há em nós como o amor, a tristeza, o ódio, a felicidade são qualidades que estão além do que vemos e apalpamos, porém, são reais e ninguém duvida disso. Logo, podemos afirmar que os sentimentos não existem, porém, são reais. Eles fazem parte de uma conclusão lógica, indubitável. É justamente nesta esfera que se encontra Deus, o criador do universo, defendido pelo pensamento bíblico. Por isso o apóstolo João diz: Deus é amor. (I São João 4:8). Então, podemos concordar e afirmar, Deus não existe à nossa realidade filosófica, porém, é real.
Os orientais não têm essa dificuldade para compreender e aceitar a realidade metafísica porque não foram, até o momento, limitados pela filosofia ocidental.
Isaías Correia Ribas, filósofo e professor de filosofia.
domingo, 26 de setembro de 2010
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