Pesquisar este blog

segunda-feira, 17 de junho de 2019

ESCOLA CÍNICA


     Diógenes de Sínope (413 – 327 a. C.) é o pensador mais destacado dessa escola. A palavra cinismo vem do grego “kynos”, que significa “cão”. Assim, o termo cínico designa a corrente dos filósofos que se propuseram viver como os cães, sem qualquer propriedade e conforto. Como Sócrates, Diógenes defendia que o ser humano deve conhecer a si mesmo, desprezando todos os bens materiais. Por isso, Diógenes é conhecido como o “Sócrates demente”, ou “Sócrates louco”; ele ensinava que viver contrário aos valores e convenções humanas é o melhor meio de ser feliz; para ele, “a vida deve ser vivida conforme os princípios que cada um considera moralmente correto”. Vivendo na época das conquista de Alexandre Magno que promoveu a fusão entre diversas culturas, Diógenes não via diferença entre gregos e estrangeiros. Conta-se, que, quando lhe perguntavam qual era sua cidadania, respondia: “Sou cosmopolita” (cidadão do mundo). Embora muitos ciganos atuais tenham bens como imóveis, automóveis e barracas para morar, o espírito de aventura em viajar por diversos países colhendo das lavouras e matando animais que não lhes pertencem, demonstra que provavelmente eles herdaram essa cultura dos cínicos. Digo isso porque, quando eles passavam pelas fazendas onde morávamos, roubavam galinhas, ovos, cabritos, bois e outros alimentos para dar-lhes energia para continuar sua jornada até a próxima vítima e ninguém se incomodava em perder alguns víveres para ajuda-los.
     Diógenes morava dentro de em um barril; certa vez Alexandre Magno foi visitá-lo. De pé, em frente sua “casa”, perguntou-lhe se havia algo que ele, como imperador, poderia fazer em seu benefício. Diógenes respondeu prontamente: “Sim, pode sair de frente do sol”. Diz que Alexandre, impressionado com o desprezo do filósofo pelos bens materiais, teria comentado: “Se eu não fosse imperador, queria ser como Diógenes”. Zombavam de Diógenes, pois, além de morar em um barril, volta e meia era visto pedindo esmolas às estátuas porque eram cegas. Por serem estátuas, eram duplamente cegas porque não tinham olhos – umas das características da estatuária grega. [...] – Perguntaram a Diógenes porque pedia esmolas às estátuas de olhos vazados. Ele respondia que estava se habituando a recusa. Pedindo a quem não via, não ouvia e nem o sentia, e ele nem ficava aborrecido pelo fato de não ser atendido.
É uma imagem que pode ser usada para definir as relações entre a sociedade e o poder político contemporâneo. Tal como as estátuas gregas, os políticos têm olhos vazados, só olham para dentro de si mesmos, de seus interesses, no acúmulo de mais bens, e, se possível, nunca perder o poder para continuar usando o bem público em benefício próprio em detrimento do bem estar do povo que trabalha e paga seus impostos que deveriam ser utilizados para o desenvolvimento de todas as pessoas. Como os três poderes da República brasileira continuam com os mesmos objetivos dos exploradores que por aqui aportaram a partir de 1.500, iremos continuar sendo mão de obra barata para os políticos exploradores que continuam casando todos os projetos educacionais capaz de causar o desenvolvimento dos trabalhadores, meio de manter a lógica dos políticos e empresários exploradores escravocratas ativos. O atual presidente Jair Bolsonaro e seus ministros estão trabalhando para que a escravidão volte com força total cassando todos os direitos conquistados até o presente.  
     A sociedade em linhas gerais não chega a morar num barril. Uma pequena minoria mora em coisa mais substancial. A maioria mora em espaços pouco maiores que um barril. E há gente que nem consegue um barril para morar, fica mesmo embaixo de pontes ou por cima das calçadas. Morando em coisa melhor, igual ou pior que um barril, a sociedade contemporânea tem necessidade de pedir não exatamente esmolas ao poder, mas medidas de segurança, emprego, saúde e educação. Dispõe de vários canais para isso, mas, na etapa final, todos os componentes dos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, agem como uma estátua fria, de olhos e ouvidos que nem estão fechados, estão vazados. [...]