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quinta-feira, 9 de maio de 2013

COMO DETERMINAR CRITÉRIOS DE VALIDADE EM FILOSOFIA?



    Granger, neste capítulo, “Filosofar Sobre a Filosofia”, do livro: Por um Conhecimento filosófico, busca mostrar-nos que esse esforço é fazer filosofia. Para isso faz sua argumentação em quatro tópicos.
1)                 Filosofar Sobre a Filosofia
2)                 A Filosofia não é uma Ciência
3)                 A Filosofia não é uma das Belas-Artes
4)                 Como Determinar Critérios de Validade em Filosofia?
Filosofar sobre a filosofia
     Para muitos, filosofar é andar em círculo, como alguém que quer fugir da realidade. Porém, não esqueçamos que filosofar é pensar, pensar o que é possível apreender do Universo pela observação, construindo assim, um conhecimento geral-antropocêntrico. Pensar contrário a isso só é possível aos que não pensão com o propósito de entender a vida e como buscar meios para vivê-la melhor. Mesmo o pensar para a ciência, exige-se o retrocesso, o (“andar em círculo”) não à gênese, mas até definir, cada um em sua área, quando parar sem cometer erros. Logo, se para a ciência que busca o conhecimento específico, baseado no empirismo (experiência), exige-se o rigor metódico, quanto mais para a filosofia que tem a perspectiva do conhecimento geral. Então, pensar sobre a filosofia metodicamente, é filosofar.
     Não há “metafilosofia”. A filosofia é “metadisciplina”. A metafísica seria “o estudo do método filosófico”, isso, segundo alguns pensam e dão à filosofia o status de ciência. Mas, o objeto da filosofia é a própria filosofia. Porém, entre os métodos científico e filosófico há semelhanças, ambos são: exegéticos, hipotéticos, dedutivos, interativos e cumulativos. Então, em relação à ciência, a filosofia pode ser modos de conhecimentos válidos e verdadeiros, permanecendo irredutível e insubstituível; pois ambas desenvolvem seu metaconhecimento, suas metodologias: a ciência é empírica, baseia-se na experiência, e a base da filosofia é o raciocínio lógico a priori, o que não depende da experiência, logo, razão pura.
     Não se pretende provar como a ciência é possível, mas reconhecer como é possível a filosofia ser um conhecimento racional sem ser uma ciência e sem cair no transcendentalismo da razão. Os dados filosóficos, considerados como sendo os fenômenos culturais de um tempo histórico, produtos do pensamento de pessoas em ato, estão condicionados à complexidade do meio, logo, é possível uma sociologia, uma psicologia e uma história concreta dos fatos filosóficos. Tal conhecimento, quando alcançável, seria um conhecimento científico. Porém, o propósito dessa pesquisa é mostrar essa diferença entre ciência e filosofia. Para tanto, primeiro, veremos o que a filosofia não é.
A filosofia não é uma ciência
      Se partirmos de uma visão escolástica, a filosofia seria a mais científica das ciências. Não existe nenhuma regra linguística que se oponha a denominação de ciência à produção filosófica. Toda produção racional é conhecimento, contudo, o denominar ciência a essa produção, não tem a finalidade de causar um paradoxo e nem de destruir a linha limite entre o cientificismo e a filosofia. Previamente, parece-nos, que a filosofia distingue-se irremediavelmente dos outros conhecimentos que têm o nome de ciência.
      As ciências buscam construir modelos abstratos dos fenômenos. Porém, nem todo conhecimento da natureza tem a capacidade de representa-los, principalmente quando estes estão distante do vivido. Assim, nem toda área do conhecimento “científico”, embora busque esse ideal, conseguem tal status. A filosofia, ao contrário, nunca chegou a propor verdadeiros modelos de fenômenos, pela simples razão de que este não pode ser seu objetivo. Todos os que tentaram fracassaram, então, está aberta a vaga para esse gênio.
     A filosofia, contrária às diversas ciências, não pretende explicar “fatos”. Para a ciência não há uma definição universal do “fato”. Então, o conhecimento científico limita-se a uma determinação regional do “fato”, e este, está em constante evolução, porque a cada momento histórico, cada ramo da ciência delimita a classe de “fato” que quer explicar segundo os meios materiais e conceituais que possa dispor. Por contraste, a filosofia diante de um “fato”, apenas indaga: o que é um “fato”? Mesmo que algum filósofo determinasse a noção dum “fato”, não teria determinado “fato” algum que pudesse explorar como faz os cientistas.
 A filosofia não tem um objeto à análise. Não há objetos filosóficos. A crença difundida de que a filosofia fala de tudo é perfeitamente correta. O campo de aplicação de seu exercício é o conjunto da experiência humana.
A filosofia não é uma das belas-artes
     No subtítulo está claro: “a filosofia não é uma das belas-artes”. Porém, muitos oponentes e adeptos invocam Platão, Nietzsche e as vezes Bergson, como defensores de uma filosofia obra de arte, mas, trata-se de erros de interpretação das obras filosóficas desses autores. A arte apenas cria objetos. Há artes com suporte material (esculturas), e outras criadas no tempo (a música), mas todas são obras concretas, criações de artistas que as pensou e materializou-as. Uma das belas-artes que poderia parecer filosófica seria a arte da linguagem como são as dos poetas e romancistas. Porém, a filosofia não se utiliza da linguagem para criar diretamente conceitos. A atividade do filósofo se aproxima mais do matemático, no entanto, os conceitos filosóficos não produzem fenômenos sentimentais e nem imagens. Logo, são irredutíveis aos de qualquer ciência, mesmo aos da matemática. Então, se existe um conhecimento filosófico, este só pode se manifestar nas próprias obras filosóficas.
Como determinar critérios de validade em filosofia?
    A conclusão de Granger neste capítulo passa a ideia de que a verdade possa ser corretamente aplicada em filosofia. Em ciência sim, mesmo que essa verdade seja temporal, pois a mesma é passível de verificação, certificação empírica, logo, possível ampliação. Então, as verdades científicas são passíveis de evoluções clarificantes e significantes dos conceitos.
Em filosofia não é possível verificação empírica. As teses filosóficas não são provisórias, pois as mesmas partem da perspectiva que o filósofo tem de sua própria experiência com e do mundo. Assim sendo, tudo é válido em filosofia, ou quase tudo, é justamente nesse quase que se encontra a gênese de toda atividade filosófica.
 Em filosofia só é possível validade. Granger, ciente de que sua argumentação neste capítulo não oferece uma resposta plausível, termina-o com a indagação: Enfim, que é verdade, em filosofia? Como outro mortal qualquer, suas proposições estão sob os critérios de validade e verdade, logo, pode estar certo ou errado.  
Particularmente não concordo com algumas de suas afirmações, mas não vou explicitá-las porque o espaço em páginas para esse trabalho de conclusão de disciplina é limitado. Porém, em poucas linhas sintetizarei o que é validade e verdade em filosofia.
A verdade filosófica e científica são verdades temporais, e não há como ser diferente, uma vez que seus criadores são entes finitos, mortais. Então, a ideia de uma verdade absoluta e dogmática está descartada. Uma das fontes de verdades absolutas é a bíblia. No entanto, as verdades bíblicas são alvos de interpretações de diversas instituições religiosas, essas, geralmente buscam submeter o que é absoluto à visão do temporal; tais conclusões devem ser submetidas aos critérios de verdades científico-filosóficas. Logo, as produções literárias antropocêntricas são passíveis de críticas e análises filosóficas. Para Kant, Immanuel (1724-1804), “a metafísica não é possível como ciência, ele não tem dúvida alguma de que os problemas que ela levanta são importantes e, inclusive, muito mais importantes que os da física (ciência). Se os corpos caem a 9,8 ou 9,9 metros por segundo nada muda, porém, muda muito se existe ou não existe Deus, [...] Contudo, as questões colocadas pela metafísica não são para Kant unicamente relevantes, elas são necessárias”.
Critérios de validade e verdade em filosofia:
          A validade lógica não implica, necessariamente, uma verdade. Mas, às vezes, coincide que um argumento válido possa ser verdadeiro; e, outras vezes, argumentos válidos podem ser falsos. Então, toda proposição, ou afirmação, tem valor de verdade, podendo ser verdadeira ou falsa. Mas de que verdade ou falsidade está-se falando? Da sentença, do afirmado e escrito, nada mais que isso. A proposição chama-se, em lógica, premissa, logo, as premissas podem ser falsas ou verdadeiras. Então, o que interessa à filosofia é a validade e veracidade do raciocínio lógico e sua coerência. 
Se as premissas de um enunciado são verdadeiras, a conclusão certamente será verdadeira. Exemplo clássico: Todo homem é mortal; Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal. Todo silogismo são compostos de duas premissas e uma conclusão. Na lógica Moderna não há limites de premissas, porém, a regra é a mesma. Se entre milhares de premissas verdadeiras houver uma falsa, todo argumento pode ser falacioso.
Exemplo de argumento válido falacioso: Todo animal que come capim é uma vaca; o cavalo come capim. Logo, o cavalo é uma vaca. Como verificar se esse argumento é verdadeiro ou falso? Indo a um pasto e perceber que cavalo, apesar de comer capim, não é uma vaca. E por que ele é válido? Por causa de sua estrutura lógica: a premissa dois deriva da primeira e a conclusão dá-se dessa derivação. Então, quando se busca a verdade lógica baseando-se apenas na validade do argumento, pode cair-se em falácias. Advogados geralmente usam essa argumentação para defender os fora da lei.
Só há uma condição para um argumento ser inválido: Quando as premissas são verdadeiras e a conclusão for falsa.
As verdades absolutas e o juízo final
No dia do juízo, quem se salvará? Os que guardam os mandamentos de Deus segundo estão na bíblia; aceitam a Jesus como seu salvador pessoal e fazem o bem, esses, serão salvos. João, esposo de Maria e pai de Francisco; guarda os mandamentos; faz o bem, mas não aceita a Jesus como seu salvador. Logo, João está perdido. Maria só faz o bem. Logo, Maria está perdida. Francisco guarda os mandamentos segundo as escrituras, aceita a Jesus como seu salvador pessoal e faz o bem. Logo, Francisco será salvo. Este argumento é válido e verdadeiro segundo sua estrutura lógica. Quando a argumentação parte de verdades absolutas contidas na bíblia, é fácil detectar as falácias religiosas e teológicas. Por isso Cristo não teve problemas para rejeitar as instituições de seus dias. Como verificar a veracidade desse argumento no presente mundo? Impossível, por isso, as atitudes de fé devem ser verdadeiras, honestas. Segundo as verdades bíblicas, após o juízo final não haverá outra oportunidade.
Filósofo Isaías Correia Ribas.